“É um momento histórico. Este é um passo que muitos tiveram dificuldade ou algum receio de assumir, mas é um caminho feito desde que chegámos, também com o trabalho vindo de trás. Foi uma assembleia em que as sociedades desportivas demonstraram grande sentido de responsabilidade, dando os seus contributos”, disse Reinaldo Teixeira.
O líder da LPFP explicou que a proposta apresentada pela Liga Centralização, entidade criada pelo organismo para liderar o processo, foi sufragada por votação secreta, merecendo a oposição de três clubes da Liga Portugal e quatro da Liga 2.
Sem possibilidade de esclarecer quais os clubes que rejeitaram esta proposta, Reinaldo Teixeira elogiou, no entanto, a iniciativa do Nacional, que defendia um modelo diferente no que toca à distribuição dos valores.
“O Nacional propôs uma solução com total correção, transparência e sinceridade. O seu presidente falou comigo, há quatro meses, sobre a sua intenção de dar este passo, que valorizou o debate”, disse Reinaldo Teixeira.
Sobre os pressupostos da chave de distribuição hoje aprovada, e que será implementada num ciclo inicial de cinco anos, a partir da época 2028/29, o presidente da LPFP acredita que vai dar mais “consistência e sustentabilidade”.
“Atualmente, a diferença de quem menos recebe para os que mais recebem é de 14,4 vezes. Com esta chave aprovada hoje (segunda-feira) reduzimos essa diferença para 7,3, que é metade, e há indicação de que na próxima revisão esse diferencial não seja superior a 4,5”, explicou.
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Quanto aos valores globais a distribuir, que têm sido apontados para 250 milhões de euros, Reinaldo Teixeira explicou que ainda não é possível determinar uma cifra, porque as negociações com os operadores nacionais e internacionais ainda decorrem.
“O espírito é crescer o máximo possível. Dizer 500 milhões pode ser irracional, como também será irracional falar em 100 milhões. Vamos trabalhar para que os clubes possam retirar o máximo proveito deste processo”, apontou.

O dirigente lembrou, ainda assim, que a chave de distribuição é dinâmica, abrangendo vários critérios como desempenho desportivo, dimensão social, produto audiovisual e infraestruturas.
“O próximo passo é continuar a trabalhar para conseguirmos interessar o mundo todo pelo nosso futebol. Há ainda mercados que não conhecem ou não têm acesso ao nosso produto audiovisual e esse é o grande desafio”, acrescentou.
Reiterando contactos com operadores nacionais e estrangeiros, o líder da LPFP considerou que a aprovação de uma chave de distribuição mesmo antes de se apurar o valor global “transmite tranquilidade e conforto para o comprador (dos direitos)".
A Assembleia Geral para aprovação da chave de repartição das receitas da comercialização centralizada dos direitos audiovisuais, que hoje decorreu na sede da Liga, no Porto, teve a presença das 33 sociedades desportivas.
Os presidentes de Benfica, FC Porto e Sporting não marcaram presença na reunião e, entre os dirigentes presentes, estiveram António Salvador, presidente do SC Braga, Rui Alves, presidente do Nacional, Carlos André Gomes, do Marítimo, Paulo Lopo, do Estrela da Amadora, ou Miguel Ribeiro, do Famalicão.
Antes da votação principal, o Nacional viu rejeitado um recurso que pretendia a votação simultânea da proposta da Liga Centralização e da proposta alternativa do clube madeirense, mas nenhuma das sociedades desportivas presentes apoiou formalmente esse pedido.
Pela chave de repartição proposta pela LPFP, a centralização vai render um montante igual a todos os clubes da Liga Portugal, que lucram mais com os resultados e recebem 90% dos valores totais, contra 10% da Liga 2.
No escalão principal, a distribuição das verbas vai ser definida por cinco critérios e a maior fatia está ligada ao sucesso desportivo, uma vez que 57,5% do valor será alocado em função da posição final no campeonato, do histórico de classificações e da contribuição para o ranking da UEFA.
Haverá ainda 20% repartidos pelos clubes em partes iguais, enquanto os restantes critérios incluem, em parcelas mais pequenas, as assistências médias nos estádios e as audiências televisivas (17,5%), as condições proporcionadas para as transmissões (cerca de 3%) e a qualidade dos relvados, da iluminação e das condições para o trabalho da comunicação social (2%).
