Exclusivo com Vítor Vinha: "Benfica tem uma história para defender na Youth League"

Vítor Vinha prepara sub-19 do Benfica para as meias da Youth League
Vítor Vinha prepara sub-19 do Benfica para as meias da Youth LeagueSL Benfica, Flashscore

Na antecâmara da final four da Youth League, o treinador Vítor Vinha perspetivou, em exclusivo ao Flashscore, a participação das águias na fase decisiva da prova europeia, onde o Benfica volta a afirmar-se como uma referência na formação, sustentado por um modelo que alia exigência, identidade e resultados, com o objetivo claro de continuar a alimentar a equipa principal e a elite do futebol mundial.

Acompanhe o Benfica na Youth League no Flashscore

Vítor Vinha traça um retrato claro de um Benfica que continua a afirmar-se como uma referência na formação europeia. Entre a ambição de voltar a conquistar a Youth League e a exigência de “formar à Benfica”, o técnico sublinha um modelo assente no desenvolvimento integral do jogador, na identidade competitiva e na capacidade de preparar jovens para responderem à elite.

O jovem técnico borda ainda a crescente ligação entre a formação e a equipa principal das águias, destacando a estreia recente de vários jovens e o papel inspirador de José Mourinho no acompanhamento do processo. Entre exemplos concretos e uma visão estruturada do projeto, fica evidente um objetivo comum: continuar a lançar talento e sustentar o futuro do clube ao mais alto nível.

Jovens encarnados preparam meias da Youth League
Jovens encarnados preparam meias da Youth LeagueSL Benfica

"Youth League é uma competição muito importante para nós"

- O Benfica já é uma equipa com muita tradição nesta competição, que é muito importante para as camadas de formação de clubes espalhados por toda a Europa. O que é que esta presença diz sobre o trabalho que está a ser feito na formação do Benfica?

A presença em todas as edições da Youth League e as nossas quatro finais, uma delas culminando numa vitória que já faz parte do nosso palmarés, são um reflexo contínuo do muito e bom trabalho que o Sport Lisboa e Benfica tem vindo a fazer nos seus escalões de formação, no desenvolvimento dos jogadores para a elite. Um jogador do Benfica, sempre que entra no Benfica Campus ou inicia o seu percurso no clube, tem o objetivo e o sonho de disputar a Youth League. Portanto, estas finais e todas estas presenças são ilustrativas desse muito e bom trabalho que todas as pessoas envolvidas, toda esta máquina, fazem para o desenvolvimento dos jogadores. É uma competição muito importante para nós e para o crescimento dos nossos atletas. Temos muito gosto e muita honra em participar e temos, naturalmente, uma história muito grande nesta competição. Uma história para defender, mas também uma história para continuar a construir. É isso que vamos procurar fazer.

- Esta competição expõe também os jogadores a contextos muito diferentes daqueles a que estão habituados no campeonato nacional, até porque se encontram aqui alguns dos melhores jogadores destas gerações. Na sua visão, o que é que estes jogos europeus acrescentam ao desenvolvimento destes atletas?

A Youth League é uma competição muito importante e muito própria, porque é, antes de mais, um espelho da Liga dos Campeões. E, na elite do futebol europeu, a Liga dos Campeões é o topo. É a elite. Sendo a Youth League um espelho dessa elite, temos aqui reunida a elite da formação europeia. Estão presentes os melhores jogadores, as melhores equipas e os melhores projetos de formação. Temos quase um vislumbre daquilo que será o futuro, porque muitos destes jogadores acabam por chegar aos mais altos patamares. Aliás, temos jogadores que participaram na Youth League esta época e que, por exemplo, se estrearam na equipa principal na Champions. Portanto, podemos dizer que esta é, de certa forma, a futura Liga dos Campeões. É fantástico acompanhar o desenvolvimento dos jogadores e das equipas. Por vezes, isso surpreende-nos. Conhecemos muito bem o nosso contexto, porque é o nosso local de trabalho, o nosso enquadramento diário, mas quando defrontamos outros adversários e vemos esses jogadores também a chegar às principais equipas, isso torna-se muito interessante de observar e avaliar. Para o desenvolvimento dos jogadores, esta competição é fantástica. É um vislumbre da Champions e é aqui que vemos o futuro da elite.

Vítor Vinha sobre o significado da Youth League para o Benfica
Vítor Vinha sobre o significado da Youth League para o BenficaOpta by Stats Perform, SL Benfica

- Antes de irmos ao próximo adversário, o Club Brugge, nas meias-finais, gostava de lhe pedir quase um balanço deste percurso da equipa nesta edição. Grandes jogos, muitas vitórias, um jogo muito difícil nos quartos de final frente ao Inter de Milão, mas ultrapassado com sucesso. Que balanço faz até chegar a esta meia-final?

Obviamente que, à primeira vista, o balanço é extremamente positivo. Conseguimos fazer uma fase de grupos excelente, em que perdemos apenas um jogo, em Londres, em condições muito especiais, e em que o resultado também não espelha o nível das equipas. Espelhou, sim, a eficácia. Tivemos oportunidades para marcar mais golos e não conseguimos. O Chelsea teve as suas oportunidades e acabou por concretizar quase todas. Ainda assim, esse jogo também serviu para nos reagruparmos, para refletirmos sobre o percurso que queríamos fazer e para os nossos jovens jogadores perceberem que caminho tinham de fazer e onde todos nós tínhamos de melhorar. Não nos podemos esquecer de que jogámos a fase de grupos num período em que houve um Campeonato do Mundo de sub-17, no qual acabámos por ser campeões do mundo, com nove jogadores do Benfica presentes nessa competição. Outros ficaram cá a jogar a Youth League e tiveram de dar resposta, porque também são elegíveis e muitos têm sido titulares aqui. Por tudo isso, foi uma fase de grupos notável. Depois, creio que fizemos sempre um percurso em crescendo, como equipa e também no desenvolvimento dos nossos jogadores, na resposta que fomos capazes de dar perante as adversidades. Chegamos a esta final four como uma equipa muito sólida, muito capaz, com muitos e bons jogadores, sendo o melhor ataque de sempre de uma edição da competição, o que é fantástico. Vamos iniciar esta semana decisiva da final four com muita ambição e muita garra, e vamos tentar vencer o Brugge para chegar a mais uma final, que é esse o nosso objetivo.

- Que dificuldades perspetiva para este encontro e onde é que o Benfica poderá fazer a diferença?

O Brugge é uma equipa muito sólida e tem um percurso, com as devidas diferenças, muito semelhante ao nosso. Tem oito vitórias e uma derrota. Tem a melhor defesa da competição, com apenas cinco golos sofridos. Isso demonstra a solidez da equipa, que é muito capaz e tem individualidades muito fortes, jogadores muito interessantes e uma frente de ataque muito poderosa, com grande capacidade para chegar à frente, individual e coletivamente. Também apresenta uma grande solidez e solidariedade defensiva. Todos correm para trás, todos correm para a frente, e depois saem muitíssimo bem na transição. Penso que o principal ponto forte deles é precisamente a transição ofensiva, onde conseguem ferir o adversário quase do nada. Têm uma capacidade física muito grande e são também um adversário difícil nas bolas paradas. Marcaram alguns golos dessa forma, portanto é um argumento a ter em conta. Agora, mais importante do que o Brugge é a nossa equipa e aquilo que somos capazes de fazer, aquilo que conseguimos produzir, os nossos jogadores, a qualidade individual que temos. Como disse, temos sido uma equipa no verdadeiro sentido da palavra. Todos juntos, todos unidos, temos sido uma família, e isso também tem sido uma das chaves do sucesso que nos trouxe até aqui. Se mantivermos este nível, esta união e esta capacidade, acredito que vamos estar num nível altíssimo e ser capazes de ultrapassar este adversário, que é isso que queremos.

- Repetir o feito de 2022, quando o Benfica conquistou esta competição, é o objetivo para esta edição?

O nosso objetivo, antes de pensarmos nessa conquista, é chegar à final. O nosso foco está no Brugge, em preparar bem este jogo, em perceber os pontos fortes do adversário e também os seus pontos mais débeis. Queremos esconder os nossos pontos mais frágeis e colocar em campo o nosso jogo, o nosso ADN, aquilo que é ser o Benfica. Obviamente, queremos ir em busca da vitória e chegar à final. Depois, quando lá estivermos, logo pensaremos no resto. Para já, o foco é, acima de tudo, este jogo com o Brugge, porque sem ultrapassar o Brugge não existe mais nada para nós. Só existe o Brugge.

Sub-19 do Benfica marcam presença na final four da Youth League
Sub-19 do Benfica marcam presença na final four da Youth LeagueSL Benfica

Os pilares do Seixal: "Existe uma máxima que é formar à Benfica"

- Este é o seu segundo ano na estrutura técnica da formação do Benfica. Quais são os grandes pilares da formação do Benfica? O que é que se pretende incutir a estes jovens jogadores, para que tenham sucesso não só em termos desportivos, mas também a nível pessoal?

O grande pilar é o desenvolvimento dos jogadores, primeiro enquanto pessoas e depois enquanto atletas, com vista a que se tornem jogadores profissionais e de elite. Os nossos jovens, desde o primeiro dia em que vestem a camisola do Sport Lisboa e Benfica, sabem que vêm para um clube de elite e para uma formação considerada uma das melhores do mundo ao longo dos anos. Sabem também que chegam a uma estrutura que vai fazer absolutamente tudo para que se desenvolvam em todas as áreas - técnica, tática, mental e fisicamente. O Benfica preocupa-se muito com o desenvolvimento pessoal dos jogadores. Fazem inúmeras formações, desde literacia financeira a prevenção rodoviária, entre outras, sem descurar, obviamente, o desenvolvimento enquanto jogadores, que é também um pilar essencial. O objetivo principal é que cresçam como jogadores de futebol profissional e consigam chegar à nossa equipa principal. Estes são os grandes pilares da nossa formação. É isso que procuramos fazer e creio que o temos feito muito bem, porque temos lançado muitos e bons jovens jogadores e temos espalhados pela elite europeia muitos atletas formados no Benfica.

- Como é que se equilibra, num clube da dimensão do Benfica, esta vertente da formação com a exigência natural de obter resultados?

Não podemos dissociar essas duas dimensões. Caminham sempre lado a lado. Existe uma máxima que é formar à Benfica e formar a vencer. Formar à Benfica é fazê-lo dentro de todos esses valores, dentro dessa ambição, dessa garra, dessa busca pela glória. Vestir a camisola do Benfica é ser diferente, é procurar ser o melhor. Tentamos que os nossos jogadores sintam essa mística desde o primeiro dia e ao longo de todo o percurso. Temos uma estrutura muito grande e muito forte. Existem vários departamentos e todos trabalhamos em uníssono: nutrição, psicologia, fisiologia, medicina, área social, departamento técnico. Todos trabalhamos única e exclusivamente para o desenvolvimento dos nossos jogadores nas respetivas áreas, para que possam dar resposta e chegar à elite. O equilíbrio passa por perceber, a cada momento, aquilo de que cada jogador precisa, enquanto atleta e enquanto pessoa, para se desenvolver. Todos estes departamentos trabalham em conjunto, avaliamos, estabelecemos um plano de ação, tentamos executá-lo, voltamos a avaliar e reformulamos, se for necessário. Eles vão fazendo o seu percurso com esse objetivo de desenvolvimento, para chegarem à equipa principal e, se não for no Benfica, para conseguirem fazer uma carreira no futebol profissional, que é isso que queremos.

- Hoje, um jovem formado no Benfica tem claro que, se tiver sucesso, tem a porta aberta para chegar à equipa principal?

Sim, obviamente. Um jovem jogador, quando chega ao Benfica, sabe que já temos muitos e bons exemplos: João Neves, Cancelo, António Silva, Tomás Araújo, Samu, entre outros. E todos esses exemplos, assim como os que este ano se estrearam na equipa principal, servem de farol para os restantes. Servem de exemplo para toda a formação do Benfica. Eles sabem que, fazendo bem as coisas, trabalhando e desenvolvendo-se em todas as áreas, física, técnica, tática, mental e social, estarão mais próximos de atingir o sonho de se estrearem na equipa principal. Agora, obviamente, isto é um processo. Nem todos vão chegar, nem todos vão conseguir ser jogadores da nossa equipa principal, mas sabem que, mesmo que isso não aconteça, estarão mais preparados para fazer carreira fora do Benfica. Nem todos podem chegar, e eles sabem isso desde o início. Trabalham para esse objetivo e nós estamos cá para os apoiar e ajudar nesse caminho.

Os jovens do Benfica que competem na Youth League
Os jovens do Benfica que competem na Youth LeagueSL Benfica

A estreia de Gonçalo Moreira: "Todos temos um fraquinho por ele"

- Um dos últimos a ter essa oportunidade foi o Gonçalo Moreira. Espera agora um Gonçalo ainda mais motivado, não só pelo percurso que tem feito na Youth League, como também por essa estreia na equipa principal?

Sim. Eu diria que todos nós temos um fraquinho pelo Gonçalo Moreira. É um jogador fantástico e uma pessoa fantástica. Tem um percurso de muita resiliência, de muito trabalho, um percurso muito bonito dentro do Benfica. Tem uma vontade enorme de, em cada jogo e em cada treino, estar no Benfica e jogar pelo Benfica. Acompanho-o de perto e sei que era um sonho muito grande que ele tinha: jogar no Estádio da Luz. Conseguiu-o. Foi um prémio justo e merecido para ele. Agora, ele sabe que não pode ficar por aqui. O sonho não termina aqui. Sabe que tem de continuar a trabalhar, sabe que vai continuar nesta competição, na Youth League, e que vai ter de continuar a fazer o seu percurso e a dar resposta. Ele melhor do que ninguém sabe que ainda tem muito pela frente e vai certamente continuar a trabalhar e a responder. É mais um dos muitos bons exemplos que temos, alguém que fez aqui um percurso fantástico e bonito, e que serve de referência para todos os outros jovens que ambicionam estrear-se na nossa equipa principal.

- Depois da estreia é preciso ter sequência. Como é que encara esse trabalho de receber jogadores que já se estrearam na equipa principal e fazê-los perceber que ainda há muito caminho pela frente?

Quando eles se estreiam na equipa principal, isso é fruto de um percurso, de um trabalho, de características diferenciadoras que têm, porque não é qualquer um que se estreia na nossa equipa principal. Quando isso acontece, eles sabem que atingiram um determinado patamar, mas também sabem que não podem ficar por aí. O Gonçalo Moreira, em particular, tem essa visão, essa ambição de querer mais, de querer melhor, de querer mais oportunidades. Teve uma e vai querer ter mais. No dia em que deixar de trabalhar, no dia em que se acomodar, estará mais próximo de sair do Benfica do que de continuar cá. Ele sabe disso e os outros também sabem. A gestão torna-se mais fácil porque são jogadores diferenciados, com um nível mental acima da média, com uma ambição acima da média. E, quando assim é, tudo se torna mais simples para os treinadores e para quem trabalha com eles, porque o foco é muito grande, a fome é muita, e isso é muito bom.

- Há mais jogadores com potencial para seguir esse caminho e chegar à equipa principal?

O nosso mister (José Mourinho) dizia numa das últimas conferências que existe uma elite e depois existe uma outra elite. O nosso objetivo é que essa elite mais alargada consiga transformar essa elite ainda mais reduzida numa elite também mais alargada, se é que me faço entender. Existem muitos e bons jogadores cá dentro, com capacidade para se desenvolverem e chegarem a esse patamar. E nós cá estaremos para os ajudar a crescer, evoluir e desenvolver-se, para que possam ter essas oportunidades. Eles sabem disso melhor do que ninguém. Estão muito suportados por esta estrutura e por todos estes departamentos que trabalham diariamente para os ajudar. Não podemos ficar por aqui. Isto é um trabalho contínuo, ano após ano, dia após dia. Temos de continuar, e os jogadores sabem que o futebol vive de momentos e que têm de aproveitar todos eles. A cada momento, têm de procurar desenvolver-se. Os que mantiverem esta mentalidade estarão sempre mais próximos de lá chegar.

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- O Benfica aposta muito na sua formação. Acredita que, no futuro, o projeto da equipa principal poderá ser ainda mais assente em jogadores formados no clube?

Sim, obviamente que sim. É para isso que trabalhamos. É uma das grandes visões do clube, ou melhor, é a visão do clube na formação: preparar, desenvolver e fazer crescer jovens jogadores para chegarem à nossa equipa principal e à elite do futebol. É para isso que trabalhamos diariamente. É para isso que a estrutura e toda esta máquina estão organizadas, para dar resposta a essa exigência e ao crescimento dos nossos jovens jogadores. Temos feito isso muito bem. Temos muitos e bons exemplos e, naturalmente, queremos dar continuidade ao aparecimento de muitos mais jogadores para a nossa equipa principal.

Vítor Vinha cumpre segunda época no Benfica
Vítor Vinha cumpre segunda época no BenficaSL Benfica

"O treinador tem de conhecer tudo o que envolve o jogador"

- Para quem vê o Benfica de fora, que condições e contexto é que hoje os jovens jogadores encontram no Seixal?

Temos vários departamentos que trabalham em uníssono: nutrição, fisiologia, psicologia, medicina, área técnica, desenvolvimento individual e departamento social, que procura que os nossos jogadores tenham outro tipo de experiências e formações. Toda esta máquina, toda esta organização, está montada para que os nossos jogadores se possam desenvolver, crescer e evoluir. Existe um contacto muito próximo entre todos. O que procuramos fazer é reunir, avaliar, perceber em que estado está o jogador, em que patamar de desenvolvimento se encontra, para onde queremos que cresça e também para onde ele quer crescer, porque os nossos jogadores são parte ativa deste processo. São eles próprios que têm de procurar desenvolver-se. Avaliamos, estabelecemos um plano de ação, executamos, voltamos a avaliar e definimos um novo plano, se necessário. Esse é o ciclo que seguimos no desenvolvimento do jogador. É desta forma que procuramos que ele cresça e evolua e, perante todos estes contextos de adaptação, adversidade e crescimento, à medida que vai dando resposta, vai subindo e evoluindo. Eventualmente, poderá ter a tão ambicionada estreia na equipa principal e a desejada estabilização no plantel principal. É este o ciclo que seguimos.

- Como é que se mantém o nível de exigência num grupo tão jovem, tão exposto ao sucesso e também à opinião pública?

O papel do treinador vai muito para além daquilo que faz no campo, muito para além do plano de jogo ou da execução tática. O treinador é também um elemento de ligação entre todos estes departamentos. Tem de saber tudo o que se passa à volta do jogador e conhecer o plano de ação estabelecido em todas as áreas. Agora, obviamente, é no campo que eles acabam por dar a resposta. É no jogo, treino após treino, jogo após jogo, que tudo se confirma. Nós somos uma formação de futebol e para o futebol. É dentro de campo que eles respondem e é também aí que nós estamos mais presentes. Enquanto treinadores, temos de abranger todas estas áreas e fazer com que o jogador perceba todo o caminho que está a percorrer. Temos também de saber dar uma palavra, porque, no fundo, isto é uma família. Estamos diariamente com os jogadores e com todas as pessoas envolvidas. Sabemos que ninguém caminha sozinho, ninguém faz nada sozinho. Trabalhamos todos em conjunto, e o jogador é o elemento fundamental neste caminho e nesta organização. O jogador é a base de tudo, é a chave de tudo.

Vítor Vinha dá indicações no treino
Vítor Vinha dá indicações no treinoSL Benfica

"Mourinho inspirou-me a ser treinador de futebol"

- Há cerca de dois anos numa entrevista ao Flashscore, dizia-se preparado para qualquer desafio. Que balanço faz destas duas temporadas ao serviço do Benfica e como tem sido esta experiência?

Tem sido uma experiência fantástica. Costumo definir esta experiência como um amor antigo que deu em casamento, e que tem sido um casamento muito feliz. Tenho crescido imenso, evoluído imenso, e tenho contribuído muito para aquilo que é o desenvolvimento do Benfica e dos nossos jovens jogadores. Para mim, é motivo de enorme satisfação pertencer a este clube, vestir o manto sagrado e vir diariamente trabalhar e contribuir para esta grande casa. Estou extremamente contente e estarei eternamente agradecido ao Benfica pela oportunidade de estar aqui e de fazer parte desta grande instituição.

- De que forma é que este percurso no Benfica mudou a sua forma de ser e de estar enquanto treinador?

Obviamente que mudou. Quando trabalhamos na elite, e o Benfica pertence à elite, a aprendizagem é muito grande. Já existia uma bagagem. Fui jogador de futebol profissional, trabalhei com muitos e bons treinadores enquanto adjunto, e pude aprender com todos eles. Mas quando cheguei ao Benfica, o trajeto não acabou aí. O crescimento continuou e até se intensificou. A possibilidade de viver este contexto, contactar com estes jogadores, com todos os departamentos, crescer e evoluir em todas as áreas é fantástico. É isso que procuro fazer diariamente: dar o meu contributo, mas também crescer, aprender, evoluir e continuar este trajeto.

- É especial trabalhar num clube onde está uma referência como José Mourinho?

Sim. Eu, em particular, e acredito que muitos outros treinadores também, vi crescer em mim o desejo de ser treinador ao ver o mister José Mourinho. Para mim, foi uma inspiração. Se estou aqui hoje, também lhe devo isso, porque foi ele que me inspirou a ser treinador de futebol, como acredito que aconteceu com muitos treinadores portugueses. Poder contactar com uma das grandes referências, ou, para mim, com um dos melhores treinadores da história, talvez mesmo o melhor treinador português da história, com tantos títulos e tantos feitos históricos, é fantástico. Poder contactar, aprender, crescer, trocar algumas palavras, observar mais de perto a sua forma de estar e poder aprender com isso é algo extraordinário. É uma referência e continuará a ser uma referência. E isso demonstra também a grandeza do Benfica e a grandeza de José Mourinho. Juntando as duas coisas, torna-se algo realmente especial.

Vítor Vinha deixa elogios a José Mourinho
Vítor Vinha deixa elogios a José MourinhoOpta by Stats Perform, SL Benfica

- Ter alguém como José Mourinho tão atento ao trabalho da formação acrescenta responsabilidade?

Sim, obviamente que sim. O mister José Mourinho tem uma presença muito assídua e acompanha muito os escalões de formação. Conhece muito bem os cantos à casa e, em tão pouco tempo, ficou a conhecer muito bem a estrutura. Fala muito dos nossos jovens jogadores e já estreou vários atletas da formação. Para nós, isso é fantástico. Para mim, em particular, como disse, é extraordinário poder ter um dos melhores da história tão próximo. Ter uma palavra da parte dele, uma avaliação da parte dele, é algo muito valioso. Caminhamos juntos, vamos fazendo o nosso caminho em conjunto, e isso é tremendo. Temos de continuar.

- Para fechar, que mensagem gostaria de deixar aos adeptos do Benfica?

O que posso dizer é, antes de mais, agradecer todo o apoio que têm dado à nossa equipa e às nossas equipas ao longo deste percurso. Falo em meu nome e em nome do Sport Lisboa e Benfica para agradecer aos adeptos. É por eles que também estamos aqui. O futebol é um jogo de emoções e eles fazem parte dessa emoção. Fazem parte também da exigência que temos no dia a dia. Os adeptos do Benfica são muito exigentes. Para mim, particularmente, isso é um estímulo, um alimento, uma peça fundamental naquilo que é a nossa evolução e o nosso crescimento. São muito exigentes e muito fervorosos. Espero que, em Lausana, possam marcar presença. Creio que já se mobilizaram e que muita gente já disse que vai estar presente, mas deixo aqui um apelo para que todos possam ir, para que consigamos pintar o estádio de vermelho, para que possam apoiar-nos e ver de perto o crescimento desta equipa e destes jovens valores. Que nos empurrem para a vitória, porque com a presença deles tudo ficará mais fácil. E aos que não puderem estar presentes, que nos acompanhem pela televisão e pelas várias plataformas. Que estejam connosco, que nos apoiem e que continuem com esta exigência, porque isso faz-nos crescer e querer ainda mais. Fica aqui o agradecimento e esse apelo.

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