Ex-jogadores do Torreense enaltecem “momento histórico” na Taça de Portugal

Festa do Torreense após a conquista da Taça de Portugal
Festa do Torreense após a conquista da Taça de PortugalCARLOS BARROSO/LUSA

Quatro antigos futebolistas do Torreense confessaram esta terça-feira ter festejado intensamente a vitória na Taça de Portugal, no domingo, a primeira de uma equipa de campeonatos secundários em Portugal, e mostraram confiança na subida à Liga Portugal.

Recorde as incidências do encontro

Nascido e criado para o futebol em Torres Vedras, o antigo médio Bruno Vaza integrou a última equipa azul-grená a competir no escalão principal, na época 1991/92, e deslocou-se ao Estádio Nacional, em Oeiras, para assistir à vitória do emblema da terra natal sobre o favorito Sporting, por 2-1, após prolongamento.

“Foi um momento histórico, um momento único, que vai ficar marcado em todas as pessoas da cidade. São estes momentos que fazem toda a diferença para as cidades pequenas como é o caso de Torres Vedras”, disse à Lusa o ex-futebolista de 55 anos, que representou Torreense e Sporting de Braga.

Presente como jogador na final de 1997/98, que o SC Braga perdeu diante do FC Porto, por 3-1, Bruno Vaza usufruiu pela primeira vez do “ambiente de festa” na mata do Jamor, assistiu a um jogo no qual a equipa treinada por Luís Tralhão superou a “diferença de potencial” para os leões e viveu, à noite, uma festa inédita na cidade do Oeste, reconhecida pelo Carnaval.

“Nesta final da Taça de Portugal, era uma região que estava no Jamor. As poucas pessoas que estiveram em Torres acompanharam em praças onde havia televisão. A cidade continuou a festa. Foi bonito receber os jogadores”, recordou.

Outro elemento do plantel de 1991/92, Floris Schaap, assistiu, desde os Países Baixos, a um feito que o Torreense, os seus sócios e os habitantes de Torres Vedras “já mereciam”, após um encontro que correu de feição, até pelo golo madrugador de Kévin Zohi, aos quatro minutos.

“Marcar ao início foi um benefício para o Torreense, porque lhe permitiu defender e jogar no contra-ataque. Quando se defende com as linhas muito juntas, torna-se difícil para a outra equipa penetrar na área. O golo cedo pode ter influenciado o planeamento do jogo”, disse o antigo defesa neerlandês, de 61 anos, à Lusa.

Após 14 épocas na Liga, ao serviço de Gil Vicente, Boavista, Nacional e Arouca, Mateus contribuiu com 14 golos para a conquista da edição inaugural da Liga 3, em 2021/22, pelo Torreense, clube com o qual tem “uma forte ligação”, apesar da “curta passagem” de duas épocas.

“Vibrei muito. Não consegui bilhete para ir ao Jamor, mas vi o jogo em casa, vestido a rigor, e fiquei muito feliz quando conseguiram algo em que muito poucos acreditavam: derrotar o Sporting. Venceram com mérito. Foram verdadeiros heróis”, afirmou à Lusa o atacante angolano, de 41 anos.

Colega de Mateus no plantel que se sagrou campeão do terceiro escalão e garantiu a promoção à Liga 2, o antigo internacional português Edinho mostrou-se “muito feliz” pelo feito de um clube “estável e em afirmação”, com “uma estrutura forte”, que mostrou “caráter” e “soube sofrer quando teve de sofrer”, sob o comando de um treinador “muito competente e com ambição”, Luís Tralhão.

“Antes de o jogo começar, alguns amigos diziam-me que o Sporting ia cilindrar o Torreense. Disse-lhes que, numa final, era 50% para cada lado, que nenhum jogo não está ganho antes de começar. Muitos jogadores do Torreense teriam talvez a única oportunidade de ganhar a Taça de Portugal naquele jogo”, lembrou o ex-jogador de 43 anos.

O antigo ponta de lança de emblemas como Vitória FC, SC Braga e Académica considera ainda que a inédita conquista da prova rainha pelo Torreense vai dar “confiança extra” para a segunda mão do play-off de acesso à Liga, em Rio Maior, perante o Casa Pia, face aos “jogadores maduros e de qualidade” que compõem o plantel.

Já Floris Schaap realça que os jogadores estão unidos após erguerem a Taça de Portugal e podem “dar um grande salto” a nível anímico para o jogo de quinta-feira, marcado para as 20:00, enquanto Mateus crê que os jogadores “vão dar tudo para alcançar o objetivo”, ainda que fosse “mais justo” o encontro decorrer no sábado, para “recuperarem de um jogo com prolongamento”.

Embora alerte para os danos que um jogo de 120 minutos com o Sporting podem causar a nível físico, Bruno Vaza realça que a cidade está “mais ligada” ao Torreense desde o título da Liga 3 e acredita que a fase positiva do clube pode fazer a diferença no play-off.

“O Torreense está mais positivo do que o Casa Pia. O Casa Pia está numa fase crítica. Há um contraste entre a nossa positividade e o negativismo deles. Mesmo cansados, poderemos subir de divisão”, perspetivou.