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Opinião: Por que a Espanha foi adiante e o Brasil estagnou após Tóquio-2021?

De la Fuente era o selecionador da Espanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio
De la Fuente era o selecionador da Espanha nos Jogos Olímpicos de TóquioReuters/Vincent Carchietta

Este domingo, às 20:00, todos os olhares do planeta estarão voltados para o MetLife Stadium. Espanha e Argentina entram em campo para decidir o Mundial-2026, com os europeus a procurarem o tão sonhado bicampeonato mundial. Mas para os adeptos brasileiros, o jogo evoca uma memória agridoce.

Siga a final do Mundial-2026 no Flashscore

Há cinco anos, o Brasil comemorava o ouro no topo do pódio em Tóquio. O golo de Malcom no prolongamento carimbava o bicampeonato olímpico da seleção brasileira com uma vitória por 2-1 sobre os próprios espanhóis. Parecia a consolidação de uma hegemonia e a certeza de um futuro promissor para a canarinha. No entanto, o tempo tratou de desenhar cenários opostos para os dois finalistas.

Olhar para a decisão do Mundial-2026, impõe-se uma reflexão incómoda, mas necessária: o Brasil venceu a espinha dorsal desta Espanha finalista, mas onde foi que o Brasil estagnou enquanto a Espanha descolou? O verdadeiro registo revela de forma avassaladora quando analisamos as listas de convocados para este Mundial.

A grande diferença entre o sucesso espanhol e o labirinto em que o futebol brasileiro se meteu nos últimos anos atende pelo nome de continuidade.

A Espanha que hoje pisa o relvado do MetLife Stadium para decidir o Mundial não nasceu por geração espontânea; foi promovida em bloco. O selecionador Luis de la Fuente, que comandava aquela seleção olímpica, subiu para a equipa principal, levando consigo os seus homens de confiança e o modelo de jogo.

Dos 22 medalhistas de prata em Tóquio, quase metade do plantel (entre 8 e 10 jogadores) está no Mundial-2026. Mais do que compor o grupo, formam o coração metodológico e técnico da equipa titular que busca o bi.

Unai Simón segue incontestável na baliza. Marc Cucurella assumiu a lateral com a mesma intensidade. Martín Zubimendi, Mikel Merino, Pedri e Dani Olmo transformaram o meio-campo olímpico no setor mais cerebral e dinâmico do planeta. Mikel Oyarzabal (autor do golo espanhol naquela final de 2021) e Álex Baena continuam a ser os operários de luxo do ataque.

Usaram a medalha de prata, não como uma derrota, mas como o rascunho perfeito de um projeto de longo prazo que hoje pode culminar na maior glória do futebol.

Antevisão do Espanha-Argentina
Flashscore

Onde é que o Brasil parou?

O contraste com o Brasil chega a ser assustador. Se a Espanha transformou a base olímpica na finalista do Mundial-2026, o futebol brasileiro viu o ouro de Tóquio pulverizar no meio de trocas constantes de comando, falta de convicção tática e uma transição geracional completamente acidentada.

Do plantel de 22 jogadores que ganhou o ouro no Japão, apenas três sobreviveram ao ciclo e chegaram à lista final de Carlo Ancelotti para este Mundial: o médio Bruno Guimarães, o avançado Matheus Cunha e o extremo Gabriel Martinelli.

Onde foi parar o resto da equipa? Nomes que foram protagonistas ou heróis daquele título, como Antony, Richarlison e Malcom, perderam espaço por oscilações na Europa ou escolhas de carreira. Defesas como Guilherme Arana e Diego Carlos sofreram com lesões graves em momentos cruciais, enquanto outros talentos simplesmente sumiram do radar da Amarelinha.

Onde a Espanha viu um processo de maturação coletiva, o Brasil tratou o título olímpico como um fim em si mesmo — um evento isolado, e não o início de uma nova era.

O Brasil ganhou a medalha, mas perdeu o mapa de navegação. Enquanto o adepto brasileiro assiste à final pela televisão procurando respostas e uma identidade para a seleção brasileira, a Espanha colhe os frutos de ter mantido os pés no chão e a mente no futuro após aquela derrota em 2021.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 decorreu de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contou com 48 seleções nacionais e foi disputado em 16 estádios.

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