Raramente se fica desiludido com Mondo Duplantis. Se havia algumas dúvidas quanto à sua forma física à chegada à Hungria, uma semana depois de ter desistido de surpresa em Bruxelas devido a um desconforto na perna, o sueco dissipou-as rapidamente na noite de sexta-feira.
Apesar do ar fresco (15°C), garantiu o espetáculo perante cerca de 20.000 adeptos presentes nas bancadas do centro nacional de atletismo de Budapeste, no arranque destes novos campeonatos que prometiam espetáculo, inovação e grandes prestações.
Com novo cenário ou não – o interior da pista foi coberto de preto e os jogos de luz multiplicaram-se no estádio –, Duplantis manteve a sua habitual superioridade, controlando o concurso do início ao fim, ultrapassando todas as barras à primeira tentativa, exceto nas tentativas falhadas de recorde do mundo.
Com 6,20 m, ficou à frente do seu rival grego Emmanouil Karalis, que também realizou um concurso sólido com 6,15 m, apesar de uma queda aparatosa no batente mais cedo na prova, e do norueguês Sondre Guttormsen (5,95 m).
"Se ganhar nos campeonatos Ultimate, terei um título que o Usain Bolt não tem, o que é algo raro", dizia Duplantis antes da nova competição. Agora, o sueco, que foi coroado campeão da Europa em agosto, termina o verão com um troféu inédito, mas sem recorde do mundo, algo que não acontecia desde 2021.
O público húngaro, no entanto, ainda não se despediu dele. Duplantis é novamente esperado no estádio no domingo para cantar perante os adeptos o hino dos campeonatos ("Gold"), que ele próprio compôs e que já se fez ouvir várias vezes na sexta-feira.
Ingebrigtsen em demonstração
Pensada para a televisão, com um formato reduzido e finais diretas apenas com os melhores, a primeira noite dos Ultimate coroou os seus primeiros campeões.
Além de Duplantis, Jakob Ingebrigtsen conquistou uma vitória categórica nos 5.000 m e marcou encontro para os 1.500 m no domingo.
Depois de ter sido coroado campeão da Europa da disciplina no mês passado em Birmingham, no regresso à competição após meses de lesão, superou os norte-americanos Cole Hocker (13'00.05) e Partner Wolfe (13'00.13), cortando a meta em 12'59.24, apenas o seu segundo tempo abaixo dos 13 minutos.
Bem colocado no grupo da frente à entrada da última volta, impressionou ao deixar todos os adversários para trás numa reta final eletrizante.
"É fantástico. Há poucas semanas nem pensava conseguir fazer uma época 2026. Mas tudo começou a melhorar e estou a aproveitar esta forma que está a regressar", acrescentou o norueguês, que tem participado em vários meetings desde meados de agosto.
Ao vencer os 5.000 m na sexta-feira, Ingebrigtsen arrecadou os 150.000 dólares (129.000 euros) prometidos a todos os campeões Ultimate, prémios inéditos no atletismo e mais do dobro dos atribuídos a um título mundial (70.000 dólares).
Poderá até duplicar o prémio no domingo se vencer os 1.500 m, disciplina para a qual recebeu um convite especial da Federação Internacional.
Outros cinco campeões Ultimate foram coroados na sexta-feira. A ucraniana Yaroslava Mahuchikh venceu o concurso de salto em altura com 1,99 m, o alemão Merlin Hummel impôs-se no lançamento do martelo (81,46 m), a italiana Larissa Iapichino triunfou no salto em comprimento (6,90 m), enquanto os norte-americanos Masai Russell e Ja'Kobe Tharp venceram respetivamente os 100 m barreiras (12.22) e os 110 m barreiras (12.94).
