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"O Lens parte como favorito e este será praticamente um jogo em casa para eles. Estão quase obrigados a vencer", afirmou o treinador do Nice, Claude Puel, resumindo aquilo que a maioria dos observadores prevê para o desfecho do encontro no Stade de France.
Já foi uma excelente época para o Lens, que terminou em segundo lugar, apenas atrás do todo-poderoso Paris Saint-Germain na Ligue 1, ficando muito perto de conquistar o seu primeiro título francês desde 1998.
Agora, esperam conquistar a Taça de França pela primeira vez na sua história, depois de terem perdido as três finais anteriores – a última também em 1998.
O Nice, pelo contrário, atravessou uma época desastrosa e terminou a Ligue 1 no lugar de play-off de despromoção, após vencer apenas dois dos últimos 24 jogos.
De repente, a perspetiva de conquistar o primeiro troféu desde a última vitória na Taça de França, em 1997, ficou totalmente ofuscada pelo que se segue ao grande jogo de sexta-feira – a equipa terá de vencer um play-off a duas mãos na próxima semana frente ao Saint-Étienne para permanecer na Ligue 1.
Ninguém lhes dá hipóteses frente ao Lens, mas a história pode repetir-se: além do ano da última vitória na Taça, 1997 foi também o último ano em que desceram de divisão.
"Continua a ser uma final, por isso, claro que vamos dar tudo. Mas os dois jogos que se seguem são mais importantes. Queremos ficar na Ligue 1. Essa é a nossa única ambição", admitiu o presidente do Nice, Jean-Pierre Rivere.
O empate 0-0 da semana passada frente ao Metz, já despromovido e último classificado, terminou com adeptos furiosos a invadirem o relvado, lançando engenhos de fumo e obrigando os jogadores a correrem para o balneário em busca de proteção.
A Ineos tinha grandes ambições quando a empresa do empresário britânico Jim Ratcliffe comprou o clube da Côte d'Azur em 2019.
Desde então, conseguiram três classificações nos cinco primeiros lugares e perderam a final da Taça de França em 2022.
No ano passado, terminaram em quarto e garantiram o acesso às pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, mas em agosto passado mal conseguiram incomodar o Benfica e falharam o apuramento para a fase de grupos da principal competição europeia de clubes.
Descontentamento dos adeptos
A época rapidamente descambou e, em novembro, jogadores, equipa técnica e direção tiveram um confronto com centenas de adeptos reunidos à porta do centro de treinos para manifestarem a sua revolta com o plantel do Nice, que regressava de um jogo.
O treinador Franck Haise saiu em dezembro, sendo substituído por Puel. Este não conseguiu travar a queda, agravada pelas saídas em janeiro de dois dos principais avançados – Jeremie Boga e Terem Moffi, marcados por esse confronto com os adeptos, que rumaram à Juventus e ao FC Porto, respetivamente.
O foco de Ratcliffe, que também detém 25 por cento do Manchester United, está agora noutro lado.

O Nice foi obrigado a disputar à porta fechada a primeira mão do play-off frente ao Saint-Étienne, como castigo pela invasão de campo, e muitos adeptos também deverão faltar à final de sexta-feira.
As autoridades, por sua vez, esperam até 50.000 adeptos do Lens nas bancadas do Stade de France, com capacidade para 80.000 lugares.
O Lens, liderado pelo avançado Florian Thauvin, que ficou à porta da convocatória de França para o Mundial, estará determinado a conquistar o troféu que lhe tem escapado há tanto tempo.
Isso completaria uma temporada notável, que já lhes garantiu o apuramento para a Liga dos Campeões da próxima época.
"Somos o único clube que já foi campeão francês e nunca venceu a Taça de França", afirmou o treinador Pierre Sage ao diário desportivo L'Équipe.

"Este clube tem 120 anos e merece conquistá-la. Temos uma geração de jogadores que realizou uma época excecional e também a mereceria. Por isso, penso que este é o nosso ano para o conseguir".
Sage levou o Lyon à final em 2024, onde perderam com o PSG. O domínio dos parisienses no futebol francês é esmagador, mas quem vencer na sexta-feira será o quinto vencedor diferente da competição nas últimas oito épocas.
