Este fundista de 31 anos correu a maratona de Londres em 1:59:30, em abril, derrubando a mítica barreira das duas horas, que muitos consideravam intocável.
"Sei que é possível correr abaixo de 1h59, se tivermos bom tempo, um bom controlo do ritmo e eu estiver em boa forma", disse Sawe à AFP.
Sawe afirmou que vão cair mais recordes à medida que a popularidade da corrida aumenta e a tecnologia melhora.
"Não sabemos o que os próximos anos nos reservam, porque talvez apareçam outras pessoas e façam algo grandioso. Para já, não há limites", estimou.
"Algo especial"
Sawe admite que foi o primeiro surpreendido com o seu recorde: "Não esperava correr abaixo das duas horas. Queria manter o meu título... Mas quando vi o tempo com os meus próprios olhos, já perto do final da corrida, foi algo surpreendente para mim e fiquei muito feliz e agradecido".
O vencedor da maratona de Berlim de 2025 devia voltar a correr na capital alemã no domingo, mas falhou a prova devido a lesão. "Foi difícil, mas tive de aceitar, porque as lesões fazem parte da corrida", assinalou.
Sawe espera regressar à maratona de Londres em 2027, mas, a mais longo prazo, tem os olhos postos em conseguir "algo especial" nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
"Estou agora a tornar-me alguém maior no atletismo, aprendi muito e aprendi que a paciência é importante e que a recuperação é importante para nos fazer sentir rápidos e fortes", explicou.
No domingo, em Berlim, uma rotura do tendão de Aquiles na parte final da corrida privou provavelmente a etíope Tigst Assefa de bater o recorde mundial.
Correu a um ritmo de recorde mundial até ao quilómetro 35, mas lesionou-se e percorreu os últimos dois quilómetros a coxear.
Depois de cortar a meta, teve de ser ajudada a manter-se de pé, mas, apesar de tudo, conseguiu a terceira melhor marca feminina da história.
"Quando vi o que aconteceu, fiquei em choque, porque ela estava a fazer uma grande corrida este ano, em Berlim. Estava tudo perfeito para ela... Estava a correr para conseguir tudo aquilo por que tinha trabalhado", declarou Sawe.
O queniano incentivou a atleta de 29 anos a lutar pelo recorde: "Tenho a certeza de que o fará, porque a Tigst é uma mulher muito forte e tem uma grande mentalidade. Tem sempre a coragem de levar os seus limites mais além. Sempre foi uma vencedora".
"Proteger o desporto"
A lesão não só impediu Assefa de voltar a entrar para a história, como também de apagar um recorde que muitos consideram manchado.
A marca de 2h11:04 de Assefa ficou a pouco mais de um minuto dos 2h09:56 estabelecidos pela queniana Ruth Chepngetich em 2024. Um ano depois, Chepngetich foi suspensa por três anos por doping, mas o seu recorde continua válido.
Sawe também tem feito muito para acabar com a sombra do doping no atletismo queniano, que conta atualmente com mais de uma centena de atletas suspensos.
Durante anos, Sawe ofereceu-se voluntariamente para se submeter a testes complementares exaustivos, além dos requisitos nacionais e internacionais, realizando em média um teste extra a cada três dias.
"Mesmo com tudo o que conquistei, quero mostrar ao mundo que nem todos os atletas correm dopados... Houve uma altura em que havia mais dúvidas do que confiança", admitiu.
"É uma boa rotina para os atletas fazerem vários testes, para demonstrarem que correm e vencem de forma limpa. Mostra que estamos a proteger o desporto para o futuro", acrescentou.
Em setembro, Nairobi foi anunciada como a primeira sede africana do Mundial de atletismo, na edição de 2029.
"Espero que isso sirva para dar uma boa reputação ao meu país e mostrar que estamos a combater o doping de muitas formas", desejou o atleta.
"É algo especial para nós, quenianos... É importante ter este momento no nosso país e apreciamo-lo imenso", concluiu.
