Ténis: A melancolia de Stefanos Tsitsipas que a terra batida monegasca não conseguiu apaziguar

Stefanos Tsitsipas foi derrotado
Stefanos Tsitsipas foi derrotadoREUTERS/Manon Cruz

Três vezes vencedor no Rochedo, Stefanos Tsitsipas foi eliminado sem brilho logo na 1.ª ronda esta segunda-feira. O grego já não sente qualquer prazer em estar num court, nem sequer em terra batida.

Reveja aqui as principais incidências da partida

Foi desolador ver Stefanos Tsitsipas desperdiçar a sua estreia em Monte Carlo, um torneio em terra batida onde já foi rei por três vezes. Frente a Federico Cerúndolo, cabeça de série número 16 do Masters 1000 monegasco, mas longe de ser especialista em terra, o grego jogou ao contrário, foi quebrado logo de início e sofreu oito jogos consecutivos entre os dois sets. Só a instabilidade do adversário permitiu voltar à discussão, mas mesmo a liderar 5-3 no primeiro set ou a recuperar de 0-4 para 4-4 no segundo, nunca deu a sensação de controlar o rumo dos acontecimentos. 49% de primeiras bolas, seis quebras sofridas, 39 erros não forçados para 19 winners: Tsitsipas afundou-se por completo. Ocupa esta segunda-feira o 49.º lugar do ranking mundial e dentro de uma semana cairá para além da 60.ª posição.

Aos 27 anos, o ateniense ainda é capaz de alguns rasgos, como frente a Daniil Medvedev em Doha e Alex de Minaur em Miami, sempre na 2.ª ronda. No entanto, também pode desmoronar-se por completo, como aconteceu na 3.ª ronda em Miami diante de Arthur Fils (derrota por 6-0, 6-1). O regresso à sua superfície de eleição deveria ter sido um novo impulso, mas apenas o remeteu para as suas dificuldades.

Tsitsipas vive um paradoxo: o seu maior peso é também o seu salva-vidas. É já uma "tradição": durante os encontros, o pai Apostolos faz-se ouvir constantemente. Não pára de falar com o filho, o que pode ser exasperante. Por várias vezes, o filho tentou libertar-se do pai, mas a realidade é esta: Stefanos sempre jogou melhor com Apostolos por perto. A breve passagem por Goran Ivanisevic em 2025 não resultou e o croata, que trabalhou durante muito tempo com Novak Djokovic, admitiu nunca ter visto um jogador tão pouco preparado como Tsitsipas. O campeão de Wimbledon 2001 também apontou a falta de ambição do grego em querer realmente lutar pelos lugares cimeiros ao longo da época. E só com o seu pai ao lado é que conseguiu lá chegar.

Menos de um ano depois, a resposta é clara: Tsitsipas está à deriva e é natural questionar-se sobre a sua saúde mental. É evidente que não tem vontade de estar no court. Pior ainda: isso deixa-o infeliz. Há pouco tempo, embora pareça já ter passado um século, teria vencido Cerúndolo sem grandes dificuldades, com aquele seu raro mas sempre elegante backhand a uma mão. Merece mais do que este sofrimento visível a olho nu, tanto como jogador como enquanto pessoa.

Ténis