Roland Garros: Djokovic admite "preparação não ideal" para conquistar o 25.º Grand Slam

Djokovic espera vencer Roland Garros
Djokovic espera vencer Roland GarrosREUTERS/Ciro De Luca

Novak Djokovic chega este ano a Roland Garros a enfrentar um adversário familiar, mas que nem o recordista de 24 títulos do Grand Slam consegue ultrapassar: o tempo.

O sérvio, que completa 39 anos esta semana, já não é a presença inamovível que foi em tempos e a sua lendária resistência é agora cada vez mais uma preocupação num desporto moldado por rivais mais jovens e fisicamente explosivos.

A questão não é apenas se conseguirá vencer mais um Roland Garros, mas sim como continua a adaptar o seu jogo e mentalidade para contrariar o desgaste natural que acompanha o avançar da idade.

Apesar de o seu calendário ser mais seletivo e a abordagem mais pragmática, Djokovic admitiu que gostaria de ter tido mais tempo em terra batida antes de chegar a Paris. Disputou apenas três torneios em 2026 e perdeu o único encontro em terra batida frente ao qualifier croata Dino Prizmic no Open de Itália deste mês.

Djokovic desistiu dos torneios de Miami, Monte Carlo e Madrid devido a uma lesão no ombro – com ligadura visível durante a sua breve passagem por Roma.

"Não é uma preparação ideal, para ser sincero. Não me recordo da última vez, nos últimos anos, em que tive uma preparação sem qualquer tipo de problema físico ou de saúde antes de um torneio. Há sempre algo. É uma nova realidade com que tenho de lidar", afirmou Djokovic, que será o terceiro cabeça de série em Roland Garros.

É uma admissão franca de um jogador que construiu a sua carreira com planeamento meticuloso e resiliência física, mas que agora enfrenta as realidades de um corpo envelhecido.

"É frustrante. Ao mesmo tempo, é a minha decisão continuar a competir nestas condições", disse.

O registo de Djokovic em Roland Garros sublinha porque não pode ser descartado. A ausência do bicampeão em título Carlos Alcaraz é outro fator a seu favor.

Tricampeão em Roland Garros e um dos poucos jogadores a criar dificuldades constantes a Rafael Nadal nesta superfície, Djokovic atingiu sempre, no mínimo, os quartos de final em todas as edições desde a derrota na terceira ronda em 2009.

"Vejo o que me falta"

Mas as exigências físicas da terra batida são implacáveis, e Djokovic está plenamente consciente das pequenas perdas que a idade traz.

"Vejo o que me falta. Chego meio passo atrasado. Não estou, de todo, onde quero estar para competir ao mais alto nível e conseguir ir longe", afirmou.

As épocas mais recentes também evidenciaram o desafio crescente de manter o rendimento máximo ao longo das duas semanas de um Grand Slam. Os encontros que antes pendiam para o seu lado agora exigem excelência constante do primeiro ao último ponto. A sua preparação, como reconhece abertamente, tem limites.

"Treino muito. Treino tanto quanto o corpo me permite. Depois, como corre em campo, isso é realmente imprevisível", indicou.

No entanto, Djokovic é apenas um de dois jogadores que conseguiram vencer o grande favorito ao título Jannik Sinner esta época, tendo terminado o seu reinado no Open da Austrália. Realizou aquela que considerou uma das suas melhores exibições da última década para superar o italiano em cinco sets nas meias-finais de janeiro, motivado por quem já o dava como acabado.

"Nunca deixei de duvidar. Nunca deixei de acreditar em mim próprio. Há muita gente que duvida de mim. Vejo que há muitos especialistas que, de repente, quiseram reformar-me ou já me reformaram várias vezes nos últimos anos. Quero agradecer-lhes a todos porque deram-me força. Deram-me motivação para lhes provar que estavam errados", disse na altura o antigo número um mundial.

Djokovic acabaria por perder para Alcaraz na final – e não conquista títulos do Grand Slam desde o US Open de 2023 – mas seria insensato descartá-lo novamente, como já provou inúmeras vezes.