Vereadores da Câmara do Porto preocupados com situação do Boavista

Vereadores da Câmara do Porto preocupados com situação do Boavista
Vereadores da Câmara do Porto preocupados com situação do BoavistaBoavista FC

O vereador do PS na Câmara do Porto Manuel Pizarro mostrou-se esta terça-feira preocupado com a situação do Boavista, pelo serviço de desporto de formação que presta à cidade e pelo património, que deve continuar a servir os portuenses.

Para Manuel Pizarro, a situação dos axadrezados “preocupa muito”, pelas “várias dimensões” na qual ainda intervém, a começar pelo destino do clube, que cabe “aos sócios” liderar, e depois os mais de mil jovens “que praticam desporto graças ao Boavista”.

É necessário assegurar a permanência dessa prática desportiva, independentemente da conjuntura muito difícil que o emblema atravessa. E há uma terceira questão, a patrimonial. O Boavista tem um património muito relevante, pelo valor, mas também para toda a zona que rodeia o estádio”, notou, à saída de uma reunião privada do executivo camarário.

O socialista saudou a “boa notícia” que recebeu do executivo, de que “a Câmara não abrirá mão das atuais prescrições do Plano Diretor Municipal para a zona”, destinada a equipamentos desportivos.

Para evitar um “aproveitamento especulativo daqueles terrenos”, entende o PS que “é preciso mais”, tendo feito o apelo para que a autarquia garanta um espaço desportivo “útil às pessoas da cidade e da comunidade”.

Desse ponto de vista, nós iríamos mais longe, transformando toda aquela zona numa área de reabilitação urbana, permitindo ao município, aos poderes públicos, ganharem nova capacidade de intervenção em todo o processo de reutilização do estádio e dos terrenos”, afirmou.

Questionado sobre se pretendia que a autarquia adquirisse o estádio, admitiu que essa seria uma possibilidade “em última instância”, usando de direito de preferência, porque “aquele espaço não pode ser perdido para a atividade desportiva na cidade”, e a Câmara do Porto deve estar “do lado da tentativa de manter o clube” e dar uma utilização comunitária ao circundante.

A última coisa que posso aceitar é que uma instituição centenária, tão importante para a cidade, possa estar condenada à morte. Há 20 anos, poderia dizer-se o mesmo sobre o Salgueiros”, lembrou.

Para o vereador Miguel Corte-Real, do Chega, o Boavista “é muito mais do que um clube de futebol” e merece “muita atenção”, e por isso vê com bons olhos que o presidente tenha o tema “em conta e o acompanhe”, manifestando-se disponível “para colaborar para encontrar uma solução” que possa garantir o papel do clube no desporto de formação, mas também defender “a instituição e uma zona da cidade muito importante”.

Que não se perpetuem por ali mamarrachos sem uso, como seria o estádio hoje, ao não ter uso”, avisou.

Na sexta-feira, uma loja e 15 garagens foram alienadas no leilão de 30 ativos imobiliários do Boavista, realizado no âmbito do processo de insolvência do clube, enquanto outros 13 lotes subterrâneos e um apartamento não receberam ofertas mínimas.

O Boavista havia chegado a acordo com os credores para manter a sua atividade, sob o compromisso de cobrir o défice corrente da sua exploração, mas falhou no mês passado o depósito na conta da massa insolvente de 54.180 euros, sobre despesas correntes mensais, mais 96.000 euros, numa das prestações, tendo a primeira quantia sido assegurada com intervenção do acionista maioritário da SAD axadrezada, o hispano-luxemburguês Gérard Lopez.

O clube teve a sua liquidação aprovada em setembro, por estar a gerar prejuízos na massa insolvente, acumulando dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), enquanto a SAD viu os respetivos credores votarem por unanimidade a continuação da atividade da sociedade, e hoje a SAD joga nos distritais, enquanto o clube não conseguiu inscrever equipa sénior, como pretendia, por estar solidário com as dívidas da sociedade.

Futebol