Rory McIlroy foi o mais recente a receber o icónico casaco, no ano passado, ao pôr fim a uma seca de dez anos em torneios major, com uma vitória marcante no Augusta National, decidida num play-off de morte súbita.
A menos que consiga defender o seu título, McIlroy regressa no próximo domingo para participar num dos rituais mais observados do golfe: ajudar a vestir o casaco nos ombros do novo campeão.
Para McIlroy, o último ano veio reforçar tanto a raridade da peça como a responsabilidade que ela acarreta.
"O sentimento avassalador de ter este casaco durante um ano é perceber o quanto me sinto honrado e grato por ter conseguido, e o quanto agradeço todo o apoio fantástico que tive ao longo do caminho", afirmou McIlroy.
"Com o passar do tempo, torna-se normal e, para mim, já é habitual ir ao meu roupeiro e ver o casaco verde lá pendurado. Espero que não seja a última vez que o levo para fora do clube", acrescentou.
McIlroy já exibiu o casaco verde na Índia, na Austrália e também na sua terra natal, a Irlanda do Norte, entre outros destinos pelo mundo.
Apenas o campeão em título pode levar o seu casaco verde para fora das instalações do clube, e só até regressar para o defender no ano seguinte.
Uma exceção à regra foi Gary Player, que levou o seu primeiro casaco para a África do Sul e não o devolveu.
Player recordou-se de ter dito ao então presidente do Masters, Clifford Roberts: "Porque é que não vem buscá-lo? Ele achou graça à situação. Disse-me: 'Nunca o vistas em público'."
Tom Watson venceu em 1977 e recebeu um casaco tamanho 44 longo, demasiado grande para si.
"Ficava-me abaixo das pontas dos dedos", contou Watson.
"Importava-me? Nem por isso. Vestia uma tenda, desde que fosse o casaco verde", acrescentou.
Atualmente, os jogadores são questionados sobre o tamanho do casaco quando se inscrevem no Augusta National.
Jack Nicklaus usou um casaco emprestado, tamanho 46 longo, após a primeira das suas seis vitórias recorde no Masters, e depois um emprestado do tamanho certo nas restantes conquistas.
Em 1998, disse ao então presidente Jack Stevens que não tinha um casaco próprio e, pouco depois, recebeu uma nota a dizer: "Vai à loja do clube e vais ser ajustado para o teu casaco verde."
Billy Casper, vencedor do Masters em 1970, e Gay Brewer, campeão em 1967, foram ambos sepultados com os seus casacos verdes vestidos.
Sam Snead, vencedor em 1949, foi o primeiro campeão a receber um casaco verde, tendo depois sido entregue retroativamente a todos os vencedores anteriores.
Quando Nicklaus venceu o Masters pelo segundo ano consecutivo, foi ele próprio que vestiu o casaco verde.
Quando Nick Faldo e Tiger Woods conquistaram títulos consecutivos no Masters, foi o presidente em funções do Masters que ajudou o vencedor a vestir o casaco.
Em 1937, os sócios do Augusta National começaram a usar o casaco verde para que os visitantes soubessem a quem podiam pedir ajuda.
Segundo o site do Masters, o casaco é um modelo clássico de três botões, lapela em bico e uma racha, na cor verde Masters. O tecido é lã tropical e é fabricado nos Estados Unidos.
Cada casaco tem botões dourados com o logótipo do Augusta National gravado e um emblema bordado com o símbolo do clube no bolso esquerdo do peito.
O norte-americano Zach Johnson, vencedor em 2007, descreveu o momento de vestir o casaco verde como "o maior privilégio no golfe" e chegou a usá-lo no Empire State Building, protegido por um saco do lixo.
"Não tínhamos um saco próprio para roupa," disse a esposa Kim Johnson.
"Não planeámos ganhar o Masters", assumiu.
Apertar o casaco
O canadiano Mike Weir, campeão em 2003, e o vencedor de 2022, Scottie Scheffler, usaram o casaco verde para lançar a bola inicial em jogos da Major League Baseball dos Toronto Blue Jays e dos Texas Rangers, respetivamente.
Tiger Woods agarrou-se ao seu casaco verde depois de conquistar o primeiro dos seus cinco títulos do Masters em 1997, com apenas 21 anos.
"Adormeci completamente vestido, a apertar o casaco verde como se fosse um cobertor", contou Tiger Woods.
O japonês Hideki Matsuyama levou o seu casaco pelo aeroporto de Atlanta e afirmou nunca o ter mandado limpar a seco depois do seu triunfo em 2021.
"Estava apenas tão preocupado que pudesse acontecer-lhe alguma coisa", disse Matsuyama.
"Não queria tirá-lo da minha vista", acrescentou.
