Recorde as incidências da partida
O resultado é o mesmo da meia-final de 2022, mas desta vez as estrelas dos Bleus brilharam de forma diferente. Há quatro anos, Theo Hernández e Kolo Muani foram às redes. Desta vez, o brilho coube a Ousmane Dembélé e a Kylian Mbappé (que ainda se deu ao luxo de desperdiçar um penáli na primeira parte).
Há quem tenha tratado o milagre de 2022 no Catar como uma obra do acaso, uma daquelas histórias de Cinderela perfeitas que o futebol reserva de tempos em tempos. Mas o que testemunhamos no Mundial-2026 ultrapassou a barreira da surpresa: virou dinastia.

Ao carimbar o passaporte para os quartos de final pela segunda edição consecutiva, Marrocos não apenas manteve vivo o sonho do título até ao limite, mas também encerrou qualquer debate sobre quem é a verdadeira superpotência do continente africano no maior palco do planeta.
Mesmo com a eliminação diante dos bicampeões mundiais, nada apagará o feito de uma geração que redesenhou a geografia do futebol. Marrocos não pede licença: Marrocos dita o ritmo do futebol em África.

Números e recordes dos Leões do Atlas
Para entender a magnitude do futebol marroquino, o impacto vai muito além das quatro linhas. Abaixo, compilamos o livro de recordes históricos e estatísticas que transformam Marrocos no maior orgulho do futebol africano e árabe:
Desempenho Geral em Mundiais (1970 - 2026)
Participações: 7 edições (1970, 1986, 1994, 1998, 2018, 2022 e 2026)
Jogos Disputados: 30
Vitórias: 8 | Empates: 9 | Derrotas: 13
Golos marcados: 30 | Golos Sofridos: 35

Grandes recordes históricos
O pioneirismo da ambição (1986): Marrocos foi a primeira seleção africana e árabe da história a qualificar-se para os oitavos de final de um Mundial, liderando um grupo que tinha Inglaterra, Polónia e Portugal.
O topo do continente (2022): Ao vencer Portugal de Cristiano Ronaldo nos quartos de final no Catar, tornou-se a primeira e única seleção de África e do mundo árabe a alcançar as meias-finais de um Mundial, terminando num histórico 4.º lugar.

A era da consistência (2026): Primeira seleção africana a alcançar os quartos de final em duas edições seguidas de Mundiais. Além disso, a campanha das eliminatórias para 2026 registou um recorde mundial masculino de 16 vitórias consecutivas em jogos oficiais internacionais.
Domínio do toque de bola: No triunfo por 1-0 contra a Escócia na fase de grupos de 2026, Marrocos completou 601 passes certos, a maior marca registada por uma equipa africana numa partida de Mundiais, desde que as estatísticas começaram a ser registadas, em 1966.
O raio marroquino: Na mesma partida contra os escoceses, Ismael Saibari balançou as redes com apenas 71 segundos de jogo, registando um dos golos mais rápidos da história das seleções africanas no torneio.

Recordes individuais de peso
Mais jogos em Mundiais: Achraf Hakimi e Hakim Ziyech acumulam mais de 15 partidas no torneio, isolando-se como os recordistas absolutos de jogos entre todas as nações árabes.
Maior artilheiro: Youssef En-Nesyri lidera a artilharia histórica do país com 3 golos, incluindo o lendário salto de 2,78 metros que eliminou Portugal em 2022.
Paredão intransponível: Yassine Bounou (Bono) consagrou-se como o primeiro guarda-redes africano da história a passar 3 jogos inteiros sem sofrer golos numa única edição de Mundiais (2022).

Dinheiro, estrutura e a força da diáspora
A consolidação de Marrocos como uma potência global não aconteceu por acaso ou por sorte. É o resultado direto de um projeto de estado meticuloso, que uniu investimentos massivos em infraestruturas desportivas com uma estratégia inteligente de integração cultural e captação de talentos na Europa.
Academia e o complexo Mohammed VI
O ponto de viragem do futebol marroquino começou em 2007, quando o rei Mohammed VI decidiu reescrever o destino desportivo do país. Com um investimento pessoal inicial de quase 17 milhões de dólares, foi fundada em 2009 a Academia de Futebol Mohammed VI, nos arredores de Rabate.
Mais tarde, em 2019, o projeto foi expandido com a inauguração do Complexo Desportivo Mohammed VI, um centro de excelência que rivaliza com os melhores Centros de treino da Europa (contando com 11 campos de padrão FIFA, hotéis de luxo, centro médico de ponta e até piscina climatizada).
O objetivo foi claro: parar de depender exclusivamente do acaso e criar uma escola de futebol nacional. Deu certo. Criações locais da academia, como o avançado Youssef En-Nesyri e o médio Azzedine Ounahi, tornaram-se pilares das campanhas históricas de 2022 e 2026.
Hoje, Marrocos é praticamente a única seleção africana com um projeto de base consolidado e que vem dando resultados claros — é o atual campeão mundial Sub-20, título inédito conquistado no ano passado.
Diáspora europeia: dupla nacionalidade e pertença
Se a base local deu a estrutura, a imensa comunidade marroquina espalhada pela Europa deu o toque técnico e a experiência competitiva internacional. Sob a liderança da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF), o país estruturou uma das redes de scouting mais eficientes do planeta.
Em vez de apenas "convocar" atletas de dupla nacionalidade, Marrocos estruturou uma abordagem de acolhimento familiar e conexão patriótica profunda. Exemplos disso não faltam:
Achraf Hakimi (nascido em Espanha), Sofyan Amrabat (nascido nos Países Baixos) e Brahim Díaz (nascido em Espanha, que optou por defender Marrocos no ciclo para 2026) são frutos diretos desse trabalho de captação.
Mais do que escolher uma seleção, estes atletas trazem a bagagem tática das principais ligas europeias para o balneário dos Leões do Atlas.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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