Reportagem Flashscore: Carlos Brum, provavelmente o melhor adepto do Mundo, vai ao Catar connosco

Reportagem Flashscore: Carlos Brum, provavelmente o melhor adepto do Mundo, vai ao Catar connosco
Reportagem Flashscore: Carlos Brum, provavelmente o melhor adepto do Mundo, vai ao Catar connoscoFlashscore

Vinte e quatro mil quilómetros, 15 países, 4 quilos de bacalhau. São estes os números de mais uma aventura de Carlos Brum, um açoriano de 65 anos, radicado no Algarve, que desde 2002 não falha (com uma exceção apenas) uma grande competição onde entre a Seleção Nacional, sempre a conduzir. Com 189 países visitados, fluente em dez línguas, Carlos Brum é, no Mundial-2022 no Catar, um adepto Flashscore. É connosco que lança a competição, fala-nos das dificuldades logísticas desta viagem e recorda a história e as estórias daquele que é, provavelmente, o melhor adepto do Mundo.

A paixão de Carlos Brum pelo futebol vem de infância. Mais precisamente de quando tinha 10 anos e, aproveitando a presença americana na base das Lages, nos Açores, pôde ver, no canal norte-americano, a reviravolta portuguesa diante da Coreia do Norte, no Mundial de 1966.

Lembro-me de ver esse jogo na adega. Estávamos a perder 3-0 e fomos ganhar 5-3, com aquela exibição do Eusébio. Eu tinha 10 anos, o meu pai até foi comprar foguetes para celebrar a vitória. Aí nasceu a minha paixão pelo futebol e pela seleção. Aí e com aquele golo do Carlos Manuel à Alemanha, a 30 metros da baliza, na qualificação para o Mundial do México”, lembra Carlos Brum ao Flashscore, a meio de mais uma viagem para um Mundial, uma aventura que começou no Mundial de 2002, na Coreia do Sul e no Japão.

Nesse ainda fui de avião. Depois disso deu sempre para ir a conduzir. Fui a todos os Europeus e todos os Mundiais desde aí. Falhei apenas o do Brasil. Ainda tentei mas a despesa total era de 26 mil euros”, lembra o adepto português, que recorda igualmente os jogos que mais o marcaram nesta odisseia: “O de França, claro, porque fomos campeões. Mas também o jogo com Inglaterra, no Euro-2000, quando estávamos a perder 2-0 e fomos ganhar 3-2.”

É assim que Carlos Brum se equipa para cada jogo de Portugal
É assim que Carlos Brum se equipa para cada jogo de PortugalFlashscore

Quinze países e o Irão a trocar-lhe as voltas.

O plano de viagem, que começou dia 20, partindo de Odiáxere, passava por 15 países, mas depois de Espanha, França, Suíça, Liechtenstein, Áustria, Alemanha, República Checa – com paragem para assistir ao jogo de Portugal e à vitória por 4-0 -, regresso à Áustria, Eslovénia, Croácia, Bósnia e Sérvia, Carlos Brum está agora na Grécia, de onde sairá de avião diretamente para o Catar, depois do Irão lhe ter trocado as voltas.

Estamos aqui há duas semanas. Temos avião ao meio-dia do dia 18 para o Catar. Terei de deixar a carrinha num amigo meu, aqui em Atenas, porque o Irão negou-nos os vistos para passarmos com a carrinha. Lixaram a viagem toda”, lamenta.

Ninguém perde a oportunidade de posar com Carlos Brum
Ninguém perde a oportunidade de posar com Carlos BrumFlashscore

Uma carrinha… com sentimentos

Carlos Brum começou esta aventura nos anos 70. “Não tinha muito dinheiro nessa altura, comecei com uma carrinha Volkswagen antiga. O primeiro jogo de Portugal que vi no estrangeiro foi esse tal com a Alemanha, em 1985, na qualificação para o Mundial do México. E desde aí que falhei muitos poucos jogos da Seleção. Fui a todos os Mundiais e Europeus mas também aos jogos de qualificação. Só falhei um com a Albânia porque a minha esposa não se estava a sentir bem, teve de ser operada e então não consegui ir”, recorda Carlos Brum, que conduz agora uma carrinha de sete metros, com outras condições, e com o patrocínio do Flashscore.

A carrinha de Carlos Brum, versão Catar-2022
A carrinha de Carlos Brum, versão Catar-2022Flashscore

“A que levei ao Europeu da Ucrânia e da Polónia, em 2012, e depois ao Mundial da Rússia, em 2018, era mais pequena. Vendi-a, juntei um pouco mais de dinheiro e fui buscar esta à Alemanha. Tem um grande motor mas também tem sentimentos. Todos os dias temos de falar com ela e quando nos esquecemos ela faz o favor de aquecer, temos de a desligar durante uns cinco minutos e depois continuar viagem. Ela bem nos avisa”, brinca Carlos Brum que, depois de muitas viagens sozinho – “mais vale só que mal acompanhado”, diz -, desta vez terá a companhia de Ricardo Ferreira, de 40 anos, que conheceu em 2020, na Hungria, no Campeonato da Europa.

Dei boleia ao Ricardo para Portugal, ficámos amigos e eu convidei-o para fazer esta viagem comigo. Antes fazia mesmo a maioria das viagens sozinho”, diz Carlos Brum, que se orgulha de nunca ter tido qualquer problema mecânico em todas estas odisseias.

“Sou um excelente condutor. Nunca vou a mais de 100 quilómetros/hora. Nunca tive sequer um furo. Antes de cada viagem faço uma boa revisão à carrinha e todos os dias de manhã, antes de sair, dou-lhe um beijinho, pergunto como ela está e seguimos caminho”, explica.

O percalço e o susto de uma vida

Com tantos milhares de quilómetros percorridos, a verdade é que, desta vez, Carlos Brum e Ricardo Ferreira tiveram mesmo um percalço. Involuntário, sim, mas um percalço.

Foi na Geórgia. Um camião passou por nós, saltou uma pedra e rachou o vidro. Agora olha, temos de andar assim, quando chegar a Portugal tenho o seguro e meto outro”, explica Carlos Brum, que tem obviamente muitas estórias para contar.

“No Mundial da África do Sul estava a conduzir da Etiópia para a fronteira com a Tanzânia. Era a final da Liga dos Campeões, entre o Inter e o Bayern. Estávamos a passar a fronteira mas disse aos meus amigos que tínhamos de parar para ver o jogo. Vimos um restaurante inglês aberto, a dar o jogo. A comida era péssima, a cerveja quente mas o Mourinho ganhou. No Sudão fomos assaltados. Apontaram-nos armas à cabeça, queriam todo o nosso dinheiro. Conseguimos fugir. Como? Cozinhei para eles. Esparguete, muito vinho, ficaram bêbados e conseguimos sair. Foram sete garrafas de vinho! É a estória mais assustadora que tenho”, conta Carlos Brum.

A carrinha que Carlos Brum levou ao Mundial da África do Sul, em 2010
A carrinha que Carlos Brum levou ao Mundial da África do Sul, em 2010Flashscore

189 países, dez línguas

Com a Geórgia, onde o vidro entrou nas peripécias de viagem, o adepto português passou a 189 países visitados. “Já a contar com o Catar, que já lá estive em agosto. É um cromo repetido”, brinca Carlos Brum. Línguas faladas são dez, ao todo.

Carlos Brum esteve no Catar em agosto
Carlos Brum esteve no Catar em agostoFlashscore

“Inglês, francês e alemão aprendi no liceu. As outras foi a viajar. Saí da ilha Terceira para conhecer o Mundo em 1977. Só estou em Lagos desde 1998, depois de voltar da Ásia, onde vivi durante 22 anos, em todos os países exceto o Butão. É difícil conseguir visto para lá. Falo português, espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, grego, nepali, thai e indiano”, elenca o adepto português.

Um Mundial diferente

Este é, para todos, um Mundial diferente. E Carlos Brum, que já viveu vários na primeira pessoa, não foge à regra, embora impere, como em tudo na sua vida, o otimismo.

“Vai ser num país árabe, algo que nunca aconteceu. Estamos a falar de uma realidade com conflitos políticos, elementos radicais. Eu espero e acho que tudo vai correr bem mas é sempre um risco. Depois o facto de ser jogado nesta altura do ano. Altera um bocado a lógica do Mundial. Mas isso é a corrupção, toda a gente sabe o que aconteceu. Mas uma vez que está feito, que está escolhido, não se pode voltar atrás. Espero que corra tudo bem, que seja um grande Mundial, e que o Catar tente compensar as famílias dos trabalhadores que morreram. Mas promessas, já sabemos como são os políticos…” lamenta Carlos Brum.

Um T1 com vista para o Catar

A fechar, Carlos Brum leva o Flashscore numa visita guiada ao seu T1 adaptado, sobre rodas, para o Mundial. Saiu de Portugal com quatro quilos de bacalhau, queijos, enchidos e vinho.

Do lado de fora, a decorar a carrinha, os principais símbolos nacionais e, claro, o Flashscore.

Flashscore a acompanhar a odisseia de Carlos Brum
Flashscore a acompanhar a odisseia de Carlos BrumFlashscore

Tem o Eusébio, a Amália e o Cristiano Ronaldo, são os nossos símbolos. Depois tem a minha cara, a bandeira de Portugal e coisas dos Açores, que eu sou muito bairrista. Desta vez lembrei-me e pedi a amigos de bares, cafés, padarias, uma pequena ajuda monetária em troca de uma estrelinha com o reclame deles. Deu para fazer as revisões em Portugal, para o gasóleo até chegar aqui e espero que para o gasóleo até regressarmos a casa. Mas nada disto teria sido possível sem a forte ajuda do Flashscore, a quem agradeço publicamente por toda a força que me deu”, termina Carlos Brum.

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