No meio das adversidades, porém, as Cabulosas encontraram na Libertadores Feminina uma oportunidade de transformar o período de instabilidade em uma campanha histórica.
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Na primeira participação na competição continental, o Cruzeiro chegou à meia-finalcom 100% de aproveitamento e volta a campo nesta quarta-feira, para enfrentar o Olimpia, do Paraguai, em busca de uma vaga na decisão.
A trajetória até aqui é especialmente significativa pelo contexto em que foi construída. O plantel celeste precisou de conviver com ausências importantes, mudanças nas opções disponíveis para a equipa técnica e uma temporada nacional abaixo das expectativas. Ainda assim, a equipa comandada por Jonas Urias conseguiu apresentar competitividade e consistência justamente no torneio que representa sua estreia internacional.
Temporada marcada por lesões graves
Um dos principais obstáculos enfrentados pelo Cruzeiro em 2026 foi a sequência de lesões no plantel feminino. Num intervalo de aproximadamente três meses, seis jogadoras sofreram rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA), uma das lesões mais delicadas do futebol por exigir, geralmente, cirurgia e um longo período de recuperação.
A lista inclui a atacante Millene Fernandes, a médiaGaby Soares, a atacante Ravenna, a central Tainara, a lateral Laura Felipe e a central Paloma Maciel. Os problemas físicos atingiram diferentes setores da equipa e reduziram as alternativas disponíveis para Jonas Urias durante a temporada.
Além das seis atletas com lesões no LCA, o departamento médico também recebeu a guarda-erdes Cláudia, que sofreu uma lesão muscular na coxa direita, e a atacante Letícia Ferreira, submetida a uma cirurgia após uma lesão na articulação do ombro direito.
O cenário chegou a representar oito jogadoras em recuperação ao mesmo tempo. A dimensão dos problemas ajuda a explicar parte das dificuldades encontradas pelo Cruzeiro ao longo do ano e torna ainda mais relevante o desempenho apresentado na Libertadores.
Entre as protagonistas da campanha está Byanca Brasil. Capitã e camisola 10 do Cruzeiro, a atacante tem papel importante na liderança do grupo e na produção ofensiva da equipa. A jogadora também fez questão de lembrar as companheiras que não puderam viajar ao Equador para disputar a competição.
"Mas, por vocês, meninas que estão aí no Brasil, eu sei que tu, Gaby (Soares), Paloma (Maciel), Tainara, Ravenna, Laura (Felipe), Millene (Fernandes), eu sei o quanto queriam estar aqui. É por vocês. Sabemos que é e sempre será por nós", declarou a atacante.
A liderança de Byanca também se reflete nos números. Ela é a goleaodra da competição continental com cinco golos marcados, seguida por Vic Albuquerque e Duda Sampaio, ambas do Corinthians, e Mariana Zamorano, do Independiente Santa Fe, com quatro golos cada.

Campanha perfeita e força coletiva
Dentro de campo, o Cruzeiro tem respondido com resultados expressivos. Na fase de grupos, a equipa venceu a LDU por 2-1, superou o Bolívar por 3-0 e derrotou o próprio Olimpia por 3-0. Com nove pontos, terminou na liderança do Grupo C, com oito golos marcados e apenas um sofrido.
Naos quartos de final, as Cabulosas mantiveram o ritmo e venceram o Libertad, do Paraguai, por 3-0. Vanessinha, Letícia Alves e Byanca Brasil marcaram na partida que confirmou o apuramento para a meia-final.
A sequência evidencia não apenas a capacidade ofensiva do time, mas também a consistência defensiva. O clube sofreu apenas um golo e ostenta a melhor defesa do torneio.
O desafio agora é manter esse nível diante de um adversário que já conhece suas características. O Olimpia chegou aqui depois de eliminar o Deportivo Cali por 1-0 nas quartas de final.
O confronto desta quarta-feira será disputado em jogo único. Em caso de empate no tempo regulamentar, a vaga na final será decidida nos pênaltis.
Da frustração nacional à possibilidade de fazer história
A campanha continental também oferece uma nova perspectiva para a temporada celeste. O sétimo lugar na primeira fase do Campeonato Brasileiro e a eliminação nas quartos de final, diante do Corinthians, ficaram abaixo do que se esperava de uma equipa que havia sido vice-campeã nacional em 2025. Na Taça do Brasil, a queda nos oitavos de final completou um percurso doméstico marcado por frustrações.
A Libertadores, portanto, representa mais do que uma oportunidade de conquistar um título. É a chance de encerrar o ano com uma marca histórica e demonstrar a capacidade de reação de um plantel que precisou superar inúmeras adversidades. Além da competição continental, o Cruzeiro ainda terá pela frente a reta final do Campeonato Mineiro, torneio no qual as Cabulosas buscam o tetracampeonato consecutivo.

