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Segurança de Maradona diz que argentino comia pouco e ficava deitado na cama

Maradona era um ídolo mundial, como se vê neste mural na Bulgária
Maradona era um ídolo mundial, como se vê neste mural na BulgáriaNIKOLAY DOYCHINOV / AFP

Diego Maradona comia pouco, sofria de incontinência urinária e passava o tempo deitado na cama: foi assim que um segurança do ídolo descreveu os dias que antecederam o seu falecimento, no julgamento que decorre contra a equipa médica do ex-futebolista argentino.

Maradona morreu aos 60 anos a 25 de novembro de 2020 sob internamento domiciliário, após uma neurocirurgia.

Aníbal Domínguez, segurança que conviveu com ele nas semanas anteriores ao seu falecimento, contou que o "Dez" comia pouco, sofria de incontinência urinária e passava dias inteiros sem se levantar da cama, com sintomas de abstinência alcoólica.

O testemunho foi ouvido numa nova audiência do processo que decorre em San Isidro, a 26 quilómetros a norte de Buenos Aires, e que procura apurar responsabilidades entre a equipa médica que acompanhou Maradona durante a sua convalescença após a operação.

O astro morreu devido a uma paragem cardiorrespiratória e a um edema pulmonar numa casa em Tigre, a norte de Buenos Aires.

Domínguez, que trabalhava com Maradona desde 2015, viveu nessa casa cerca de uma semana até 22 de novembro, e contou que nessa altura o astro "tinha retenção de líquidos, estava inchado. Diego estava maldisposto, tratava mal toda a gente", disse ainda a testemunha, acrescentando que era difícil acordá-lo e convencê-lo a tomar banho ou a comer. "Urinava-se, não chegava à casa de banho", recordou.

O segurança mantinha um diálogo frequente com o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, principal arguido no processo, e contou que nesses dias lhe pediu para ir ver o paciente. "Tinha de vir e não estava a vir".

Além de Luque, outros seis profissionais de saúde estão a ser julgados por homicídio com dolo eventual, uma figura que implica que tinham consciência de que as suas ações ou omissões podiam provocar a morte de Maradona. Todos proclamam inocência.

"Diego tinha acabado de ser operado, tinha de haver alguém ali responsável. Luque era médico e amigo dele; ele expulsava o Luque, chegou a cuspir-lhe e ele esperava um pouco, voltava e conversavam", disse Domínguez.

Durante a audiência foram reproduzidos áudios em que o segurança contava a Luque que Maradona estava "perdido e com tremores" a 20 de novembro, o que ambos atribuíam à abstinência alcoólica.

No entanto, recordou que nessa mesma noite Maradona pediu para o levarem a passear de carrinha, e assim foi feito.

"Ninguém podia confrontar o Diego e dizer-lhe que não porque era pior, ele explodia (...) O chefe era o Diego", disse perante um público onde estavam duas das filhas de Maradona, Dalma e Gianinna.