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Irlanda junta-se à oposição europeia contra reeleição de Infantino na FIFA

Infantino
InfantinoREUTERS/Luisa Gonzalez

A Associação de Futebol da Irlanda (FAI) retirou o apoio à reeleição de Gianni Infantino para presidência da FIFA, juntando-se à contestação europeia ao plano, entretanto abandonado, de criar uma empresa e vender participações do Mundial a privados.

A posição foi tomada após uma reunião do Conselho da FAI, tendo o organismo revogado a carta de apoio concedida no início do ano e explicado a fundamentação à FIFA em missiva dirigida ao organismo regulador do futebol mundial.

A federação irlandesa justificou a decisão com a necessidade de defender as melhores práticas, manifestando “preocupações significativas sobre governança, transparência e falta de consultas significativas”.

Com esta tomada de posição, a Irlanda passa a integrar o lote de federações europeias que revogaram formalmente o apoio ao dirigente ítalo-suíço, entre elas a Finlândia, Inglaterra, Países Baixos, País de Gales, Sérvia e Suécia.

No centro da rutura no futebol internacional esteve o plano de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária concebida para gerir os direitos comerciais de competições como o Campeonato do Mundo com o recurso a capital privado.

O projeto previa a angariação de até 4,2 mil milhões de dólares (3,64 mil milhões de euros) através da alienação de uma quota minoritária de até 20% a investidores privados.

Entre os potenciais interessados figurava o fundo Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, Jared Kushner.

A iniciativa gerou forte contestação institucional e culminou numa carta aberta subscrita pelas confederações da Europa (UEFA), Ásia (AFC) e América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF).

As três entidades denunciaram uma “importante quebra de confiança” e acusaram o presidente da FIFA de ter abandonado o seu dever ao atuar com “engano” e colocar-se “acima do coletivo que lhe confiou autoridade”.

Em contraste com a contestação das três confederações continentais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa pública do líder do organismo, considerando na rede Truth Social que a FIFA cometeria “um erro terrível” se substituísse Infantino, enaltecendo a rentabilidade do Mundial2026, que gerou receitas de quase 15 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros).

Apesar de manter o apoio declarado de confederações como a CONMEBOL e a CAF, e de países como a Bolívia, Equador, Venezuela, Argentina e Marrocos, Gianni Infantino vê a sua posição fragilizada no caminho para as eleições agendadas para 18 de março de 2027.

O sufrágio será decidido por maioria simples entre as 210 federações-membro com direito a voto, terminando a 18 de novembro o prazo para a apresentação de candidaturas ao cargo.