O jornalista do Sydney Morning Herald, Vince Rugari, revelou esta sexta-feira que a Associação de Árbitros Profissionais de Futebol (PFRA) e os seus membros decidiram recusar todas as próximas nomeações para as épocas masculinas e femininas do futebol australiano até que a disputa sobre a estrutura do vínculo laboral seja resolvida.
Segundo Rugari, a questão não é salarial, mas sim de quem emprega os árbitros do principal escalão australiano e dos potenciais conflitos de interesses que daí possam resultar.
A Football Australia (FA) propôs um modelo em que os árbitros assinariam contratos distintos consoante a competição em que estivessem a arbitrar. Os árbitros estariam contratados pela FA para competições nacionais como o Australian Championship, da segunda divisão, e a Taça da Austrália, mas teriam contratos separados sob a alçada da APL para as competições da A-League (Liga australiana).
A APL gere a Liga masculina e feminina de forma independente da FA e pertence aos clubes membros, com representantes dos clubes no seu órgão executivo.
A PFRA afirma que ter os árbitros contratados por uma entidade detida pelos clubes da A-League criaria um conflito de interesses inaceitável e colocaria em risco a integridade e imparcialidade dos árbitros.
As negociações em curso colapsaram na tarde de sexta-feira, levando à decisão de avançar para a greve.
“Não tomamos de ânimo leve a decisão de deixar de arbitrar jogos. Os nossos membros querem arbitrar futebol, preparar-se para a próxima época e contribuir positivamente para o sucesso do futebol na Austrália. Ninguém se torna árbitro porque quer retirar os seus serviços. São pessoas que amam o futebol e dedicaram uma enorme parte das suas vidas ao desporto. Afastarmo-nos do relvado dói-nos”, afirmou o presidente da PFRA, Evgeny Vizelman, em comunicado.
“Chega um momento em que as pessoas têm de se unir e dizer que a forma como estão a ser tratadas não é suficiente. A nossa preferência sempre foi resolver estas questões de forma construtiva. Os nossos árbitros estão a ser chamados a desempenhar uma das funções mais escrutinadas do desporto australiano sem garantias mínimas quanto ao seu vínculo laboral e, em alguns casos, sem sequer serem pagos pelo trabalho já realizado. Isso não é aceitável", acrescentou.
A Football Australia afirmou que as duas meias-finais da Taça da Austrália, marcadas para 9 e 15 de setembro, vão realizar-se apesar da greve, assim como o Australian Championship, que começa a 16 de outubro — o mesmo dia do arranque da próxima época do campeonato masculino.
Poderá ser necessário recorrer a árbitros estrangeiros, pagos jogo a jogo, caso o conflito não seja resolvido atempadamente.
Segundo os modelos atuais, os árbitros da A-League têm sido contratados e pagos pela FA, que tentou transferir a responsabilidade financeira para a APL nas suas próprias competições.
A PFRA exigiu que o acordo existente, que terminou recentemente, seja prolongado até 30 de junho do próximo ano ou até ser alcançado um novo acordo.
A APL está também envolvida numa disputa salarial com os seus jogadores, depois de um acordo coletivo de trabalho, que expirou a 30 de junho de 2026, não ter sido renovado ou renegociado com sucesso, tendo igualmente falhado as negociações entre a APL e a associação Professional Footballers Australia.
