Análise: Os números que explicam o descalabro do Manchester United na Taça frente ao Brighton

Danny Welbeck, do Brighton, marca frente ao seu antigo clube, o Manchester United, na Taça de Inglaterra
Danny Welbeck, do Brighton, marca frente ao seu antigo clube, o Manchester United, na Taça de InglaterraČTK / imago sportfotodienst / Andrew Yates

Foi mais uma semana atribulada em Old Trafford, depois de Ruben Amorim ter sido finalmente despedido pela direção do Manchester United.

Reveja aqui as principais incidências da partida

O português, apesar da sua postura confiante, saiu com uma das piores percentagens de vitórias de sempre de um treinador dos Red Devils. É curioso, então, que tenha sido afastado precisamente quando parecia que o United podia estar a inverter o rumo.

O empate 1-1 frente ao Leeds, apesar de desapontante, manteve os Red Devils no top seis da Premier League, mas foi a veemência do seu desabafo após o jogo que acabou por ditar o seu destino.

Fletcher esperava travar a onda de desilusão

Darren Fletcher, um símbolo do clube, foi chamado para estabilizar a equipa, mas novo empate – o quarto jogo consecutivo sem perder do United – desta vez frente ao Burnley, ameaçado pela descida, não estava nos planos.

No último jogo da Taça, o United foi eliminado da Taça da Liga pelo modesto Grimsby; por isso, o duelo da terceira ronda da Taça de Inglaterra frente ao Brighton era não só uma oportunidade para corrigir esse deslize, como também podia significar algum alívio das dificuldades no campeonato.

Os Seagulls, contudo, apresentavam-se como um adversário complicado, mesmo depois de uma série em que só tinham vencido um dos últimos oito jogos na Premier League.

Apesar de o United ter vencido em outubro por 4-2, esse foi apenas o segundo triunfo dos gigantes do Noroeste nos últimos seis duelos diretos, tendo perdido os outros quatro.

Entrada animada de ambas as equipas

Quanto ao momento atual, os anfitriões tinham marcado 10 e concedido 10 golos nos últimos seis jogos, com apenas uma vitória, quatro empates e uma derrota. Fletcher ia, sem dúvida, procurar o espírito de liderança e a qualidade global do capitão, Bruno Fernandes, já que, desde o início de janeiro de 2023, nenhum jogador participou em mais golos na Taça de Inglaterra do que o português (13 – oito golos, cinco assistências).

Fabian Hurzeler, por sua vez, tinha a sua arma secreta em Pascal Groß, já que o alemão de 34 anos marcou mais golos ao United ao serviço do Brighton (sete, quatro deles em Old Trafford) do que frente a qualquer outro adversário.

O início animado de ambos os lados prendeu a atenção de todos nas bancadas do Teatro dos Sonhos desde o apito inicial. Diogo Dalot esteve perto de marcar, e Bruno também já tinha tentado a sua sorte sem sucesso antes de o Brighton sequer criar perigo.

As notas dos jogadores
As notas dos jogadoresFlashscore

Mais erros defensivos do United

No entanto, os visitantes rapidamente inverteram o rumo dos acontecimentos, com Diego Gomez, Jack Hinshelwood e Georginio Rutter a explorarem as fragilidades defensivas do United. Como era de esperar, bastaram 11 minutos para os Seagulls se adiantarem, graças a Brajan Gruda, que marcou o seu primeiro golo em todas as competições desde agosto, frente ao Manchester City na Premier League.

Foi a quarta vez nos últimos cinco jogos fora frente ao United que o Brighton abriu o marcador, o que devia ter servido de aviso, já que os visitantes tinham vencido os três anteriores em que se adiantaram por 1-0.

De forma preocupante para Fletcher e para a sua equipa sob pressão, os anfitriões só conseguiram dar a volta e vencer um dos nove jogos em que concederam o primeiro golo esta época (três empates e cinco derrotas), precisamente no triunfo por 2-1 em casa do Crystal Palace em novembro.

Um novo ímpeto ofensivo dos Red Devils, com Benjamin Sesko a obrigar o guarda-redes a intervir e Matheus Cunha a tentar a sua sorte por duas vezes, foi tudo o que conseguiram, com 40,6% da ação a decorrer no último terço defensivo do United.

Mainoo em destaque

O regressado Kobbie Mainoo estava, pelo menos, a mostrar serviço, e as três ocasiões que ajudou a criar já eram mais do que qualquer outro jogador. Na verdade, foi o melhor registo de um jogador do Manchester United nos primeiros 30 minutos de um jogo esta época (todas as competições).

O jogo mudou claramente com a posse coletiva de 72% dos anfitriões. No centro das operações estava Mainoo, com 95,2% de eficácia, embora os 88,5% de Manuel Ugarte e os seus passes constantes para o último terço também mereçam destaque.

No final da primeira parte, só havia uma equipa em campo, com o United a vencer 66% dos duelos frente ao Brighton (31/47); a melhor percentagem numa parte em Old Trafford esta época. Apesar de Sesko só ter tocado na bola nove vezes antes do intervalo, compensou largamente na segunda parte.

A confiança que os golos trouxeram ao seu jogo é evidente, e os cinco remates do avançado (três enquadrados) até ao final foram, de longe, o melhor registo dos Red Devils.

Welbeck volta a assombrar o seu antigo clube

Infelizmente, como tantas vezes aconteceu esta época, o descalabro voltou a instalar-se rapidamente.

Apesar de a equipa de Fletcher ter estado bem até ao intervalo, foi desastrosa logo a seguir, e mesmo antes de Danny Welbeck marcar um excelente segundo golo para os Seagulls pouco depois da hora de jogo, os visitantes já tinham criado quatro ocasiões, entre remates bloqueados e desenquadrados.

O oitavo golo de Welbeck frente ao seu antigo clube é o seu melhor registo partilhado contra um adversário na carreira de clubes (também oito frente ao West Ham United).

A entrega de Gruda e Groß foi uma das notas de destaque na reta final, altura em que disputaram 20 e 13 duelos, respetivamente, vencendo pelo menos metade em ambos os casos. Ambos os treinadores tentaram refrescar as equipas com várias substituições, e a cinco minutos do fim Sesko marcou o golo que o seu desempenho justificava.

O terceiro golo nos últimos dois jogos pelo United é mais do que tinha conseguido nos primeiros 17 jogos pelo clube (dois), mas já era tarde demais.

O vermelho de Lacey espelha a frustração do United

A frustração do United ficou bem patente pouco depois, quando Shea Lacey, na sua estreia pelo clube na competição, foi expulso por protestos apenas dois minutos depois de ter visto o amarelo por uma entrada imprudente.

Assim, tornou-se o primeiro adolescente a ser expulso pelo clube em todas as competições desde Luke Shaw frente ao West Ham United em fevereiro de 2015.

Resta ao United voltar à estaca zero, enquanto os Seagulls continuam a voar...

Jason Pettigrove
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