Ténis: Loïs Boisson já "digeriu" os meses "mais complicados" da sua carreira

Loïs Boisson em 2025
Loïs Boisson em 2025EMMANUEL WONG / GETTY IMAGES ASIAPAC / GETTY IMAGES VIA AFP

Afastada dos courts de ténis há mais de seis meses, a francesa Loïs Boisson (46.ª) regressa esta terça-feira à competição no WTA 1000 de Madrid, determinada a deixar para trás os meses "mais complicados" da sua jovem carreira.

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Revelação da primavera de 2025, quando alcançou as meias-finais de Roland-Garros, a francesa de 22 anos não voltou a competir desde setembro, altura em que desistiu na terceira ronda do WTA 1000 de Pequim, devido a uma sucessão de lesões e "erros do lado médico".

Numa entrevista concedida à AFP, afirma estar convencida de que tem "capacidade para fazer grandes coisas no ténis", a um mês de regressar aos courts do Grand Slam parisiense.

- Depois de mais de seis meses afastada dos courts, como se sente?

- Se estou aqui, é porque estou melhor. Estes últimos meses foram muito complicados, os mais difíceis desde que jogo ténis. Também não os consegui gerir bem a nível mental, digamos assim. Mas o facto de tudo ter acontecido desta forma faz-me pensar que não foi por acaso, que aprendi algumas coisas e que isso também me vai ajudar no futuro. Estou convencida de que tenho capacidades para alcançar grandes feitos no ténis. Hoje sinto-me feliz por sair disto mais forte e por já ter digerido um pouco tudo isto.

- Foi difícil digerir este período depois das expectativas criadas pelo seu percurso em Roland-Garros?

- Talvez sem me aperceber, sim, isso acrescentou uma espécie de stress, de pressão, algo a que simplesmente não estava habituada, toda esta atenção à minha volta. Mas foi sobretudo por causa das lesões, por não ter conseguido fazer o que poderia ter feito graças a Roland-Garros.

- Como explica esta sucessão de lesões (primeiro na perna, depois no braço)?

- As duas pequenas lesões que tive na perna não foram graves, acontecem a toda a gente em determinado momento. O facto de disputar muitos encontros seguidos também torna tudo mais exigente fisicamente. Mas foi sobretudo esta lesão no braço que foi inesperada, sinceramente, e difícil de gerir.

- Adiou várias vezes o seu regresso. Acha que sentia ansiedade com a ideia de voltar a um court de ténis?

- Houve bastantes erros do lado médico. Diziam-me sempre prazos que não eram reais e que não correspondiam ao tempo de que realmente precisei. Por isso é que houve vários falsos regressos (nomeadamente no WTA 250 de Ruão). Estava demasiado apertada nos prazos. Não tinha conseguido retomar certos golpes do ténis mesmo antes da data. Por isso, não fazia sentido ir disputar um encontro. Não o conseguiria terminar.

- O contraste entre a atenção mediática e do público após Roland-Garros e os seus seis meses de ausência foi difícil?

- Sim e não, porque no fundo, tudo voltou um pouco ao que era antes, como sempre vivi. A única coisa que realmente custou foi estar fora do court, só isso.

- Quais são as suas primeiras sensações em Madrid?

- Sinto mesmo uma boa energia. O facto de regressar ao circuito, a um torneio, faz-me sentir que recupero algo que já não tinha há algum tempo. Isso também me ajuda a continuar este processo de recuperação.

- Vai defrontar esta terça-feira ao final do dia a norte-americana Peyton Stearns (43.ª). Como encara este encontro?

- Não tenho expectativas especiais, para além daquelas que sempre tive. Naturalmente, entro no court para vencer, entro para dar 100%. Mas acima de tudo, vai ser um enorme prazer voltar ao court apenas para jogar ténis e poder jogar sem dores.

- Colabora agora com o neerlandês Hendrick Vleeshouwers, ex-treinador de Amanda Anisimova. O que pode ele trazer-lhe?

- Só coisas boas, na minha opinião. É um treinador que conheço há muito tempo. Quando era mais nova, tive oportunidade de passar algumas semanas com ele. Conhecíamo-nos fora do court, digamos assim. Tem uma enorme experiência no circuito. E temos claramente a mesma visão para mim, para o meu jogo, para o meu ténis.