Bolas paradas: A arma do Arsenal para um póquer de títulos

As jogadas de bola parada, a arma do Arsenal para um póquer de títulos
As jogadas de bola parada, a arma do Arsenal para um póquer de títulosAction Images via Reuters/Paul Childs

Uma vertente adicional do jogo para uns, um recurso para equipas menos dotadas tecnicamente que, para outros, acaba por prejudicar o espetáculo. As jogadas de bola parada, com o Arsenal como grande especialista, geram controvérsia antes do confronto dos gunners nos oitavos de final da Taça de Inglaterra.

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A equipa de Mikel Arteta, que vai visitar no sábado o modesto Mansfield Town, da terceira divisão inglesa, lidera a Premier League e está apurado para os oitavos de final da Liga dos Campeões e para a final da Taça da Liga, pelo que a possibilidade de conquistar quatro títulos não parece utópica no Emirates Stadium.

No entanto, a superioridade do conjunto londrino em todas as competições, e a sua força nas jogadas de bola parada, têm originado uma série de críticas por parte das restantes equipas, devido ao recurso a esse tipo de ações por um plantel repleto de talento como o do Arsenal.

Uma das vozes que se manifestaram foi a do treinador do Liverpool, Arne Slot, que considera que a crescente dependência das jogadas de bola parada, tanto por parte do Arsenal como da Premier League em geral, retira atratividade ao jogo.

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"Em primeiro lugar, é preciso aceitar. Penso que isto acontece sobretudo aqui, na Premier League", afirmou Slot aos jornalistas na segunda-feira. "Se olhar para outras ligas, não creio que haja tanto foco nas jogadas de bola parada".

O treinador neerlandês considera que os guarda-redes na Premier League recebem menos proteção dos árbitros do que noutras ligas. "Aqui quase se pode atingir um guarda-redes na cara e o árbitro continua a mandar seguir. Gosto disso? O meu coração de futebolista não gosta", disse Slot.

O antigo avançado do Chelsea, Chris Sutton, campeão da Premier League pelo Blackburn, defende que o Arsenal será o campeão "mais feio" da Premier League caso conquiste o título.

E após a vitória do Arsenal na quarta-feira frente ao Brighton (0-1), o treinador dos seagulls, Fabian Hürzeler, criticou o futebol pouco ambicioso do Arsenal e as perdas de tempo.

"Penso que hoje só houve uma equipa a tentar jogar futebol. Já viram num jogo da Premier League um guarda-redes deitar-se tantas vezes no relvado?", questionou, referindo-se ao guarda-redes David Raya. "Se perguntar a todos na sala, alguém gostou realmente deste jogo? Tenho a certeza de que talvez um levante a mão, porque é um grande adepto do Arsenal", inquiriu.

16 golos de canto

Arteta respondeu às críticas, afirmando que só lhe preocupa que a sua equipa consiga marcar mais golos nesse tipo de situações.

Com o francês Nicolas Jover como adjunto de Arteta especializado em bola parada, o Arsenal é o rei das jogadas de estratégia e, no domingo passado, marcou o seu 16.º golo de canto nesta temporada na Premier, igualando o recorde do campeonato inglês.

"Estou irritado porque não marcámos mais, e também porque sofremos. Gostava de jogar com mais três jogadores no meu próprio meio-campo para conseguir um futebol bonito. Mas essa não é a realidade do futebol. Se queres ver esse tipo de futebol, tens de ir para outro país, porque na Premier League, nas duas ou três últimas temporadas, não é o caso", defendeu o técnico basco na terça-feira.

Talvez frente ao Mansfield, uma equipa que ocupa o 16.º lugar na terceira divisão inglesa, os homens de Arteta possam apresentar um futebol mais elaborado e vistoso.

O Mansfield chegou aos oitavos de final da FA Cup pela primeira vez em 51 anos, depois de vencer o Burnley na quarta ronda.

O clube da cidade de Mansfield é orientado por Nigel Clough, filho do também treinador Brian Clough, que levou o Derby County e o Nottingham Forest ao título da liga inglesa, e que conquistou por duas vezes a Taça dos Campeões Europeus com este último.

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