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Perfil: Francisco Cabral de olhos postos na elite do ténis mundial

Francisco Cabral
Francisco CabralMIGUEL REIS / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

O português Francisco Cabral falhou este domingo a conquista do primeiro título de pares num Masters 1.000 para o ténis nacional, ao perder na final em Xangai, mas continua a somar feitos históricos e a aproximar-se do top 20 mundial.

O tenista portuense e o parceiro norte-americano JJ Tracy saíram derrotados da maior final da carreira, diante dos austríacos Lucas Miedler e Neil Oberleitner, por 6-3 e 6-4, e Cabral acabou por deixar escapar a oportunidade de recuperar a 19.ª posição do ranking ATP de pares, alcançada, pela primeira vez, no início da temporada.

Ainda assim, o melhor especialista português da variante de duplas tornou-se, em Xangai, no segundo representante nacional a chegar a uma final de um torneio Masters 1.000, oito anos depois de João Sousa ter sido vice-campeão ao lado do espanhol Pablo Carreño-Busta, em Roma, e na segunda-feira vai ascender ao 23.º lugar na hierarquia mundial.

Francisco Cabral, nascido para o ténis no Sport Clube do Porto, quando, aos quatro anos, começou a bater as primeiras bolas por influência do pai, jogou a 14.ª final da carreira no circuito ATP, um recorde no ténis nacional, que contabiliza no seu todo mais 13 encontros decisivos, disputados por João Cunha e Silva (quatro), Nuno Marques (três), Emanuel Couto (dois), Bernardo Mota (um), Frederico Gil (um), João Sousa (um) e Nuno Borges (um).

Graças aos sete títulos ATP, o primeiro dos quais ao lado do amigo Nuno Borges, no Estoril Open de 2022, e quatro na companhia de Lucas Miedler, adversário na final deste domingo, Cabral tornou-se no melhor tenista português da variante de pares de sempre.

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Uma via que surgiu quase por mera oportunidade, já que, após desistir da natação aos 10 anos, para se dedicar em exclusivo ao ténis, investiu nos singulares. Mas, como tinha de conciliar os estudos com a prática desportiva, para ter uma boa média, que conseguiu (17), por forma a ter um plano B, competiu pouco nos escalões jovens, especialmente em provas internacionais.

Ao atingir a maioridade, e já integrado no Centro Alto de Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis, o corpo ressentiu-se da intensidade da alta competição e cedeu com alguns problemas físicos.

Nos pares, os resultados foram surgindo, sobretudo ao lado de Borges, e, quando fechou 2021 entre os 160 melhores do mundo com seis troféus da categoria Challenger no palmarés, não foi capaz de fechar os olhos à oportunidade de se tornar especialista da variante, também aconselhado por pessoas próximas, encerrando assim o capítulo dos singulares.

O início da temporada de 2022 ficou marcado pela conquista de mais três challengers, dos 15 que detém no total, e as primeiras vitórias em torneios ATP 250, no Estoril e Gstaad (com Tomislav Brkic), estreando-se no top 100 mundial.

Desde então, o trajeto do esquerdino portuense, de 1,90 metros e que joga ténis com a mão direita, tem sido auspicioso. Além de presença assídua em torneios do Grand Slam, desde a estreia em Wimbledon, em 2022, como ambicionava, tem feito bons resultados e atingiu inclusivamente os quartos de final no Open da Austrália, em 2025.

Depois de Nuno Borges, dedicado à competição de singulares, Cabral encontrou no austríaco Miedler um par duradouro e frutífero, com triunfos em Gstaad (segundo), Hangzhou e Atenas, em 2025, e Brisbane em 2026, antes de aceitar o convite para jogar com antigo número um mundial, Joe Salisbury.

A parceria com o britânico não correu como desejado e o tenista português, após emparelhar com diversos jogadores durante o verão, fixou-se com JJ Tracy (42.º ATP), ao lado de quem chegou à terceira ronda no Open dos Estados Unidos, ganhou o ATP 250 de Hangzhou e discutiu agora a final do Masters 1.000 de Xangai. 

Até ao final da época há muitos pontos a defender - final do ATP 500 de Viena, meias-finais do Masters 1.000 de Paris e vitória no ATP 250 de Atenas -, mas o sonho de Francisco Cabral, de 29 anos, é, contudo, “ser top 10, top 5 mundial, quem sabe”, como confessou em entrevista à Lusa, após a conquista do Estoril Open em 2022, e esse caminho, até ver, continua em aberto.

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