A Cadillac N.º 12, pilotada pelo suíço Louis Deletraz, pelo britânico Will Stevens e pelo francês Norman Nato, assumiu o lugar da sua gémea N.º 38 no topo da hierarquia das 24 Horas de Le Mans, uma prova centenária de renome mundial que alguns pilotos comparam à "ascensão ao Evereste".
O francês Sébastien Bourdais, que já tentou por várias vezes vencer em casa, volta a falhar ao abandonar antes das 07:00 horas de Lisboa devido a uma avaria na direção da sua Cadillac número 38, juntamente com os seus companheiros de infortúnio, o neozelandês Earl Bamber e o britânico Jack Aitken.
Em 21 participações em Le Mans, Bourdais conseguiu como melhor resultado o 2.º lugar por três vezes (2007, 2009, 2011).
Assim, tudo aponta para um duelo final entre Cadillac, Toyota e BMW, com os três carros a serem os únicos ainda no mesmo volta, após 17 horas de corrida.
A Toyota N.º 8 do suíço Sébastien Buemi, do neozelandês Brendon Hartley e do japonês Ryo Hirakawa está à frente da BMW N.º 20 do neerlandês Robin Frijns, do alemão Rene Rast e do sul-africano Sheldon van der Linde.
Pela manhã, enquanto alguns espectadores passaram uma noite fria e desgastante nas bancadas, os Hypercars, a atingir os 340 km/h num ruído ensurdecedor, cometeram erros de condução que lhes custaram caro.
A BMW N.º 15, que partiu da pole position no sábado perante 400.000 pessoas sob um sol abrasador, envolveu-se num incidente com um retardatário, foi obrigada a ir às boxes para reparar e caiu na classificação.
Ferrari comete erros
A Ferrari, que detém o título em Le Mans há três anos consecutivos e é tricampeã mundial desde 2023, também cometeu alguns erros, entre penalizações de quatro segundos por pequenas infrações e sustos no meio do tráfego.
A N.º 50 italiana, que ainda sofreu um problema mecânico, desceu para as últimas posições da tabela.
A Cadillac, que tal como a Ferrari tinha três carros em pista, procura a sua primeira vitória em Le Mans, tentando destronar a marca italiana de carros desportivos e o gigante japonês Toyota, que partilham todos os títulos desde 2018.
Seria a primeira vez que uma marca norte-americana vence desde o triunfo histórico da Ford sobre a Ferrari em 1966.
As Toyota, que tiveram dificuldades a meio da semana durante os treinos e qualificações, partiram de trás na grelha de partida, mas subiram ao grupo da frente graças a uma estratégia de reabastecimentos alternada.
Os dois carros nipónicos ocupam o segundo e o quarto lugares.
A terceira Ferrari, uma poderosa 499P amarela da equipa privada AF Corse número 83, vencedora em 2025, beneficiou da entrada do carro de segurança após uma saída de pista de um GT a meio da noite.
Está em 6.º, atrás da segunda Ferrari oficial.
As duas Alpine no top 10
Do lado francês, as duas Alpine ocupam o 7.º e o 9.º lugares. Os muito elegantes Hypercars A424 do construtor gaulês, cuja casa-mãe Renault determinou a saída do endurance no final da época, têm feito uma prova sólida até ao momento.
Já os Peugeot 9X8, que estão a "levar um banho de água fria" na Sarthe segundo o diretor da marca francesa, Alain Favey, no centenário da sua participação, ocupam o 12.º e o 13.º lugares, beneficiando do abandono de um Genesis, filial da Hyundai estreante no Campeonato de Endurance WEC.
Na categoria intermédia Le Mans Prototype 2 (LMP2), com 19 carros com o mesmo chassis francês Oreca, a francesa Doriane Pin, piloto de desenvolvimento da Mercedes na F1 e uma das duas únicas mulheres à partida, recuperou a liderança e está a lutar pela vitória, juntamente com os seus colegas Julien Andlauer e Richard Verschoor.
Por fim, em GT3, é um Aston Martin Vantage que liderava as operações, perante centenas de milhares de espectadores, muitos dos quais acampam junto ao circuito ou dormiram no chão das bancadas, entre os mais apaixonados.
