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Maradona nos últimos dias: prostrado, inchado e resignado

Diego Armando Maradona faleceu em 2020
Diego Armando Maradona faleceu em 2020NIKOLAY DOYCHINOV / AFP

Diego Maradona, nos seus últimos dias, estava prostrado na cama, com edemas, e parecia resignado, contou um massagista da estrela do futebol argentino, esta quinta-feira, no julgamento sobre as circunstâncias da sua morte em 2020.

Maradona "não se levantava da cama, não queria comer, não queria lavar-se, não queria cuidar da sua higiene", relatou Nicolas Taffarel. Garantiu ter alertado, na altura, o círculo médico da estrela de que deveria estar mais presente, passar "todos os dias", tal como numa mensagem áudio reproduzida em tribunal.

Sete profissionais de saúde (médico, psiquiatra, psicólogo, enfermeiros) desta equipa médica estão a ser julgados desde meados de abril em San Isidro (norte de Buenos Aires) por potenciais negligências que poderão ter contribuído para a morte de Maradona.

"Assinalava as situações que via nele, e não via nenhuma ação concreta nem resolução rápida", continuou o massagista, quase a chorar ao recordar Maradona, com quem tinha criado uma relação próxima.

"Estava inchado, as pernas inchadas...", recordou Nicolas Taffarel.

"Os médicos diziam-me para me acalmar, que estas situações iam passar. Com a ansiedade, confiamos, dizemo-nos que vai passar, que tudo se vai resolver. Mas não passou", acrescentou.

No dia 24 de novembro, um dia antes da morte de Maradona, Nicolas Taffarel conta que tentou, em vão, convencê-lo a levantar-se e a tomar alguns mates (infusões).

"Disse-me: 'Não quero nada, Taffita, já está.' Perguntei-lhe: 'Como assim, já está?' e respondeu-me: 'Nada, já está+', citando as palavras ambíguas de Maradona – 'ya está' pode ser entendido como 'está bem' ou 'acabou', recordou.

Maradona morreu no dia seguinte, aos 60 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória associada a um edema pulmonar, sozinho na sua cama numa casa em Tigre (norte de Buenos Aires) alugada para a convalescença pós-operatória. Segundo testemunhos de médicos-legistas no julgamento, a morte ocorreu após várias horas de agonia.

Na terça-feira, outra testemunha, um agente de segurança de serviço na casa de Tigre, também sugeriu uma atenção negligente em torno de Maradona. O médico "devia vir, e não vinha", declarou Anibal Dominguez, referindo-se nomeadamente a Leopoldo Luque, um dos principais arguidos, então considerado médico de confiança da estrela.

Os arguidos, que arriscam até 25 anos de prisão, negam qualquer responsabilidade. A maioria escuda-se na sua especialidade, no seu papel segmentado, sem ligação direta às causas clínicas da morte. O julgamento poderá prolongar-se para além de agosto.

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