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SIGA lembra FIFA que a confiança no desporto exige "escrutínio independente”

Infantino está no olho do furacão
Infantino está no olho do furacãoProfimedia

A Sport Integrity Global Alliance (SIGA) considerou esta quarta-feira que “a confiança no desporto exige escrutínio independente”, referindo-se à “crise de governação” da FIFA e as suas implicações mais amplas para o futebol e para o desporto.

As questões levantadas são graves. Tocam no âmago da responsabilização institucional, da transparência, da consulta e da confiança. Embora o foco imediato seja a FIFA, as questões em causa estendem-se a todo o sistema do futebol e ao ecossistema mais vasto do desporto”, sublinha o organismo, em comunicado após reunião extraordinária.

Em causa os sucessivos escândalos que têm abalado a FIFA, entre os quais o de pretender vender parte dos direitos comerciais do Mundial a entidades privadas, plano que abortou perante a indignação generalizada, que inclusivamente tem questionado a recandidatura do presidente Gianni Infantino nas próximas eleições do organismo.

O plano previa a criação da FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária destinada a gerir os ativos comerciais e eventos da FIFA, incluindo o Campeonato do Mundo, com a venda de 20% do capital a investidores privados.

A SIGA, cujo diretor-executivo é o português Emanuel Macedo de Medeiros, apela à FIFA para que “realize voluntariamente uma revisão independente dos seus processos de governação e de tomada de decisão, como demonstração do seu compromisso com os mais elevados padrões de governação, transparência e prestação de contas”.

Essa revisão avaliaria a eficácia do quadro de governação da FIFA, identificaria os pontos fortes e fracos institucionais e forneceria recomendações claras e baseadas em evidências para a reforma”, sublinha a instituição, que manifestou a sua “disponibilidade para apoiar esse processo”.

Os participantes na reunião da SIGA apelam a que o escrutínio independente e a certificação se tornem a norma não só em todo o futebol, como no desporto em geral.

Segundo a instituição, este princípio deve aplicar-se à FIFA, às confederações continentais, às federações nacionais de futebol, às ligas, aos clubes e a todas as outras organizações desportivas, “permitindo que cada uma demonstre que é gerida e opera de acordo com os mais elevados padrões”.

Em contraponto com o que observam na FIFA, os participantes reafirmaram a abordagem “independente, imparcial e cooperativa” da SIGA que, asseguram, “continuará a ser orientada para soluções”, num percurso de “ações que continuarão a ser pautadas pela integridade no desporto, pela boa governação e pela prestação de contas”.

A confiança do público não pode assentar na autoavaliação ou na revisão por pares. Exige um escrutínio genuinamente independente e uma certificação credível”, sublinha-se.

A SIGA entende que os seus Padrões Universais de Integridade no Desporto constituiriam “a referência para a revisão” dos procedimentos na FIFA e no desporto em geral.

Considera ainda que a implementação de quaisquer reformas daí resultantes poderia posteriormente ser avaliada e certificada de forma livre através do Sistema Independente de Classificação e Verificação da SIGA (SIRVS).

A confiança é o bem mais valioso do desporto. Não pode ser assumida, proclamada nem tomada como garantida. Deve ser conquistada, demonstrada e protegida”, conclui a entidade.

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