Mundial-2026: Em Cabo Verde ninguém dorme para festejar apuramento para a próxima fase

Cabo Verde vai defrontar a Argentina na fase a eliminar
Cabo Verde vai defrontar a Argentina na fase a eliminarREUTERS/Sodiq Adelakun

Cabo Verde festeja nas ruas, como se fosse dia, o apuramento dos Tubarões Azuis para os 16 avos de final do Mundial-2026 com buzinas, muita música e dança, numa madrugada em que parece que poucos querem ir dormir.

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O futebol até substituiu as bandas no palco do Festival da Gamboa, o maior evento musical da capital, Praia, que na primeira noite de espetáculos ocupou o palco principal com o jogo entre Cabo Verde e Arábia Saudita (0-0).

“Se estou contente? É uma grande festa”, diz Nilza dos Santos, quase a perder a voz na primeira fila de uma plateia em euforia quando o jogo terminou, pela 01:00 (03:00 em Lisboa).

Ao lado, um adepto emociona-se, abraçado à bandeira nacional, após o terceiro empate em três jogos, todos com sabor a vitória para a seleção que se está a estria nestas lides.

“A única palavra que eu tenho: incrível. Cabo Verde vai longe, aliás, já estamos a ir muito longe”, diz Roni Amado.

Milhares de pessoas vibraram com cada jogada e desesperaram com as oportunidades de golo flagrante perdidas pelos Tubarões Azuis na segunda parte do jogo.

Vozinha também voltou a sobressair e Ana Mara saltava na plateia, agarrada a uma fotografia que tirou com o guarda-redes cabo-verdiano, há uns anos, num evento na capital.

“Sou fã e já não é de hoje, sabia que ele tinha tudo para dar à seleção”, referiu, sobre o guardião que o Mundial transformou numa caso sério de popularidade.

O orgulho na seleção mostra-se através de equipamentos, bandeiras ou panos: é difícil encontrar quem não esteja vestido ou coberto de alguma forma com as cores da seleção.

Até mesmo um grupo de turistas belgas apresenta-se equipado a rigor por entre as barraquinhas de petiscos que circundam o Festival da Gamboa.

“Estamos a torcer pela Bélgica, mas também por Cabo Verde”, contam.

Do outro lado do recinto, duas cabo-verdianas que residem nos Estados Unidos dançam juntas: não falam português, nem crioulo, mas a linguagem da festa é universal.

“Isto é fenomenal e estamos muito contentes por estar aqui”, dizem, ao mostrarem uma coreografia preparada como “a dança da vitória”.

 “Temos pernas, vamos longe”, vaticina Luís Faria, que acredita no potencial dentro das quatro linhas para criar problemas à Argentina, próximo adversário.

A cada dia de festa, cresce o otimismo e há sempre que não veja limites, como Júlia Araújo, que grita com toda a força: “Cabo Verde ganha a Copa”.

Mas por hoje os jogos acabaram – e a vitória de Espanha frente ao Uruguai (1-0) ditou que Cabo Verde se apurasse no segundo lugar do grupo H.

“Agora é festa”, dizem Rui e Rafael, dois adeptos que dançam juntos e que se juntam a outros grupos, numa noite de euforia que promete ser longa.