Voleibol: Rui Moreira quer deixar "legado" e treinar em Itália, Turquia e na seleção

Rui Moreira é o treinador do Dentil
Rui Moreira é o treinador do DentilDentil Praia

O português Rui Moreira elogiou esta sexta-feira a “superação” do seu Dentil Praia Clube rumo ao título brasileiro feminino de voleibol, assumindo a ambição de deixar um “legado” e o sonho de treinar em Itália ou na Turquia.

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Foi o corolário de uma época de superação. Sou português e o nosso campeonato, apesar de ter melhorado muito, ainda tem um nível inferior à Superliga brasileira. Por isso, surgiram muitas dúvidas, mas não na nossa estrutura. Chegar e ganhar o campeonato logo no primeiro ano é muito bom”, destacou o técnico, de 40 anos.

Em declarações à Lusa, o treinador, que em Portugal foi campeão pelo FC Porto e depois pelo Benfica, comentava a sua aventura no Brasil, onde a sua equipa começou a época de forma titubeante, mas concluiu-a na melhor fase com um concludente triunfo na final sobre o Gerdau Minas, por 3-0.

Tivemos uma pré-época muito difícil. Cheguei com as minhas ideias e a saber que tinha de me ajustar, mas a saber que elas são, em muitas coisas, diferentes daquilo que as pessoas estão acostumadas, daquilo que é tradicional no meu país: na metodologia, na forma de liderar e de conduzir o grupo, no modo de estudar o jogo. E isso leva tempo. E nós nunca tivemos tempo porque, infelizmente, tivemos muitas lesões”, contou.

O título canarinho vai permitir ao Dentil Praia Clube competir no campeonato sul-americano, na Supertaça e também no Mundial de Clubes de 2027, competição que falhou esta época, depois de um ano de mau desempenho desportivo.

Dias depois de André Sá se ter sagrado campeão francês feminino pelo Mulhouse, Rui Moreira revelou o desejo de que este seu feito ajude a “abrir um pouquinho mais portas aos treinadores portugueses por esse mundo fora”.

O luso recordou que há três meses a sua equipa estava “completamente desacreditada”, porém o grupo, já com alguma maturidade em termos de idades, reagiu da melhor forma, culminando a temporada com o título que consagrou Rui Moreira também como o melhor treinador da Superliga brasileira, na qual contou com três jogadoras na formação ideal da competição, incluindo Adenízia, eleita a melhor do torneio.

O português entende que o seu sucesso se deve a “muito trabalho, resiliência, estudo e crença forte nas ideias e metodologia”, além da “exigência” que tem consigo próprio e com quem o rodeia.

Rui Moreira ainda quer “conquistar muitas coisas” no Brasil, admitindo que, no seu horizonte, ambiciona liderar um projeto italiano ou turco, uma vez que se trata dos “dois melhores campeonatos do Mundo, logo seguido pelo brasileiro”.

A competência não tem nacionalidade. Da mesma forma que não pensava que poderia ter chegado aqui tão rápido, tenho o sonho de um dia comandar uma seleção e com ela participar em importantes provas internacionais, e tenho o sonho de competir em Itália e na Turquia”, assumiu.

O treinador admite, inclusivamente, voltar a trabalhar em Portugal.

O mundo é redondo, a nossa vida está a dar muitas voltas. Há um ano e meio não me passava pela cabeça estar aqui agora. Não sabemos o dia de amanhã. A qualquer momento, posso ter de voltar a Portugal. Os clubes são bons e investem, as infraestruturas são de excelência e o nível continua a subir”, reconheceu.

Elogiou o trabalho que a federação portuguesa tem feito na promoção do voleibol feminino, tal como a aposta dos clubes na modalidade, nomeadamente os que os finalistas do atual campeonato, FC Porto e SC Braga, bem como o Benfica e Sporting.

Seja qual for o seu futuro, norteia sempre o seu presente com a vontade de “deixar um legado”, construído com a colaboração do seu adjunto Diogo Fernandes.