CAN: Rei de Marrocos concede indulto aos adeptos senegaleses detidos

Adeptos senegaleses foram libertados
Adeptos senegaleses foram libertadosPhoto par ULRIK PEDERSEN / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

O rei de Marrocos, Mohammed VI, concedeu no sábado, por "motivos humanitários", o indulto aos adeptos senegaleses detidos após os incidentes ocorridos durante a final da CAN-2025 em Rabate, em janeiro, um caso que pôs à prova a amizade entre Rabate e Dacar.

"Tendo em conta as relações fraternais seculares que unem o reino de Marrocos e a república do Senegal, e por ocasião da celebração do Aïd al-Adha", que será assinalada na quarta-feira em Marrocos, o rei "decidiu, por razões humanitárias, conceder o seu indulto real aos adeptos senegaleses", refere um comunicado do gabinete real.

No dia 18 de janeiro, durante a final da Taça das Nações Africanas (CAN) em Rabate – iniciada no final de dezembro de 2025 – o Senegal venceu por 1-0 no final de um jogo caótico.

Após um penálti assinalado a favor de Marrocos nos descontos da segunda parte, logo depois de um golo anulado ao Senegal, vários jogadores senegaleses abandonaram o relvado e adeptos tentaram invadir o campo e lançaram objetos.

Em fevereiro, a justiça marroquina condenou a penas entre três meses e um ano de prisão 18 senegaleses acusados de "hooliganismo", nomeadamente por atos de violência contra as forças de segurança, após terem sido detidos durante a final e mantidos em prisão em Marrocos desde então.

Em meados de abril, três adeptos foram libertados após cumprirem a sua pena de três meses. O indulto concedido no sábado abrange assim os 15 adeptos ainda detidos. Esta decisão "demonstra a profundidade dos laços de amizade, fraternidade e cooperação" que unem Marrocos e Senegal, acrescenta o comunicado.

Me Patrick Kabou, que representou uma parte significativa dos senegaleses, disse à AFP que os detidos deverão sair em liberdade ainda esta noite.

"Os nossos compatriotas retidos em Marrocos na sequência dos incidentes ocorridos à margem da Taça das Nações Africanas estão livres. Em breve reencontrarão as suas famílias", declarou na rede social X o presidente senegalês Bassirou Diomaye Faye, dirigindo a Mohammed VI os seus "mais sinceros agradecimentos por esta decisão marcada pela clemência e humanidade".

As acusações baseavam-se principalmente nas imagens das câmaras do estádio Moulay-Abdellah, bem como nos relatórios médicos dos membros das forças de segurança e dos assistentes de estádio feridos, segundo o Ministério Público marroquino, que avaliou os danos materiais em mais de 370.000 euros.

Em fevereiro, durante uma visita oficial a Rabate, o ex-primeiro-ministro senegalês Ousmane Sonko (afastado das suas funções na sexta-feira) lamentou, num contexto de grande tensão entre adeptos marroquinos e senegaleses, que "as coisas" "tenham chegado a este ponto" entre "dois países que se consideram amigos".

O rei de Marrocos, por seu lado, lamentou os "lamentáveis incidentes e comportamentos profundamente reprováveis" ocorridos durante a final, segundo um comunicado do gabinete real, que garantia, no entanto, que"assim que a emoção acalmar, a fraternidade interafricana prevalecerá naturalmente".

No final de janeiro, a Confederação Africana de Futebol (CAF) impôs uma série de sanções disciplinares às duas federações por comportamentos antidesportivos e violações dos princípios de fair-play. E em meados de março, o júri de apelo da CAF retirou o título ao Senegal para o atribuir a Marrocos. Após esta decisão, o Senegal recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).

Dacar e Rabat mantêm relações de amizade e cooperação de longa data em vários setores, nomeadamente turismo, energia, formação, infraestruturas e transportes. Os dois países partilham laços religiosos muito fortes.

O Senegal é a principal nacionalidade representada entre os estrangeiros residentes no reino, com 18,4%, segundo o Alto Comissariado para o Plano (HCP).

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