Cerca de 14 mil pessoas encheram a Venetian Arena, em Macau, para ver o primeiro de dois jogos da pré-época da NBA entre os Dallas Mavericks e os Houston Rockets.
Muitos terão ficado desiludidos quando os Dallas decidiram não utilizar Kyrie Irving, recuperado após uma ausência de um ano e meio devido a lesão, que assim falhou o tão esperado duelo contra Kevin Durant, num jogo que os Houston Rockets venceram por 135-117.
Mas se as estrelas são norte-americanas, as duas equipas chegaram a ter em campo, ao mesmo tempo, seis jogadores estrangeiros, vindos de países como Turquia, Nova Zelândia, Sérvia, França e Espanha.
“Tenho tido muito sucesso com jogadores internacionais”, disse o treinador dos Mavericks, Dusty May, que até junho liderava a equipa da Universidade de Michigan, cujo plantel tinha três estrangeiros.
May admitiu ser “um grande defensor do recrutamento e do desenvolvimento de jogadores internacionais”, e acrescentou: “Antes de mais, pela cultura desportiva de muitos países, onde os jogadores são extremamente altruístas”.
Desde a época de 2018/19 que o troféu de Jogador Mais Valioso (MVP) da NBA tem ido para basquetebolistas estrangeiros. Nas duas últimas temporadas o vencedor foi o canadiano Shai Gilgeous-Alexander, que destronou o sérvio Nikola Jokic.
O treinador dos Rockets, Ime Udoka, recordou que “desde miúdo” que via estrangeiros a brilhar na NBA, dando como exemplo o jugoslavo Drazen Petrovic e os lituanos Arvydas Sabonis e Sarunas Marciulionis.
“Obviamente, agora tem havido um maior fluxo de jogadores e treinadores também. O lado técnico tem estado a recuperar terreno”, sublinhou Udoka, que chegou a treinar os Boston Celtics, onde atua o português Neemias Queta.
Udoka deu como exemplo o sérvio Darko Rajakovic, treinador dos Toronto Raptors – que tem entre os adjuntos a portuguesa Mery Andrade – e o italiano Ettore Messina, que foi adjunto dos San Antonio Spurs.
Em junho, foi a vez do brasileiro Tiago Splitter, que foi adjunto de Ime Udoka em Houston, ser nomeado treinador principal dos Chicago Bulls.
“É ótimo ter perspetivas diferentes, de grandes treinadores que treinaram e jogaram em diferentes partes do mundo”, disse Udoka, que chegou a jogar em Espanha e representou a seleção da Nigéria.
“O basquetebol é um desporto mundial e as pessoas trazem as suas experiências de onde quer que venham”, sublinhou o treinador dos Rockets, nascido nos Estados Unidos.
Uma opinião partilhada por Dusty May: "Quando se vem a um sítio como Macau e se vê todo o interesse dos adeptos. Sabemos bem o quão popular é o basquetebol na China e na Ásia como um todo”.
“Todos temos a responsabilidade de promover o crescimento do nosso desporto e, para isso, precisamos de garantir oportunidades acessíveis a pessoas de todo o mundo”, disse o treinador dos Mavericks.
