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Marco Silva após o 4-1 ao Celtic: "Pareceu fácil, mas de fácil não tem nada"

Atualizado
Marco Silva, treinador do Benfica
Marco Silva, treinador do BenficaREUTERS/Pedro Nunes

Leia abaixo as declarações de Marco Silva, treinador do Benfica, depois da vitória por 4-1 diante do Celtic, em jogo da 2.ª jornada da Liga Europa.

Recorde as incidências da partida

Na flash interview

Explicação para vitória confortável: "Foi a nossa qualidade, acho que a nossa entrada outra vez no jogo e tem sido uma constante praticamente em todos os jogos que temos jogado aqui, alguns deles também fora de casa, para não dizer a grande maioria. A nossa entrada é uma entrada muito positiva, a comandar o jogo, a levar o jogo para caminhos que nós queríamos levar, a conseguirmos posicionar-nos no nosso meio-campo ofensivo e depois com a qualidade de podermos criar por fora, por dentro. Sabíamos que em alguns momentos ia ser mais difícil no 4-4-2, que eles se posicionavam e acabavam por rodar bem sempre a linha média. Mas nós sabíamos principalmente pelo posicionamento do Sudakov que não cobrindo aquela zona a bola entrava muitas vezes naquele espaço para nós. E foi isso que nós fomos conseguindo fazer de variadíssimas formas, com os nossos centrais com a qualidade que têm também com bola conseguimos sempre encontrar e bem os jogadores posicionados, ora entrelinhas ora mais sobre os corredores e fomos criando. Fomos criando sempre com grande qualidade e como disse, pareceu fácil, mas de fácil não tem nada."

Segunda parte do Celtic: "É óbvio que a nossa superioridade na primeira parte foi muito boa e foi uma primeira parte de grande qualidade. Faltou-nos em alguns momentos, pelo golo cedo também, e eu disse aos jogadores ao intervalo: estava-nos a faltar um pouco definir os momentos de pressão muito melhores. Acabámos por recuar, estando a ganhar o jogo 2-0 e depois 3-0, recuar para a nossa linha média mais do que aquilo que eu gostava em alguns momentos, mas faz parte. Também os jogadores pensavam no resultado naquele momento. Deixámos muitas vezes o Celtic montar a três com o McGregor a chegar no meio dos centrais e tornou-se mais difícil arranjar os momentos de pressão."

Jogo podia ter ficado decidido ainda mais cedo? "Nós melhorámos na segunda parte, no princípio. Nesses momentos melhorámos claramente e depois podíamos ter feito o quarto e o quinto golo muito cedo. Tivemos oportunidades para matar, praticamente fazer o quarto e o quinto golo muito cedo. O jogo começou a parecer outra vez fácil e quando nós pensamos que é fácil pode-se complicar. E a reação do Celtic complicou porque fizeram um golo que nós devíamos ter evitado. Cruzamento por fora, um jogador que entrou fresco pelo lado esquerdo e depois o Dahl já com amarelo teve algumas dificuldades. A ajuda também não foi a melhor para fazermos dois contra um defensivo, mas depois a equipa reagiu. Demorou um pouco a reagir após o golo, mas depois reagiu outra vez e acabou por comandar, acabou por fazer mais um golo e tivemos variadíssimas oportunidades. Há a realçar também que o Celtic também teve algumas, até mais do que o que eu gostaria de ver, mas mais uma grande exibição da nossa equipa."

O que estava a faltar depois do golo do Celtic? "São detalhes, detalhes que nós temos que melhorar e temos que trabalhar com os jogadores, continuar a trabalhar. Mesmo na primeira parte, uma dupla oportunidade que têm num cruzamento na direita, nós estamos a fazer dois contra um defensivo e temos que ser muito mais fortes naquele dois contra um. Estamos dois contra um contra um jogador, temos que evitar o cruzamento, temos que ser mais fortes a bloquear o cruzamento. Alterámos ao intervalo ou tentámos fazer perceber aos jogadores que estávamos a perseguir muito jogadores, principalmente o Fredrik (Aursnes) que abria muito espaço com o João (Palhinha). A bola estava a entrar muitas vezes por dentro e não tem que entrar na nossa equipa. Melhorámos no princípio da segunda parte. Voltámos depois a ter alguns problemas no intermédio da segunda parte naquele momento, mas depois fomos melhorando. Sim, quisemos melhorar. Mesmo no corredor esquerdo nós demorámos muito a fazer dois contra um com o Dahl e o jogador que entrou é um jogador agressivo. Os dois jogadores que entraram para os corredores lá atrás são jogadores agressivos e este tipo de coisas temos que melhorar: muito mais capazes de fazer dois contra um defensivo nos corredores quando são jogadores muito fortes e capazes de ganhar duelos individuais, que é muito importante para nós."

Na sala de imprensa

Análise ao jogo: "Temos demonstrado, na forma como entramos em campo, uma atitude positiva e a vontade de dominar desde o primeiro minuto. Se pudermos marcar cedo, ainda melhor. Foi um pouco o espelho da nossa entrada no jogo, com uma primeira parte a um nível muito bom. A capacidade que tivemos para criar oportunidades, fazer os golos e dominar totalmente a primeira parte fez parecer que o jogo era mais fácil do que na realidade era, na minha opinião. Fez parecer que o Celtic não era uma equipa capaz de nos criar problemas, mas, como se viu ao longo do encontro, acabaram por nos causar algumas dificuldades. Quando tens tanto domínio, consegues ter bola, não deixas o adversário pressionar e estás quase sempre instalado no meio-campo ofensivo, cria-se muitas vezes a sensação de que as coisas vão ser fáceis. Depois de marcarmos o segundo e o terceiro golo isso pareceu evidente, mas a qualquer momento equipas com qualidade complicam. O Celtic é uma equipa habituada a jogar para ganhar, com jogadores de qualidade e acostumados à pressão. Ao intervalo, a ganhar por 3-0, disse aos jogadores que tínhamos de esperar uma reação forte. A conversa no balneário deles não deve ter sido fácil e era natural que respondessem. Olhando para o início da segunda parte, tentámos retificar a nossa pressão e acredito que melhorámos. Nos primeiros 10 a 15 minutos da segunda parte estivemos muito melhor nesse capítulo, definindo momentos de pressão que não estávamos a conseguir acertar tão bem no primeiro tempo. Por isso mesmo criámos duas ou três oportunidades claras de golo para fazer o quarto e o quinto, o que praticamente fecharia o jogo. Uma delas nasceu de um pontapé de baliza em que pressionámos alto, ganhámos a bola e criámos a ocasião para o Lukebakio. Não concretizámos e o adversário, com as alterações que fez, colocou dois jogadores frescos nos corredores. O Dahl já tinha amarelo — na minha opinião, até foi um cartão injusto — e isso criou-nos alguns problemas. Entrou um jogador muito forte no um contra um para o nosso corredor esquerdo, e no corredor direito defensivo também entrou outro elemento fresco. Começaram a criar situações de um contra um, o Dahl estava condicionado e nós não fomos tão fortes a fazer o dois contra um defensivo nas alas. Foi por aí que começaram a criar perigo e é daí que nasce o golo deles. Esse golo deu-lhes algum alento e retirou-nos uma tranquilidade que não deveríamos ter perdido. O jogo partiu-se um pouco e começámos a perder bolas, à imagem do que aconteceu na segunda parte do jogo com o Vitória no último fim de semana. Tentámos reequilibrar; as substituições demoraram um pouco a surtir efeito, mas acabaram por ajudar a equipa. Fechámos o jogo por cima, mas houve ali um período a seguir ao 3-1 em que a equipa perdeu demasiado o controlo da partida, algo que a meu ver não devia ter acontecido. De forma geral foi uma excelente exibição, com momentos ofensivos de grande qualidade. Há aspetos claramente a melhorar e nos quais temos de continuar a trabalhar, como os duelos defensivos e a proteção da área, questões fundamentais para nós que temos vindo a trabalhar para continuar a evoluir."

Benfica aproxima-se daquilo que considera ser uma equipa preparada para competir a um nível europeu mais elevado? "O Benfica - e vocês sabem tão bem como eu - é um clube habituado a estar na Champions e não nesta competição. A realidade é esta e é nela que nos temos de concentrar, tentando ser cada vez mais fortes. Jogos de competições europeias, independentemente da prova em que jogas, são sempre desafios diferentes. Têm uma intensidade distinta, independentemente do nome ser mais sonante ou não. É óbvio que não escondo que a Champions League é um patamar diferente. É a realidade, e por isso mesmo o Benfica tem estado quase sempre lá. Este ano estamos numa competição diferente e temos de ser competitivos, fazer pela vida para ganhar jogos e ir melhorando. São adversários que a qualquer momento nos podem criar problemas, como o Celtic demonstrou com a reação na segunda parte. Temos de melhorar, sobretudo quando o jogo parece totalmente controlado e a qualquer instante pode acontecer algo. Para estarmos ao melhor nível - não sei se é ir para outro patamar ou não, mas estarmos ao melhor nível -, temos de analisar este jogo, fazer os jogadores perceberem primeiro o que temos de melhorar e depois, nos treinos e ao longo das semanas, fazê-los evoluir. Queremos aprimorar características individuais e posições que são fundamentais como equipa. Isso far-nos-á dar passos em frente no plano coletivo. Individualmente, acredito que os jogadores também podem crescer nos duelos, em sermos mais vivos, mais matreiros, e até em fazer faltas táticas quando o jogo o exige. Há momentos em que alguns dos nossos jogadores não o fazem, e temos de estar preparados para o que a partida pede."

Nível de Prestianni é apenas talento individual ou nota uma evolução na tomada de decisão do jogador? "É um pouco de tudo. É um jogador com um talento enorme, que tem vindo a crescer em todos os aspetos do jogo e tem sido fundamental para nós. Está num momento de forma muito bom. Pode parecer difícil, mas acredito sinceramente que ainda vai melhorar. Está a jogar com uma confiança tremenda - o que ajuda qualquer atleta -, mas, além disso, está a perceber muito bem os momentos do jogo. Quando começamos a entender melhor os momentos e o que a partida está a pedir, acabamos por tomar melhores decisões individuais. Essa tem sido a realidade do Prestianni. Está a atuar numa posição diferente da que ocupava. Teve cinco meses bons na época passada, mas praticamente a começar os jogos todos à direita. Este ano ainda não começou nenhum à direita. Pode vir a acontecer, mas tem jogado à esquerda ou mais por dentro, sendo titular em todos os encontros. Tem vindo a melhorar, a ser decisivo e a trabalhar muito bem com e sem bola. Com bola tem evoluído em aspetos importantes para nós. A raça e o querer já são naturais dele, mas há detalhes que temos vindo a trabalhar. Provou-o hoje mais uma vez, ao terminar o jogo à direita e a criar problemas ao adversário. Estamos muito satisfeitos. Sei que ele está satisfeito, tal como a equipa. Estamos a falar de um jovem de 20 anos, numa fase prematura da carreira, mas em franca evolução. Não interessa falar do passado - eu não estava cá -, mas o Prestianni começou a dar sinais muito importantes para mim enquanto treinador desde o início da pré-época. O jogo no Algarve foi um excelente exemplo e a melhor demonstração de maturidade. Essa maturidade não se vê apenas com bola no pé; reflete-se noutras coisas. Estou muito contente com ele. Não quero individualizar apenas no Prestianni, porque a equipa tem feito um trabalho muito bom de forma geral, mas, tendo perguntado por ele, há que realçar o nível das suas exibições."

"Prestianni é nosso jogador, tem um contrato longo connosco"

Vai pedir a Rui Costa para não deixar sair Prestianni no mercado de inverno? "O Prestianni é nosso jogador, tem um contrato longo connosco, está a fazer as coisas muito bem e não há nada a pensar. Os nossos adeptos estão a reconhecer-lhe isso, e muito bem, porque percebem não só a qualidade, mas reconhecem o trabalho, reconhecem quem trabalha de forma árdua em prol do clube e reconhecem o que ele tem feito. Tem sido um início em grande do Prestianni. Quanto à nossa tranquilidade de o termos connosco, temos de estar satisfeitos quando temos jogadores desta qualidade para trabalhar. Eu, como treinador, estou satisfeito. Sei que ele também está, muito concentrado no seu dia a dia e no trabalho, querendo muito ganhar com esta camisola. Portanto, não há aqui conversas nenhumas a ter com o presidente, porque não acho necessário neste momento. Se o presidente achar importante falarmos, falamos normalmente de tudo o que se passa à nossa volta, mas neste momento não há necessidade absolutamente nenhuma."

"Trubin é um jogador que está mais do que habituado a grandes palcos"

Trubin na Liga Europa e Samuel Soares na Liga: "É a confiança que tenho. Se não tivesse confiança nos dois, ou se tivesse confiança só num, o outro não iria jogar. É óbvio que o Trubin - e vocês sabem - teve três épocas a jogar constantemente. Começou a jogar esta temporada e foi uma decisão técnica mudarmos e começarmos a dar oportunidade ao Samu. Mas o Trubin é um jogador que está mais do que habituado a grandes palcos, tem experiência internacional e nós quisemos, e eu optei até hoje, desde que entrámos na fase de grupos da Liga Europa, dar-lhe os jogos da Liga Europa. Se vai continuar assim ou não, têm que esperar para ver, mas essa foi a decisão que tomei para os primeiros dois jogos. Vamos ver para a próxima semana se terá continuidade, mas o que está na minha cabeça é ele jogar o próximo jogo. Até lá poderei mudar, os treinos também podem ditar algo diferente, mas neste momento é o que está na minha cabeça e demonstra confiança nos dois. Não demonstra insegurança nem falta de confiança, demonstra o contrário. Percebo a questão; normalmente faz-se essa rotação em competições internas, nas taças, na Taça da Liga e na Taça de Portugal. Se calhar, se eu o fizesse aí, não haveria grandes questões, ou se calhar haveria, porque por vezes quando se fazem alterações e não correm tão bem, ou quando se altera o guarda-redes, pergunta-se logo porque é que não jogou o mais titular. Temos optado por este caminho, o que na minha opinião reflete confiança nos dois e não o contrário. É o que sinto no momento."

No momento defensivo o Benfica ainda está mais longe daquilo que pretende para a equipa? "Vai ser importante. Eu percebo a questão: acabámos por ganhar o jogo de uma forma folgada e estamos a dar muita ênfase a alguns problemas que existiram. Já tive oportunidade de ver grande parte das oportunidades que o adversário criou, até porque era claro que surgiriam algumas questões da vossa parte. Em muitas delas - tirando uma em que a bola entra nas costas do Fredrik (Aursnes) e o João (Palhinha) acaba por ser batido e vai dar à bola no poste após o 3-1 -, em quase todas as outras situações não estávamos desequilibrados, coisa nenhuma. Temos é de nos posicionar, em alguns momentos, de uma forma que nos permita defender a área como temos de defender. Como referi há pouco, se olharmos para a primeira oportunidade do adversário, temos dois contra um no corredor. Temos de evitar aquele cruzamento e depois defender melhor a bola na área. São aspetos em que temos vindo a trabalhar, que naturalmente queremos melhorar e fazer os jogadores perceber esses momentos para evoluirmos coletivamente. Acho que é uma situação normal: temos de melhorar. Seria muito pior se não estivéssemos a criar as oportunidades que criamos e a marcar os golos que marcamos para sermos uma equipa forte. Depois há outros aspetos que temos de afinar. Disse-o na semana passada, disse-o no jogo anterior e repito-o hoje: uma coisa é ganhar jogos, outra é pensarmos que está tudo bem. Está muito longe de estar bem. Se calhar daqui a seis meses vão ouvir-me dizer a mesma coisa, porque faz parte de uma época e temos de continuar sempre a evoluir."

Houve melhorias do Vitória SC para o Celtic ou ainda há aspetos a afinar? "Temos muitos aspetos a afinar, não só para afinar, mas aspetos para melhorar. O pior que pode acontecer a uma equipa - e aconteceu-nos algumas vezes - é perder a bola rapidamente após a ganhar. Nenhuma equipa gosta ou se sente confortável nessa situação. É o momento em que ganhas a posse, pensas que podes fazer algo no adversário ou mantê-la, e acabámos por perder a bola por querer atacar muito rápido ou chegar à frente com demasiada pressa. O jogo estava partido e não é fácil dizer aos jogadores, quando temos oportunidade para atacar rápido e criar perigo, que não o façam - até porque continuámos a criar oportunidades e havia espaço. Houve momentos em que estive a puxar pelo Sofyan (El Karouani), porque o extremo deles ficava constantemente na frente, não o acompanhava, e ele queria sair sempre quando estávamos em situações de ataque rápido ou contra-ataque. Temos de ter a capacidade de ir, mas manter a atenção para estarmos equilibrados como equipa. Com o resultado empatado não nos devemos desequilibrar, e muito menos a vencer de forma confortável por 3-1. Esta é a primeira questão. A outra é que, após recuperar a bola, não a podemos perder com tanta facilidade. Foi o que nos foi acontecendo em dois momentos. Falou-se dessa questão no jogo com o Vitória, mas aí praticamente não nos criaram oportunidades: tiveram um cabeceamento num canto e um cruzamento que foi ao poste. O Vitória não criou perigo e, mesmo assim, identificámos isso na equipa porque perdemos muitas bolas de forma rápida. Hoje foi diferente: defrontámos um adversário com uma capacidade distinta de nos criar problemas, com jogadores muito rápidos na frente e fortes no ataque ao espaço. Após o 3-1, que temos de fazer melhor como equipa, voltámos a conceder um ataque rápido ao espaço em que o avançado deles se movimentou entre os dois centrais. Não tivemos antes a capacidade de matar a jogada e temos claramente de melhorar nesse ponto. Está muito longe de estar tudo bem; esse é o meu trabalho e sou muito honesto nesse aspeto. Em termos de ataque posicional tivemos grandes momentos e fomos muito capazes na primeira parte. Na segunda parte, em alguns momentos, estivemos abaixo e temos de evoluir: melhorar a nível posicional e na tomada de decisão. Muitas vezes, para defender bem, também é preciso atacar bem e tomar boas decisões com bola para não a perder tão depressa."

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