No confronto entre os dois clubes com claques gigantes, há um ponto em comum que preocupa os dois lados. Nenhum deles tem facilidade para transformar as oportunidades em golos. A origem do problema, no entanto, é bastante diferente.
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O Internacional é a equipa que mais cria oportunidades de qualidade no Brasileirão. Mesmo numa campanha marcada pela luta para se afastar da parte de baixo da tabela, a equipa de Paulo Pezzolano chegou a um volume de oportunidades superior ao de todos os outros clubes. O número de golos esperados (xG) é 34, à frente de Flamengo e Palmeiras.
O problema aparece na hora de concluir.
O Inter já criou 48 grandes oportunidades no campeonato, mas desperdiçou 34 delas. A equipa marcou apenas 23 golos, número que a coloca na 14ª posição entre os ataques da Série A. É uma diferença que ajuda a explicar o paradoxo colorado. Apesar de ser o clube que mais cria, não consegue transformar esse volume em golos na mesma proporção.
A taxa de conversão das finalizações, de apenas 7%, reforça a impressão. O Inter chega em boas condições para marcar, mas frequentemente não consegue aproveitar.
No Corinthians, a história é quase o inverso
O emblema alvinegro é o que menos cria oportunidades de qualidade no campeonato. A dificuldade começa antes da finalização, uma vez que a equipa tem encontrado problemas para construir jogadas capazes de colocar seus atacantes em boas condições para marcar.

As ausências de Labyad, Yuri Alberto e Rodrigo Garro tornam o cenário ainda mais delicado para o técnico Fernando Diniz. Justamente em um confronto no qual a capacidade de produzir chances pode ser decisiva.
Por outro lado, quando consegue finalizar, o Corinthians tem sido mais eficaz que o Inter. A taxa de conversão é de 9%, contra 7% do rival. E há outra diferença essencial. As finalizações corintianas aumentam o perigo das oportunidades criadas, enquanto as do Inter fazem o caminho inverso.
É isso que mostram os dados de golos esperados. O Inter tem 34 xG, mas os remates enquadrados correspondem a 26 xG. No Corinthians, o número é bem menor na criação, 19 xG, mas sobe para 21 xG quando se considera a qualidade dos chutes que chegam à baliza.
Traduzindo: O Inter consegue criar, mas desperdiça; o Corinthians cria pouco, mas aproveita melhor aquilo que consegue produzir.

É um contraste particularmente importante numa eliminatória. Ao longo de 38 rodadas, um clube pode compensar uma noite má com novas oportunidades na partida seguinte. Na Taça do Brasil, não há essa garantia. Uma oportunidade desperdiçada pode fazer toda a diferença.
Por isso, o duelo entre Inter e Corinthians coloca frente a frente dois ataques com problemas opostos. O Colorado precisa transformar em golos a quantidade de oportunidades que já consegue criar.
O Corinthians, por sua vez, precisa encontrar maneiras de criar mais. E torcer para que sua maior eficácia na conclusão, mesmo com desfalques no ataque, seja suficiente para compensar essa limitação.
