“A partir do terceiro ano, 30% da receita deste ‘business plan’ (plano de negócios) a cinco anos reverte para os clubes a título de ‘prize money’ (prémios monetários). Pela primeira vez, haverá dinheiro a entrar nos clubes por via da participação” no principal escalão competitivo da modalidade, revelou Luís Lança de Morais.
A Associação Super XV - Rugby Portugal vai organizar e dar nome ao campeonato português de râguebi a partir desta época, após a assinatura de um protocolo com a Federação Portuguesa de Rugby (FPR), em agosto, que delega aos clubes a organização do principal escalão competitivo português.
Benfica, Cascais, Direito, Belenenses, CDUL, São Miguel, Agronomia, Técnico, Académica, CDUP, RC Santarém e AR Setúbal são os emblemas que vão disputar a primeira edição do Super XV.
Para as primeiras duas temporadas de Super XV, foram negociados prémios de valor "fixo por cada época", acrescentou o responsável, sem detalhar números.
A nova competição, que vai atribuir o título de campeão nacional de râguebi a partir desta época, já assegurou, no entanto, “um investimento de perto de 400 mil euros nos primeiros dois anos”, através de um parceiro “predisposto a investir” na modalidade.
Trata-se da Yacooba Lab, “uma plataforma tecnológica” que assegura a criação e manutenção do “site oficial e redes sociais” e vai garantir, por meio de outro parceiro, a Movielight, “as transmissões dos jogos e produções de conteúdos audiovisuais”, tais como “entrevistas em estúdio, mesas redondas, e debates” antes e depois das partidas.
O “objetivo” da pareceria será criar “um ‘bolo’ de receitas diversificadas, que darão retorno ao parceiro estratégico”, mas garantia, também, que “a associação Super XV vai usufruir de uma parte do lucro” no futuro.
“A modalidade precisa de mais visibilidade e tivemos de arranjar um veículo que promova mais visualizações e maior qualidade nas transmissões para levar aos patrocinadores. Audiência primeiro, receita depois”, traçou Lança de Morais.
A estratégia envolve “criação de conteúdos” audiovisuais e o envolvimento de “todos os agentes” da modalidade, “incluindo os árbitros”, que a Associação Super XV pretende que tenham, também, “um papel importante” no crescimento do râguebi português.
No entanto, o Super XV “ainda não tem ‘main sponsor’ (patrocinador principal)”, mas acredita que “isso virá” naturalmente, “desde que a modalidade consiga abraçar esta visão estratégica” comum.
“Os clubes vão ser colocados à prova e desafiados a fazer algo melhor e mais profissional. Este projeto vai puxar por nós porque vai exigir produção de conteúdos, redes sociais, marketing… Vai tirar-nos da zona de conforto para participarmos de forma ativa”, apontou o presidente da Super XV à agência Lusa.
O Super XV em râguebi começa em 10 de outubro e prolonga-se até 15 de maio, com uma primeira fase onde os 12 clubes participantes se enfrentam a uma só volta para apurar oito equipas para a fase final.
No momento decisivo da temporada, os oito apurados serão divididos em dois grupos de quatro e voltam a jogar a uma só volta, mas com jornadas concentradas: os dois jogos de cada grupo serão disputados na mesma data e local.
Esta segunda fase apura quatro clubes para uma ‘final four’, que a Associação Super XV pretende que seja disputada numa cidade anfitriã e que seja “uma grande festa do râguebi” com potencial para “atrair novos públicos para a modalidade”.
O campeonato português de râguebi disputa-se desde 1959 sob a alçada da FPR.
O Benfica é o atual campeão nacional, após vencer a Divisão de Honra 2025/26, colocando um ponto final num 'jejum' de 25 anos sem festejar a conquista do principal título da modalidade em Portugal.
Além do Benfica (10 títulos), todos os anteriores campeões nacionais integram o futuro Super XV: CDUL (20), Direito (12), Belenenses (10), Cascais (seis), Académica (quatro), Técnico (três) e Agronomia (dois).
