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O reforço fora das quatro linhas: Joel Ferreira ensina jogadores estrangeiros a falar português

Joel Ferreira ensina português a jogadores estrangeiros
Joel Ferreira ensina português a jogadores estrangeirosArquivo Pessoal, Flashscore

Joel Ferreira juntou a paixão pelo futebol à formação em línguas e criou a Football Language Coaching, um projeto especializado na integração linguística de jogadores estrangeiros. As aulas fogem ao modelo tradicional da escola e são adaptadas ao balneário, aos treinos, às entrevistas e à cultura do país. Tom van de Looi, que começou a aprender português antes de chegar ao Famalicão, é um dos exemplos de sucesso.

Convencer um jogador profissional a aprender uma nova língua pode ser mais difícil do que ensiná-la. Antes de explicar a gramática, trabalhar a pronúncia ou introduzir o vocabulário utilizado num treino/jogo, Joel Ferreira tem frequentemente de desmontar uma ideia: as aulas não são iguais àquelas que os futebolistas tiveram na escola.

Não há testes, classificações, pressão nem conteúdos desligados da realidade. Há conversas sobre futebol, análises de jogos, simulações de entrevistas e palavras que podem ser utilizadas no treino seguinte.

"Os jogadores ainda têm a imagem das aulas tradicionais, como aquelas que tiveram na escola. E, normalmente, essas memórias não são propriamente positivas. O meu objetivo é contrariar essa ideia", explica ao Flashscore.

Aos 34 anos, Joel Ferreira encontrou na Football Language Coaching uma forma de juntar duas paixões. Licenciado em Línguas Modernas e mestre em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Coimbra, fala português, neerlandês, inglês, espanhol, francês, alemão, italiano e luxemburguês.

Começou por ensinar português a estrangeiros sem qualquer ligação específica ao futebol. Os resultados surgiram rapidamente e deram-lhe confiança para apostar numa área que sempre o apaixonou.

"O meu objetivo inicial era perceber se tinha capacidade para ensinar e se podia fazer a diferença na aprendizagem da língua. Felizmente, percebi muito cedo que sim. O português tem fama de ser uma língua muito difícil, mas acredito que, com a metodologia certa, é muito mais acessível do que as pessoas imaginam. Uns aprendem mais depressa do que outros, naturalmente, mas consegui sempre ajudar muita gente a atingir bons resultados".

A ligação ao futebol apareceu mais tarde. Joel percebeu que podia usar o conhecimento linguístico num meio onde a adaptação de um jogador é frequentemente analisada apenas do ponto de vista físico, tático ou emocional.

"Tenho uma enorme paixão pelo futebol e outra pelas línguas. Pensei: ‘Porque não juntar as duas coisas e especializar-me neste nicho?’ Foi assim que nasceu a Football Language Coaching."

Uma entrada difícil num meio fechado

Entrar no futebol profissional não foi simples. Joel tinha jogado apenas a nível amador na Bélgica e não possuía contactos relevantes no futebol português.

Começou por utilizar o LinkedIn para apresentar o projeto, contactar profissionais e explicar de que forma o domínio de uma língua poderia ajudar jogadores e clubes.

A primeira oportunidade surgiu através de uma psicóloga do Benfica, que o colocou em contacto com Franculino Djú. O avançado preparava-se para deixar as águias e seguir para a Dinamarca, pelo que precisava de melhorar o inglês.

"Foi o meu primeiro cliente especificamente ligado ao futebol e teve um papel muito importante no meu percurso, porque me permitiu criar um portefólio e mostrar resultados concretos."

Depois do primeiro caso, chegaram contactos através de uma agência de futebolistas. O passa-a-palavra encarregou-se de alargar a rede de alunos. Num meio em que os jogadores protegem o quotidiano e a vida privada, a confiança tornou-se um dos principais pilares do projeto.

"Neste meio, a confiança e a confidencialidade são fundamentais. Quando crias uma boa relação com os jogadores, eles acabam por recomendar o teu trabalho a outras pessoas."

Joel Ferreira com o aluno Tom Van de Looi
Joel Ferreira com o aluno Tom Van de LooiArquivo Pessoal

"Quando um jogador não fala a língua, muitas vezes parece distante"

A maior parte dos jogadores não procura Joel por uma paixão antiga escondida pelas línguas. O objetivo inicial costuma ser mais concreto: perceber o treinador, comunicar com os colegas e sentir-se parte do balneário.

"A integração é, sem dúvida, o principal motivo. Querem perceber o treinador, comunicar com os colegas, entender as piadas, participar nas conversas e criar ligações dentro do grupo", refere durante a conversa com o Flashscore.

A cidade, o país e a vida quotidiana também fazem parte do processo, mas o balneário aparece quase sempre como a prioridade. É ali que os jogadores passam grande parte do tempo e onde uma limitação linguística pode criar uma imagem errada.

"Quando um jogador não fala a língua, muitas vezes parece distante. Não porque queira, mas simplesmente porque não consegue participar nas conversas", considera.

Mesmo quando entende parte do que está a ser dito, a dificuldade em responder pode afastá-lo das brincadeiras e dos momentos espontâneos que ajudam a criar relações dentro de uma equipa: "Quando aprende a língua, tudo muda. Consegue participar nas brincadeiras, criar amizades, fazer parte do grupo e sentir-se verdadeiramente integrado."

Joel acredita que essa mudança também pode refletir-se no relvado. Um jogador que compreende imediatamente uma indicação do treinador ou um aviso de um colega consegue reagir mais depressa.

"Quando um jogador entende imediatamente o treinador, os colegas ou até o árbitro, esses pequenos detalhes podem fazer diferença no rendimento. Depois existe também o lado humano. Um jogador que aprende a língua aproxima-se muito mais do grupo, da cultura e dos adeptos. E isso acaba por protegê-lo também nos momentos menos bons, porque as pessoas percebem que existe uma verdadeira vontade de fazer parte daquela realidade", justifica.

"Os adeptos também valorizam muito esse esforço e os próprios meios de comunicação", completa.

Aprender português sem regressar à escola

A metodologia da Football Language Coaching é construída a partir da realidade de cada jogador. As primeiras sessões servem para criar uma base de gramática e pronúncia, mas os exemplos estão sempre ligados ao futebol.

Joel trabalha o vocabulário dos treinos, dos jogos, do balneário e da comunicação com treinadores e companheiros. Mais tarde, as aulas passam a incluir análises de partidas, antevisões e simulações de situações reais.

"A primeira preocupação é adaptar completamente o ensino às necessidades do jogador. Começamos por criar uma base sólida da língua, tanto ao nível da gramática como da pronúncia, mas sempre com exemplos muito práticos e ligados ao futebol. Trabalhamos muito o vocabulário utilizado nos treinos, no balneário, durante os jogos e na comunicação com treinadores e colegas. O objetivo é que o jogador consiga integrar-se rapidamente nesse contexto", explica.

"Depois, à medida que ganha confiança, as aulas passam a incluir conversas sobre futebol. Muitas vezes simulamos flash interviews, entrevistas mais longas ou até conferências de imprensa. Além de aprenderem a língua, ganham confiança para responder perante jornalistas e adeptos", detalha.

Joel Ferreira dá aulas ao guarda-redes eslocaco Jakub Vinarcik (Arouca)
Joel Ferreira dá aulas ao guarda-redes eslocaco Jakub Vinarcik (Arouca)Arquivo Pessoal

Não existe uma fórmula igual para todos. A língua materna, o percurso escolar e o contacto anterior com outros idiomas influenciam a velocidade da aprendizagem. Um jogador que fale italiano ou espanhol parte com vantagem na aprendizagem do português. Noutros casos, é necessário construir a base de raiz e dedicar mais tempo à gramática.

"Cada jogador obriga-me a encontrar estratégias diferentes e isso motiva-me bastante. Alguns vão aprender mais depressa do que outros, mas todos conseguem evoluir", assegura.

"As aulas são muito mais dinâmicas, descontraídas e adaptadas aos interesses de cada jogador. Não faz sentido obrigar um futebolista a trabalhar conteúdos que nunca vai utilizar. Se podemos ensinar gramática através de conversas sobre futebol, faz muito mais sentido seguir esse caminho. É isso que torna todo o processo muito mais motivador", cimenta.

A possibilidade de comunicar na língua materna do aluno também ajuda a criar confiança. A maioria dos jogadores com quem Joel trabalha é neerlandesa, precisamente por ser falante nativo de holandês.

"Quando comunicamos na língua materna do jogador, tudo se torna mais simples. Consigo explicar os conceitos diretamente e criar uma ponte muito mais eficaz para o português."

Tom van de Looi em ação pelo Famalicão
Tom van de Looi em ação pelo FamalicãoMIGUEL LEMOS / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Tom van de Looi como exemplo de dedicação e... sucesso

Entre os jogadores que passaram pela Football Language Coaching, Tom van de Looi tornou-se um dos exemplos mais marcantes. O médio neerlandês decidiu começar a aprender português cerca de três meses antes de se juntar ao Famalicão. Quando se apresentou na pré-época, já conseguia compreender as indicações do treinador e manter conversas com os colegas.

"É um caso único, porque decidiu iniciar as aulas quando ainda estava no estrangeiro. Quando começou a pré-época já conseguia comunicar, perceber as instruções do treinador e conversar com os colegas", recorda.

A decisão permitiu-lhe ultrapassar parte do período inicial de adaptação. Ainda havia palavras, expressões e conversas que não compreendia totalmente, mas chegara a Portugal com uma base suficientemente sólida para não começar do zero.

"O próprio Tom diz muitas vezes que aprender português antes de chegar foi uma das melhores decisões que tomou."

O caso destacou-se também pela dedicação fora das aulas. Tom cumpria os trabalhos propostos, ouvia música portuguesa, procurava séries e programas e tentava manter contacto regular com a língua. Sobretudo, não tinha medo de errar.

Os números de Van de Looi
Os números de Van de LooiFlashscore

"Foi um caso muito especial. É um jogador que fazia sempre os trabalhos de casa, via os conteúdos que eu lhe sugeria, experimentava ouvir música portuguesa, assistir a programas ou séries e procurava estar constantemente em contacto com a língua. Mais do que isso, nunca teve medo de errar. Nas primeiras entrevistas podia perfeitamente ter optado pelo inglês, mas decidiu arriscar e falar português. Acho que isso demonstra muita personalidade e merece ser valorizado", elogia.

"Nas primeiras entrevistas podia perfeitamente ter optado pelo inglês, mas decidiu arriscar e falar português. Acho que isso demonstra muita personalidade e merece ser valorizado."

Dois anos depois, continua a ter aulas. O foco já não está apenas na gramática ou nas palavras essenciais para o futebol. Tom procura compreender expressões informais, formas de dizer e aspetos da cultura portuguesa.

"Nessa fase, as aulas passam muito mais por compreender a cultura portuguesa e a forma como comunicamos no dia a dia", aponta.

Ver um jogador que trabalhou consigo dar uma entrevista em português é, para Joel Ferreira, motivo de "enorme orgulho" e a confirmação de que o trabalho desenvolvido teve impacto. O professor explica que a sua missão passa por "acelerar e simplificar a aprendizagem do português no futebol" e, por isso, quando um atleta consegue falar publicamente na língua poucos meses depois de iniciar as aulas, sente que o objetivo foi cumprido.

"Quem procura melhorar numa área também procura evoluir noutras"

Ver um jogador estrangeiro responder em português continua a causar surpresa. Para Joel, mesmo uma intervenção curta pode mudar a forma como o futebolista é visto pelos adeptos e pela comunicação social.

"Nem precisa de falar perfeitamente. Basta conseguir responder a algumas perguntas em português ou dizer algumas frases numa entrevista. Os adeptos valorizam muito esse esforço", atira.

A tentativa de comunicar na língua do país demonstra vontade de integração. Pode também ajudar o jogador nos momentos de maior dificuldade desportiva.

"As pessoas percebem que existe uma verdadeira vontade de fazer parte daquela realidade. Isso acaba por protegê-lo também nos momentos menos bons."

Joel Ferreira considera que a disponibilidade para aprender revela igualmente características pessoais. Um jogador tem de aceitar sentir-se desconfortável, cometer erros e expor-se perante os outros.

"Quando um jogador faz esse esforço, demonstra humildade. Está disposto a colocar-se numa posição desconfortável, a errar, a aprender e a evoluir. Isso diz muito sobre a sua personalidade", destaca.

Na experiência do professor, essa preocupação costuma aparecer em atletas atentos a outros aspetos da carreira, como a alimentação, a recuperação e a preparação mental.

"Normalmente, quem procura melhorar numa área também procura evoluir noutras. São jogadores que se preocupam com a alimentação, com a recuperação, com a preparação mental e com todos os detalhes que fazem a diferença. Vejo uma ligação muito forte entre essas características."

Kika adaptou-se à cultura da Catalunha
Kika adaptou-se à cultura da CatalunhaMAJA HITIJ / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

Kika Nazareth e o respeito pela identidade Barça

O esforço linguístico não é exclusivo dos jogadores estrangeiros que chegam a Portugal. Ao Flashscore, Joel Ferreira destaca o caso de Kika Nazareth, que procurou aprender catalão depois de trocar o Benfica pelo Barcelona.

Embora tenha uma utilização geográfica mais limitada do que o espanhol ou o português, o catalão ocupa um lugar central na identidade da região e do próprio clube.

"O Barcelona é um clube com uma identidade muito forte e o catalão faz parte dessa identidade. A Kika foi inteligente ao aproveitar a proximidade entre o português e o catalão para aprender rapidamente a língua e integrar-se ainda melhor na cultura do clube", reconhece.

"Infelizmente, muitos jogadores não fazem esse esforço, mesmo quando chegam a Portugal, onde o português é uma língua mundial e extremamente útil. Além de facilitar a comunicação em Portugal, acaba também por abrir portas para aprender outras línguas românicas, como o espanhol, o italiano ou o francês", sustenta.

Para Joel, é uma atitude que demonstra respeito pelo contexto que recebeu a jogadora: "É uma atitude de louvar."

Uma componente ainda pouco valorizada pelos clubes

Apesar das vantagens, a aprendizagem da língua continua a ser, na opinião de Joel, uma área secundarizada no futebol. Os clubes valorizam a integração dos reforços, mas nem sempre encaram a preparação linguística como uma ferramenta capaz de acelerar esse processo.

"Todos gostariam que os jogadores aprendessem português, mas muitos ainda acreditam que isso demora demasiado tempo ou que é praticamente impossível. Acaba por ficar para segundo plano", anota.

A ideia de que o português é particularmente difícil também afasta alguns jogadores. O professor discorda dessa perceção e sublinha a proximidade com outras línguas românicas.

"O objetivo não é falar com um sotaque perfeito. O importante é conseguir comunicar. Com o método certo, um jogador consegue atingir um nível muito bom em poucos meses", garante.

"O Tom (van de Looi) é um excelente exemplo disso. Naturalmente, tudo depende também do percurso linguístico de cada jogador. Um espanhol terá mais facilidade do que alguém cuja língua materna seja completamente diferente. Mas, independentemente da origem, todos conseguem evoluir. O mais importante é existir vontade de aprender", acrescenta.

A idade também não representa, segundo Joel, um impedimento. Embora as crianças apresentem maior facilidade na aquisição da pronúncia, um adulto pode aprender em qualquer fase da vida. No caso dos jogadores, existe ainda a vantagem de estarem diariamente expostos à língua nos treinos, no balneário, na televisão e na cidade.

"Uma pessoa pode aprender uma nova língua aos 30, aos 40 ou até aos 70 anos. Os jogadores estão diariamente rodeados pela língua e essa exposição constante acelera muito a aprendizagem. É completamente diferente de alguém que está a aprender português no estrangeiro, sem qualquer contacto diário com a língua".

Joel Ferreira com o português Miguel Reisinho
Joel Ferreira com o português Miguel ReisinhoArquivo Pessoal

"A língua é a porta de entrada para qualquer cultura"

Para Joel Ferreira, o português é uma das línguas mais importantes do futebol mundial. A presença de jogadores, treinadores, dirigentes, agentes e outros profissionais portugueses e brasileiros faz com que o idioma seja útil muito além das competições nacionais.

"Na minha opinião, é provavelmente a segunda língua mais útil no futebol, logo a seguir ao inglês. Há muitos treinadores, diretores desportivos, agentes e jogadores que comunicam em português. Para quem trabalha neste meio, dominar a língua pode abrir muitas portas", advoga.

Mas a aprendizagem não termina no futebol. Um jogador pode passar vários anos num país, conhecer o estádio, o centro de treinos e os locais mais frequentados e, ainda assim, manter uma relação superficial com a sociedade.

"A língua é a porta de entrada para qualquer cultura. Quando aprendemos uma língua, começamos também a perceber melhor a forma como as pessoas pensam, comunicam e vivem. Sem esse conhecimento, muitos jogadores acabam por ter apenas uma visão superficial do país. Conhecem os locais onde vivem, treinam e jogam, mas não chegam verdadeiramente a compreender a cultura. A língua permite-lhes criar essa ligação muito mais profunda", defende.

É essa ligação que Joel procura criar através da Football Language Coaching. O objetivo imediato pode ser compreender uma instrução do treinador, acompanhar uma piada no balneário ou responder a uma pergunta numa entrevista. O resultado, porém, pode ser mais profundo. Ensinar um jogador a comunicar é também ajudá-lo a encontrar o seu lugar dentro de uma equipa, de uma cidade e de um país.

"Uma pessoa desmotivada dificilmente aprende uma língua. O objetivo é que cada sessão seja útil, prática e descontraída", garante.

"Para mim é fundamental que o jogador se divirta enquanto aprende. Procuro adaptar todas as sessões aos interesses e às necessidades de cada jogador. Falamos naturalmente de futebol, mas também de tudo aquilo de que ele gosta. Se houver oportunidade para comunicar na língua materna do jogador, faço-o, porque isso cria conforto e facilita muito a aprendizagem. O objetivo é que cada sessão seja útil, prática e descontraída", prossegue.

"Não existem testes, classificações ou pressão. As aulas são individuais e totalmente adaptadas ao jogador. Se gosta mais de falar de futebol, falamos de futebol. Se quiser explorar outros temas, fazemos isso. O importante é que aprenda num ambiente descontraído e sem receio de errar. É precisamente assim que a aprendizagem acontece de forma mais natural", remata.

E, entre todas as línguas que conhece, Joel Ferreira não hesita quando escolhe a sua preferida.

"O português tem uma riqueza muito especial. É uma língua muito completa, muito rica em vocabulário e que procura preservar a sua identidade. Para mim, continua a ser a mais bonita de todas."