Quase três meses depois do fim do leilão dos dois ativos imobiliários, que estiveram eletronicamente à venda no sítio oficial da Leilosoc na Internet, o grupo lisboeta submeteu uma oferta superior à verba mínima de licitação.
Em junho, o complexo desportivo adjacente ao Bessa teve uma proposta de 6,5 ME, acima dos 5,9 ME tabelados em hasta pública, e poderia ser vendido individualmente ou em conjunto com o Estádio do Bessa, cujo montante mínimo ascendia a 27 ME, mas não mereceu qualquer licitação.
O conjunto completo de imóveis custava, pelo menos, 32,9 ME, quantia inferior aos 25,7 ME da melhor oferta registada no processo mediado pela Leilosoc, mas que agora foi suplantada pela proposta do grupo lisboeta.
O negócio vai ser avaliado pela administradora judicial do Boavista, Maria Clarisse Barros, e só avançará com a aprovação dos credores do clube, tendo em vista a recuperação axadrezada, que será discutida em tribunal.
Reinaugurado em 2003 e inutilizado há mais de um ano por impedimento das autoridades, o Estádio do Bessa foi um dos 10 recintos envolvidos na organização do Euro-2004 em Portugal e tem quase 78 mil metros quadrados de área, constituindo o principal ativo imobiliário das panteras.
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O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade e comprometeu-se a cobrir o défice corrente da sua exploração, cenário quebrado em junho e que levou a administradora de insolvência a decretar o enceramento do clube, afetando quase 1.500 atletas, de 31 modalidades.
Os axadrezados submeteram um plano de recuperação no tribunal, um dia antes do anúncio do fecho da atividade, e filiaram-se na Associação de Futebol (AF) do Porto para a nova época, sem saberem em que escalões podem competir, enquanto receberam ajuda do movimento "Salvar o Boavista" na angariação da verba necessária para inverter a decisão judicial.
Fundado em 1903 e detentor de nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting, o Boavista foi autorizado a recomeçar a atividade há quase um mês, desde que as suas despesas mensais correntes sejam asseguradas com regularidade até ao fim de 2026/27.
O clube detém 10% do capital social da Boavista SAD, cuja liquidação foi aprovada na quinta-feira pela maioria dos credores, ao rejeitarem o plano de recuperação apresentado pela sociedade, que previa apenas competir esta temporada com a equipa de sub-19 na respetiva II Divisão nacional, reduzindo a sua atividade desportiva ao mínimo indispensável.
Em 2025/26, uma temporada depois da despromoção da Liga, a Boavista SAD desceu ao segundo escalão da AF Porto, ao fechar a principal divisão na 17.ª e penúltima posição, com 14 pontos, a 28 da zona de manutenção.
O tribunal já tinha decretado a liquidação da sociedade em maio, após o administrador de insolvência, Reinaldo Mâncio da Costa, decidir não levar o plano de recuperação a votação, devido à provável rejeição dos credores.
Sem equipa profissional e relegada administrativamente para os escalões distritais em 2025, devido a problemas financeiros, a Boavista SAD entregou um novo plano para travar a liquidação, mas não teve sucesso.
Os portuenses tornaram-se um dos cinco campeões da história do futebol português em 2000/01 e fecharam uma passagem de 11 épocas seguidas pelo escalão principal em maio do ano passado, ao descerem pela via desportiva à Liga 2, falhando, depois, o licenciamento nas competições nacionais.
