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É preciso recuar à primavera de 2024 para ver o ex-n.º 3 mundial, agora 53.º, chegar à segunda semana de um Grand Slam: foi na terra batida de Roland-Garros, onde atingiu os quartos de final. Em Nova Iorque, nunca passou da terceira ronda.
Aos 28 anos, o ateniense tem mostrado bons sinais desde o início da quinzena.
Na primeira ronda, virou o encontro frente ao outsider francês Arthur Fils (11.º), depois de estar a perder por um set a zero e 5-3 no segundo set. Depois, ultrapassou um segundo jogador do top 20 na terceira ronda, o checo Jiri Lehecka (19.º), após voltar a ceder o primeiro set.
"Já não jogava assim há algum tempo. É muito fácil perder a confiança, sobretudo quando não se vence jogadores de topo há muito tempo. É uma vitória importante", congratulou-se.
As imagens contrastam com a sua eliminação no ano passado na segunda ronda, derrotado em cinco sets pelo alemão Daniel Altmaier. Tsitsipas abandonou o court com uma grave lesão nas costas que o impediu de andar durante dois dias.
As suas costas fizeram-no sofrer durante várias semanas, ao ponto de o levar a duvidar do futuro da sua carreira, admitiu no início do ano.
"Deixei de sentir prazer nos treinos porque o meu corpo sofria. Ao entrar no court, a minha primeira preocupação era 'Será que vou conseguir acabar o jogo?'. Antes, essa questão nem se colocava", explica agora.
"Uma voz diferente"
Durante um ano, o duplo finalista de Grand Slam (Roland-Garros 2021 e Open da Austrália 2023) percorreu os torneios num relativo anonimato até cair para a 88.ª posição mundial em junho, a alternar entre o sofrimento nas costas e a pressão dentro da sua equipa.
Em junho, a sua ex-companheira espanhola Paula Badosa, com quem manteve uma relação por várias vezes em 2023 e 2025, veio a público classificar a relação, muito exposta mediaticamente, como "tóxica", considerando que isso afetou a sua própria carreira de tenista.
"Desejo-lhe o melhor na sua carreira no ténis e para o resto", respondeu Tsitsipas ao meio de comunicação grego especializado MatchPoint247.

Pouco antes de Wimbledon, no final de junho, o ateniense anunciou o fim definitivo da colaboração com o seu pai e treinador de sempre, Apostolos.
"Precisava de uma voz diferente, de alguém que trouxesse um pouco mais de calma ao meu universo do ténis. Havia demasiado caos e barulho à minha volta", explicou.
"Percebi também que ter ao nosso lado pessoas que, por vezes, fazem sobressair o pior de nós em vez do melhor, são coisas que é preciso corrigir", acrescentou.
"Uma nova carreira"
Juntou-se ao francês Patrick Mouratoglou, antigo treinador de Serena Williams e Naomi Osaka, que já o tinha acompanhado em 2021. No dia a dia, é acompanhado por Thomas Perrin, membro da estrutura Mouratoglou. "Estamos a criar um ambiente fantástico", congratula-se Tsitsipas.
"Acho que ele está a jogar cada vez melhor no final dos encontros. Isso está relacionado com a forma como fala consigo próprio durante os jogos. Tinha períodos de apagão. Essas fragilidades geravam um stress que podia levá-lo a perder quatro jogos consecutivos", comentou à AFP Patrick Mouratoglou.
Os resultados apareceram de imediato, já que conquistou no final de julho em Gstaad (ATP 250, terra batida) o seu primeiro título após 16 meses de jejum. Será que vai voltar aos grandes palcos como nos seus melhores tempos?
"Disse-lhe 'o passado é passado. Não vale a pena olhar para trás'. É uma nova carreira que começa", conta o seu treinador.
Tsitsipas treinou-se no sábado ao meio-dia perante muitos curiosos no court n.º 4 com um esquerdino como parceiro de treinos, para se preparar da melhor forma para defrontar Ben Shelton, 9.º mundial e candidato credível ao título em Nova Iorque depois do seu triunfo no Masters 1000 de Montreal.
"Vai ser preciso acreditar a 100%. É um jogador muito diferente, esquerdino, que pratica um ténis de altíssimo risco com um serviço monstruoso. Vai ser um encontro super entusiasmante", prevê Mouratoglou.
