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“Acredito que será um perigo para o Benfica. É um jogador muito rápido e inteligente na forma como sai na primeira fase de pressão, independentemente da posição onde possa jogar, como extremo ou como avançado. Será sempre um perigo, até porque o Benfica tem um ataque posicional muito forte com as linhas bastante subidas. Se jogar como avançado, estará sempre pronto para fazer movimentos de ruptura e depois, com a sua espontaneidade, velocidade e remate, poderá ser fatal. Se jogar na linha, é muito forte nas transições e, confesso, é onde gosto mais de o ver jogar, a fazer movimentos de fora para dentro. O Benfica terá de estar muito atento”, alerta Ricardo Pessoa, treinador que o acolheu na sua chegada a Portugal.
Nessa fase, o técnico comandava o emblema insular e recorda agora os primeiros tempos de Duran no nosso país.
“As características que já demonstrava eram a velocidade, a capacidade com bola, o drible em velocidade, a capacidade de rodar em espaços muito curtos, a finalização... Tem um pé esquerdo fantástico e se analisarmos os golos que tem feito, percebemos que têm muito a ver com isso, com remates de longe, remates colocados, algo que ele sempre teve. Futebolisticamente já tinha tudo isto, mas faltava-lhe mentalidade, espírito de superação e relação com o jogo sem bola. Foram aspetos que tivemos de trabalhar imenso. Em termos de personalidade era um miúdo muito introvertido, especialmente com pessoas desconhecidas, mas só depois mostrou o seu outro lado, o de um excelente miúdo e muito alegre”, explica, sublinhando: “É um miúdo fantástico. Eu gosto muito dele e sei que ele também gosta muito de mim. Eu sei que ele ainda hoje, mesmo estando onde está, continua a falar com os colegas que teve na distrital, pois nós criámos ali uma família, especialmente para este tipo de jogadores que estavam deslocados. E ele tem esse reconhecimento para comigo e para com as restantes pessoas”.

Depois de juntos conseguirem duas subidas de divisão consecutivas, Ricardo Pessoa rumou ao Portimonense, da Liga 2, e fez um pedido: a contratação de Camilo Duran. O atacante brilhou no Algarve e seguiu depois para o Qarabag, do Azerbaijão, antes de se transferir, este verão, para o Celtic por 5 milhões de euros.
“Não me surpreendeu nada este nível a que o Duran chegou. Falámos muitas vezes sobre isso: o patamar que podia alcançar, a importância de acreditar no processo, pois poderia sempre demorar alguns anos, mas que só dependia dele. Ele foi acreditando e não me surpreende nada ter chegado aqui e, sinceramente, com a idade que ele tem (24 anos), ainda poderá subir mais alguns patamares. Acho que o mais importante foi a mudança de mentalidade, foi essa viragem que lhe permitiu estar hoje onde está. A sua capacidade mental, de suportar momentos menos bons, de frustração. O Camilo era um miúdo que, por exemplo, se chegasse ao intervalo e na primeira parte tivesse tido pouco a bola, ficava frustrado, de cabeça baixa, completamente desligado. Eu já o conhecia muito bem e sabia exatamente que tinha de intervir, o que lhe dizer e quando para poder ‘puxá-lo’ para cima. Depois, muitas vezes, nas segundas partes fazia um ou dois golos. Por isso, essa evolução mental foi determinante”, relembra o treinador que mantém ligação estreita com o antigo pupilo.
“Falamos muito, quase todas as semanas, sobre aquilo que é o jogo e de como ele se está a sentir. O que lhe tenho dito é que tenho gostado muito de o ver jogar, especialmente a extremo. Está feliz no Celtic e temos conversado sobre futebol e sobre a vida. Também sobre o frio, que ele é um miúdo que sofre muito com isso. Vejo-o satisfeito e empenhado em fazer uma grande época. Está bastante feliz de ter sido chamado à seleção da Colômbia”, acrescenta.

Enquanto espera que o telefone toque pelo próximo desafio, Ricardo Pessoa estará nas bancadas da Luz a ver Camilo Duran. Em termos pessoais, e depois dessas duas subidas de divisão, de ter experimentado a Liga 3 e de ter salvo o Portimonense da descida na Liga 2, o treinador tem bem definido o passo que pretende dar.
“Procuro encontrar um projeto que se enquadre nas minhas ideias, na forma como vejo o jogo e os jogadores e me permita desenvolver também alguns jovens talentos, como já fiz anteriormente. Nesta fase da minha carreira gostaria de ter essa experiência no estrangeiro e acredito que vá surgir com calma e com discernimento para escolher bem”, finaliza.

