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Exclusivo com Edson Valencia antes da Supertaça: “Com dores ou sem dores, vou para a frente"

Edson Valencia vai cumprir a terceira época consecutiva ao serviço do Sporting
Edson Valencia vai cumprir a terceira época consecutiva ao serviço do SportingSporting CP, Flashscore

Edson Valencia é um dos motores do Sporting, atual bicampeão nacional de voleibol. O oposto detalhou quais são os segredos dos leões, elogiou a evolução do campeonato nacional, assegurou, em entrevista ao Flashscore, que em Alvalade os títulos conquistados fazem parte do passado e que o plantel às ordens de João Coelho continua faminto por mais conquistas.

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O venezuelano de 38 anos, que se inspira em Kobe Bryant e Michael Jordan, aterrou como um meteorito no esquadrão verde e branco e foi uma das peças que ajudaram o emblema leonino a roubar a hegemonia do voleibol nacional que estava nas mãos do Benfica. Além do bicampeonato, o Sporting conquistou as últimas duas edições da Supertaça, a última Taça de Portugal da modalidade e soma dez triunfos seguidos diante das águias da Luz.

Edson Valencia é o porta-voz das ambições da equipa de voleibol do Sporting
Edson Valencia é o porta-voz das ambições da equipa de voleibol do SportingOpta by Stats Perform, Sporting CP

"Queremos continuar a escrever história"

- Já começaram a preparação da nova época. Como é que estão a correr estes primeiros dias de trabalho?

Antes de mais, muito obrigado pelo convite. Sim, já começámos esta semana. Temos um processo de preparação relativamente longo, que inclui avaliações físicas, exames médicos e vários testes. É um protocolo bastante completo e que considero muito positivo.

Antes de começarmos a parte física mais exigente, o clube procura garantir que todos os jogadores estão aptos para iniciar os trabalhos nas melhores condições e sem correr riscos. Esta primeira semana tem sido sobretudo dedicada a esses testes e avaliações.

- O Sporting tem alguns reforços, como Rafael Pinto, Diogo Almeida, João Rafael, Noslen Díaz e Jorge Alayo. Como é que se estão a integrar na dinâmica da equipa?

Ainda levamos poucos dias de trabalho, mas a primeira impressão é muito boa. No caso do Díaz e do Alayo, o facto de serem latino-americanos também acaba por facilitar um pouco a integração. Já conheci o Rafael e também me pareceu ser uma pessoa muito simpática.

Ainda faltam alguns jogadores, mas entre aqueles que já estão connosco existe uma dinâmica muito positiva, com boa energia e alegria. Todos têm sido muito recetivos e acredito que os reforços se vão integrar muito bem na nossa forma de trabalhar e na essência que temos enquanto equipa.

- O Sporting vem de duas épocas de grande sucesso a nível nacional e esteve também perto de dar um passo importante nas competições europeias. Quais são os objetivos para esta temporada?

Gosto de separar os objetivos pessoais dos coletivos. A nível individual, o meu objetivo é tentar ser a melhor versão possível do Edson Valencia em cada treino e em cada dia. Mais do que pensar num objetivo muito distante, concentro-me no dia seguinte. Trabalhar, trabalhar e voltar a trabalhar, porque acredito que os resultados aparecem dessa forma. Coletivamente, sabemos que muitas vezes é mais difícil mantermo-nos no topo do que lá chegar. É necessário trabalhar muito para continuarmos em condições de conquistar títulos.

Naturalmente, queremos continuar a ganhar. No desporto, alguém vence e alguém perde, mas entramos sempre com a intenção de lutar pela vitória. Queremos voltar a conquistar títulos e, se possível, construir uma era importante na história do Sporting. Já conseguimos o bicampeonato e agora queremos continuar a escrever essa história. Se vierem o tri, o tetra e outros títulos, serão muito bem-vindos.

- Depois de dois campeonatos consecutivos e de várias conquistas e vitórias frente ao Benfica, pode dizer-se que o Sporting domina atualmente o voleibol nacional?

Não gosto muito de colocar as coisas dessa forma, porque isso pode gerar algum ruído. Temos de saber desfrutar das vitórias e valorizar aquilo que conquistámos, mas sem pensar que, por sermos bicampeões, o trabalho está feito. Como disse, mantermo-nos no topo é ainda mais difícil do que lá chegar. Se queremos lutar pelo tricampeonato, sabemos perfeitamente que não será nada fácil.

Temos de apagar um pouco aquilo que aconteceu anteriormente e começar novamente do zero. Se ficarmos presos à ideia de que já ganhámos, isso pode jogar contra nós. Da mesma forma que queremos voltar a vencer, os nossos adversários vão trabalhar para recuperar o título ou fazer o melhor campeonato possível. Na última época ganhámos todas as competições nacionais, mas isso ficou para trás. Agora começa tudo novamente.

Concorrência e crescimento do campeonato

- O Benfica também mudou bastante, com um novo treinador, Sakis Psarras, depois de um ciclo longo com Marcel Matz e vários reforços de peso. Como é que olha para as mudanças no principal rival?

É inevitável estarmos atentos aos novos jogadores e às alterações que os adversários fazem. Existe sempre alguma curiosidade para perceber como vai funcionar a nova equipa do Benfica. Mas, quando falamos de rivalidade e de resultados, tudo se decide dentro de campo. Podemos olhar de fora para os jogadores que chegaram e para as mudanças que foram feitas, mas só quando começarem os jogos perceberemos verdadeiramente como funcionará a equipa.

- Além de Sporting e Benfica, que outras equipas podem intrometer-se na luta pelo título?

O campeonato português é bastante interessante nesse aspeto. Não é segredo para ninguém que Sporting e Benfica têm dominado nos últimos anos, mas isso não significa que os restantes jogos sejam fáceis. Na época passada, por exemplo, tivemos muitas dificuldades frente ao Santo Tirso. Não podemos entrar em campo a pensar: "Somos o Sporting". Temos de jogar da mesma forma contra o último, o segundo ou o terceiro classificado.

Há equipas que, pela sua tradição e qualidade, conseguem criar muitas dificuldades. A Académica de Espinho é um exemplo. O Vitória SC também realizou uma época muito boa. Mesmo que algumas dessas equipas não terminem entre as três primeiras, são adversários muito complicados. Não podemos relaxar em nenhum momento, porque será uma época muito exigente.

Sporting venceu as duas últimas edições do campeonato nacional de Voleibol
Sporting venceu as duas últimas edições do campeonato nacional de VoleibolSporting CP

- O campeonato português tem um nível competitivo interessante. Se pudesse tomar decisões para tornar a competição ainda mais mediática e levar mais pessoas aos pavilhões, o que faria?

Para mim, uma questão fundamental seria a transmissão dos jogos. Não sei exatamente como funciona essa vertente, por isso estou apenas a dar a minha opinião, mas acho que seria muito importante existir uma maior cobertura do campeonato.

Seja através de um canal de YouTube ou de um canal de televisão, seria importante transmitir muitos mais jogos. Quem não pode deslocar-se ao pavilhão precisa de ter outra forma de acompanhar a modalidade e criar essa ligação. Se as pessoas começarem a ver os jogos na televisão ou noutras plataformas e a ouvir falar mais do campeonato, poderão ganhar vontade de ir ao pavilhão.

Neste momento, muitas das pessoas que assistem aos jogos já têm alguma ligação ao voleibol. Precisamos de chegar a outro público. Acredito que uma maior visibilidade poderia ajudar muito a aumentar as assistências e a fazer crescer o campeonato de uma forma geral.

A longevidade de Edson Valencia e o elixir da juventude

- Aos 38 anos, continua a ser considerado um dos melhores jogadores do campeonato. Qual é o segredo desta longevidade e onde vai buscar energia para aguentar uma época inteira?

Muito obrigado por essas palavras. Sinceramente, não sei se existe propriamente um segredo. Sou uma pessoa extremamente competitiva e gosto muito de grandes desafios. Acho que uma das coisas que me permite continuar a este nível é eliminar as desculpas. Se tenho de fazer um salto e é difícil, tento fazer dois. Quando uma situação se torna mais complicada, ainda fico mais motivado. Na minha cabeça penso: "Era difícil e consegui fazer."

Nos treinos acontece exatamente a mesma coisa. Quando são muito exigentes, quando estamos cansados ou quando alguém pode estar com menos energia, tento dar ainda mais. Encaro isso como um desafio. Vou ultrapassando pequenos obstáculos todos os dias e procuro não arranjar desculpas. Naturalmente, às vezes tenho uma pequena dor ou algum incómodo, mas, se posso treinar, avanço. É para fazer? Então faço.

Essa mentalidade tem-me ajudado muito ao longo da carreira. Talvez seja essa a explicação.

- E em termos de preparação, alimentação e nutrição, o que faz para manter essa vitalidade?

Acho que está muito mais relacionado com o treino do que propriamente com a alimentação. Não é segredo para ninguém que gosto muito de arroz. Até brincam comigo por causa disso. Como de forma relativamente normal: arroz, estufados e comida da minha terra, da Venezuela e da Colômbia.

Não sou aquela pessoa que pesa tudo o que come, controla ao grama as proteínas ou está sempre a comer saladas. Claro que sigo as indicações da nutricionista e tomo aquilo que a equipa recomenda, mas, em casa, tenho uma alimentação bastante normal.

Onde sou realmente muito exigente é no treino. Mesmo quando estou cansado, procuro cumprir tudo e, se for possível, fazer ainda um pouco mais. Acho que é sobretudo daí que vem essa capacidade para continuar a competir a este nível.

A mudança de ciclo no Sporting: "Passámos a sentir-nos mais do que uma equipa"

- Quando é que se deu o clique para o Sporting começar a superar o Benfica e iniciar este ciclo de conquistas?

Sinceramente, não consigo apontar um momento específico. Acho que o João Coelho, juntamente com o Pedro Teixeira e todo o staff, conseguiu construir um grande grupo de trabalho e, sobretudo, criar um plano com uma intenção muito clara: formar uma equipa o mais competitiva possível.

Quando existe um bom trabalho e um grupo forte, não apenas dentro de campo, mas também no balneário, as coisas começam a mudar. Passámos a sentir-nos mais do que uma equipa, quase como uma família. Deixámos de ser apenas um conjunto com alguns jogadores importantes e passámos verdadeiramente a funcionar como uma equipa, em que todos puxavam uns pelos outros.

Os resultados começaram a aparecer progressivamente. Ganhámos jogos e, nos momentos decisivos, sobretudo nas finais, essa união fez a diferença. Mesmo quando estávamos em desvantagem, continuávamos a acreditar no trabalho e uns nos outros.

O Benfica já tinha um processo consolidado há muitos anos, com um sistema e uma metodologia de trabalho muito fortes e jogadores com enorme raça. Conseguimos aproximar-nos desse nível e construir um grupo sólido, com todos focados no mesmo objetivo. Foi um processo gradual. Trabalhámos sempre juntos, continuámos a puxar uns pelos outros nos momentos difíceis e conseguimos aumentar o nosso nível competitivo até chegarmos a esta fase.

- Até onde pode chegar este projeto do Sporting, não apenas nas competições nacionais, mas também na Europa?

Por mim, que nunca acabe (risos). Mas sabemos que tudo tem um início e um fim. Ainda assim, acredito que esse fim está longe, porque continuamos a trabalhar com o mesmo foco e a mesma metodologia. Tenho a certeza de que os jogadores que estão a chegar vão integrar-se neste método de trabalho que tem dado resultados. 

É um projeto. Essa é a palavra certa. Se continuarmos a trabalhar desta forma, vamos lutar por tudo. Temos um balneário muito forte e qualidade individual. Acredito que estão reunidas as condições para continuarmos a ter sucesso e a lutar por grandes objetivos.

A relação com João Coelho: "Foi uma das principais razões para eu regressar a Portugal"

- Na reta final da última época, João Coelho disse que "não há maior vencedor do que Edson Valencia". Como recebeu essas palavras e como é a sua relação com o treinador?

O João Coelho foi uma das principais razões para eu regressar a Portugal, tal como o Pedro e outras pessoas muito próximas. Ele conhece perfeitamente a minha forma de trabalhar e também sabe como sou fora de campo. Conseguimos criar uma ligação muito boa.

Da mesma forma que ele é obsessivo com o planeamento e com o trabalho, também sabe que, dentro de campo, nunca me vou poupar. Posso estar com um tornozelo partido ou sem uma rótula (risos) e terá de ser ele a dizer-me: "Edson, para", porque, por mim, continuo. Acho que as palavras dele surgem muito por aí. Sabe que, quando precisar de mim, estarei sempre disponível.

Talvez não esteja sempre a 100% das minhas capacidades, mas vou dar sempre 100% daquilo que tiver naquele momento. Se naquele dia o meu máximo for 30% ou 40%, vou entregar esses 30% ou 40% por completo. Com dores ou sem dores, feliz ou triste, vou sempre para a frente.

Já tínhamos trabalhado juntos anteriormente e ele conhecia bem a minha mentalidade enquanto jogador. É também por isso que conseguimos trabalhar tão bem juntos até hoje.

Edson Valencia é uma das armas do Sporting
Edson Valencia é uma das armas do SportingOpta by Stats Perform, Sporting CP

- Como se define enquanto jogador e enquanto pessoa?

Como pessoa, sou um pouco louco (risos). Louco, mas feliz. Sou muito descontraído e procuro ser o mais autêntico possível, dentro e fora de campo.

Se o Edson Valencia gosta de dançar e de conversar com os adeptos, com os colegas e com toda a gente, então sou assim em qualquer contexto. Às vezes há música antes de um jogo e não consigo evitar dançar um pouco. Também me rio quando faço algo bem e, por vezes, até quando alguma coisa me corre mal. Mas isso não significa que deixe de lutar a 100%.

Sou uma pessoa muito extrovertida e tento retirar pressão das situações. No fundo, penso: qual é a pior coisa que pode acontecer? Posso não conseguir. Mas, se conseguir, será fantástico. Diria que sou sobretudo isso: muito extrovertido, descontraído e, acima de tudo, um lutador.

Venezuela e as dificuldades do país: "As coisas continuam bastante complicadas"

- É natural da Venezuela, um país que tem atravessado períodos muito complicados, tanto a nível político e económico como, mais recentemente, devido a um desastre natural. Como estão as coisas no país?

A verdade é que as coisas não estão muito boas. Já vínhamos de uma série de dificuldades, nomeadamente a nível político e económico, e o povo venezuelano tem lutado muito ao longo dos últimos anos. Agora surgiu também este desastre natural e é uma situação muito triste.

Tinha, inclusive, uma viagem marcada com a minha família para ir à Venezuela, mas tudo aconteceu cerca de dez dias antes e acabámos por não conseguir ir. Quero enviar muita força a todo o povo venezuelano. A cidade onde aconteceu o desastre continua muito afetada. Perante uma situação destas, temos também de perceber que estamos a falar da natureza e de algo que ninguém consegue prever.

As coisas continuam bastante complicadas. Da nossa parte, estando fora do país, tentamos encontrar formas de ajudar dentro daquilo que nos é possível. Enivio muita força para todos.

- A Venezuela tem historicamente uma seleção muito forte. Qual é o segredo para continuar a produzir jogadores de grande qualidade apesar de todas as dificuldades do país?

Há uma característica que identifica muito os venezuelanos e que também encontramos noutros povos da América do Sul: somos muito aguerridos e orgulhosos. Independentemente das condições, queremos competir. Podemos estar perante uma grande equipa ou um grande jogador, mas não interessa. Queremos jogar.

Durante muitos anos tivemos enormes dificuldades na organização da seleção. Houve ocasiões em que tivemos de dormir num aeroporto e jogar no dia seguinte. Outras vezes, chegávamos ao destino no próprio dia do jogo, depois de viagens de seis ou sete horas, e tínhamos de entrar em campo.

Tudo isso acaba por nos tornar mais fortes e resilientes. Também nos ensina a valorizar aquilo que temos. Às vezes temos praticamente todas as condições e ainda encontramos motivos para nos queixarmos. Quando passamos por situações destas, percebemos melhor o que realmente significa ter dificuldades.

Acredito que essa capacidade de ultrapassar obstáculos tem sido uma das forças da Venezuela. Naturalmente, nem sempre chega. É necessária organização e estabilidade para conseguir resultados consistentes a longo prazo. Mas, quando conseguimos competir a um nível elevado, muito se deve a essa coragem e irreverência que nos caracteriza.

O venezuelano tem 38 anos
O venezuelano tem 38 anosSporting CP

- Recorda algum episódio particularmente difícil ao serviço da Venezuela? Já contou, por exemplo, que chegou a fazer uma viagem de dez horas para conseguir comprar arroz. Essas dificuldades continuam a existir?

Existiram muitas situações complicadas, embora também não queira transmitir uma imagem negativa de todas as pessoas que trabalham na nossa federação e na nossa seleção. Chegámos, por exemplo, a ter forfeits (falta de comparência) em competições por não conseguirmos estar presentes.

A seleção feminina também conseguiu qualificar-se para uma fase seguinte de uma competição internacional, mas depois não teve condições para obter as viagens necessárias e acabou por não poder participar. São situações muito difíceis para qualquer atleta.

Ainda assim, acredito que as coisas estão a melhorar. As nossas seleções jovens começam a apresentar resultados muito interessantes. As sub-17 femininas estão a fazer um excelente percurso no Mundial e os sub-17 masculinos também foram campeões nos Jogos Centro-Americanos. Já começam a surgir sinais positivos e espero que esse crescimento continue.

O futuro de Edson Valencia e referências dentro e fora do desporto

- Tem contrato com o Sporting até ao final desta época. Quais são os seus planos para o futuro e até quando pretende continuar a jogar?

Quero jogar enquanto o corpo aguentar (risos). Neste momento, deixar de jogar não está sequer perto dos meus pensamentos. Quanto ao Sporting, teremos de esperar. Ainda não posso dizer durante quanto tempo esta ligação continuará. Dependerá da vontade do clube, da minha própria vontade e também da forma como as coisas forem evoluindo.

A minha ideia é continuar a jogar durante muitos anos e, se possível, deixar um legado importante. Seria um sonho poder cumprir cinco ou seis épocas no Sporting e conquistar títulos em mais de metade delas. Seria fantástico. Mas temos de ir passo a passo. Agora vamos para a terceira época e queremos lutar para conquistar o máximo possível.

- Quais são as suas maiores referências, não apenas no voleibol, mas também no desporto em geral ou noutras áreas?

A nível desportivo, gosto muito da mentalidade do Kobe Bryant. Também admiro Michael Jordan. Mais do que aquilo que fizeram enquanto atletas, tento perceber como funcionava a cabeça deles, porque mentalmente eram extraordinários. Gosto de investigar essa vertente emocional e perceber como trabalhavam a mentalidade, porque há sempre coisas que podemos retirar desses exemplos e aplicar na nossa vida.

Em termos políticos, sinceramente, não gosto de política. Tento observar e compreender os diferentes pontos de vista, posso concordar com algumas coisas e discordar de outras, mas mantenho-me bastante afastado. As minhas principais referências são pessoas próximas. Sobretudo os meus pais, porque conheço os sacrifícios que fizeram para conseguir aquilo que têm. No desporto, sim, Kobe Bryant, Michael Jordan e outras grandes figuras despertam-me curiosidade, sobretudo pela mentalidade que tinham.

- É aquilo a que se chama a "Mamba Mentality"...

Exatamente. Mamba Mentality. Fazer aquilo que tem de ser feito. Adoro essa mentalidade. O Kobe era extraordinário. Chegou a fazer coisas incríveis, como lançar livres depois de romper o tendão de Aquiles. Era um craque.

- Na sua opinião, quem são os melhores jogadores da atualidade? E quais são os opostos que mais gosta de ver jogar ou que servem de inspiração?

Vou contar-te um segredo que pode parecer um pouco engraçado: não sou o maior conhecedor de voleibol (risos). Sou jogador, claro, mas comecei relativamente tarde e a minha aprendizagem foi sempre muito empírica. Preocupo-me pouco com aquilo que está à minha volta e concentro-me sobretudo em tentar fazer o melhor possível.

Posso gostar muito de ver um determinado adversário jogar e, depois, até esquecer-me do nome dele. Sou um desastre nesse sentido (risos). Costumo brincar com o Pedro e com o João Coelho sobre isso. Por mim, basta dizerem-me: "Edson, há jogo no sábado." E eu apareço no sábado para jogar. Contra quem? Não me interessa. Se disserem que o jogo é quarta-feira, estarei pronto na quarta-feira.

Quanto a jogadores que me marcaram, gostava muito de ver jogar alguns atletas pela raça e pela forma como nunca demonstravam medo perante nenhum adversário. Identifico-me muito com esse tipo de mentalidade: jogadores que entram em campo e avançam sempre, independentemente de quem está do outro lado. Mais do que ter um oposto específico como referência, gosto de observar diferentes jogadores, retirar algumas coisas do jogo deles e continuar concentrado naquilo que posso fazer melhor.

Mensagem aos sportinguistas

- Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos sócios e adeptos do Sporting para a nova época?

Antes de mais, quero agradecer aos nossos adeptos por todo o apoio. Quero que saibam que têm mais do que uma equipa ou um conjunto de jogadores. Têm uma família dentro de campo, que vai lutar por todos eles e fazer tudo para colocar o nome do Sporting o mais alto possível.

E deixo também uma mensagem a todos os adeptos de voleibol: continuem a apoiar a modalidade e, se possível, apoiem ainda mais. É um desporto muito bonito e muito mais complexo do que, por vezes, as pessoas imaginam. Queremos desfrutar, divertir-nos e proporcionar bons momentos a quem nos acompanha. Espero que seja uma época maravilhosa, com muita gente nos pavilhões. O campeonato está a crescer cada vez mais e queremos sentir o apoio de todos ao longo da temporada.

Edson Valencia registou 321 pontos na última edição do campeonato nacional
Edson Valencia registou 321 pontos na última edição do campeonato nacionalSporting CP
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