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Reportagem: Salgueiros quer “deixar de sobreviver” e voltar a crescer com subida à Liga 3

A festa do Salgueiros após eliminar o Feirense
A festa do Salgueiros após eliminar o FeirenseSalgueiros/Facebook

O Salgueiros quer transformar o apuramento na Taça de Portugal, em que eliminou o Feirense, da Liga 2, num impulso para subir à Liga 3, enquanto procura ultrapassar as dificuldades de um quotidiano repartido por diferentes campos.

Reveja aqui as principais incidências da partida

“Deixar de sobreviver e começar a crescer” é a ambição expressa pelo diretor desportivo, Diogo Valente, que identifica na subida ao terceiro escalão o próximo passo da recuperação do clube e na falta de uma casa própria um dos principais obstáculos.

“O Salgueiros precisa muito de um estádio, porque nada disto estaria implicado se o Salgueiros tivesse uma casa”, afirmou o antigo jogador de Boavista, FC Porto, Leixões, entre outros, num retrato das exigências logísticas de uma equipa que treina em Rio Tinto e joga em Fiães, longe de Paranhos.

A opção pelo relvado natural obrigou a uma mudança que também desafia a ligação aos adeptos. Segundo o dirigente, Fiães foi a solução mais próxima entre as disponíveis, embora o desejo fosse permanecer mais perto das origens.

Diogo Valente, que encerrou a carreira precisamente no Salgueiros, explicou que o investimento aumentou sobretudo nas condições de trabalho, com a SAD a suportar a manutenção dos relvados e das infraestruturas utilizadas, e não propriamente no orçamento do plantel.

Após cinco épocas como jogador do clube, o agora responsável pelo futebol acompanha uma reconstrução que passou pela escolha de jogadores com qualidade, mas também com capacidade para representar a identidade salgueirista.

O treinador, Rui Borges, que refere terem transitado apenas “três ou quatro jogadores” da época anterior, encontra nas mudanças constantes de campo uma dificuldade diária, com os treinos repartidos também pelo Complexo Desportivo de Campanhã.

Os jogos do Salgueiros no Campeonato de Portugal
Os jogos do Salgueiros no Campeonato de PortugalFlashscore

“Temos que adaptar o treino”, explicou, lembrando que trabalhar em sintético ou em relva exige exercícios e repetições diferentes. Ainda assim, recusa que essas limitações impeçam a equipa, que compete no Campeonato de Portugal, de cumprir os objetivos.

Rui Borges vincou que "a permanência neste campeonato é sempre curta para o Salgueiros”, pelo que o clube pretende dar o passo seguinte depois de ter conseguido duas manutenções no quarto escalão.

A vitória sobre um adversário da Liga 2 na Taça de Portugal reforçou a confiança, mas não alterou a necessidade de continuarem a trabalhar: “Não podemos pensar que foi a final da Champions e que acabou o campeonato ou que acabou a época".

Para o capitão Joel Monteiro, o objetivo tem também uma dimensão afetiva. Fez a formação no clube e guarda memórias das noites de I Liga no Vidal Pinheiro, agora recuperadas no orgulho de voltar a usar o símbolo ao peito.

“Gostaria de ajudar o Salgueiros a subir à Liga 3. Isso para mim é um sonho”, assumiu, elogiando o esforço dos adeptos para acompanharem a equipa longe de casa.

A exigência de representar o histórico portuense resume-se, para o capitão, numa responsabilidade: “Quem está aqui tem que saber que tem que dar o máximo todos os dias".

O Salgueiros tem 24 presenças no escalão principal português, a última das quais em 2001/02, quando caiu na Liga 2 para não mais regressar à elite lusa.

Em 1990/91, alcançou a melhor classificação de sempre na então denominada I Divisão nacional, um quinto lugar, que lhe permitiu disputar a Taça UEFA na época seguinte.

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