A posição foi tomada após uma reunião do Conselho da FAI, tendo o organismo revogado a carta de apoio concedida no início do ano e explicado a fundamentação à FIFA em missiva dirigida ao organismo regulador do futebol mundial.
A federação irlandesa justificou a decisão com a necessidade de defender as melhores práticas, manifestando “preocupações significativas sobre governança, transparência e falta de consultas significativas”.
Com esta tomada de posição, a Irlanda passa a integrar o lote de federações europeias que revogaram formalmente o apoio ao dirigente ítalo-suíço, entre elas a Finlândia, Inglaterra, Países Baixos, País de Gales, Sérvia e Suécia.
No centro da rutura no futebol internacional esteve o plano de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária concebida para gerir os direitos comerciais de competições como o Campeonato do Mundo com o recurso a capital privado.
O projeto previa a angariação de até 4,2 mil milhões de dólares (3,64 mil milhões de euros) através da alienação de uma quota minoritária de até 20% a investidores privados.
Entre os potenciais interessados figurava o fundo Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, Jared Kushner.
A iniciativa gerou forte contestação institucional e culminou numa carta aberta subscrita pelas confederações da Europa (UEFA), Ásia (AFC) e América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF).
As três entidades denunciaram uma “importante quebra de confiança” e acusaram o presidente da FIFA de ter abandonado o seu dever ao atuar com “engano” e colocar-se “acima do coletivo que lhe confiou autoridade”.
Em contraste com a contestação das três confederações continentais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa pública do líder do organismo, considerando na rede Truth Social que a FIFA cometeria “um erro terrível” se substituísse Infantino, enaltecendo a rentabilidade do Mundial2026, que gerou receitas de quase 15 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros).
Apesar de manter o apoio declarado de confederações como a CONMEBOL e a CAF, e de países como a Bolívia, Equador, Venezuela, Argentina e Marrocos, Gianni Infantino vê a sua posição fragilizada no caminho para as eleições agendadas para 18 de março de 2027.
O sufrágio será decidido por maioria simples entre as 210 federações-membro com direito a voto, terminando a 18 de novembro o prazo para a apresentação de candidaturas ao cargo.
