Recorde aqui as incidências do encontro
Mário Gomes (selecionador de Portugal):
“Quero dar os parabéns à seleção da Geórgia pela vitória. Foram uma equipa muito mais madura e coletiva do que nós e controlaram o jogo por completo do início ao fim. Mesmo quando estivemos na frente do marcador, mantiveram a compostura e souberam gerir a partida.
Ao olhar para o resultado, a ideia imediata é que permitimos 98 pontos por falhas defensivas, mas o nosso problema principal esteve no ataque. Tomámos más decisões e tivemos uma péssima execução ofensiva. Não tivemos a paciência necessária para construir as jogadas, nem jogámos verdadeiramente como uma equipa.
A nossa percentagem de dois pontos foi muito boa, mas não fomos tão bons no lançamento de três pontos. Apesar dessa eficácia díspar, arriscámos tantos lançamentos de dois como de três. Faltou discernimento para perceber onde poderíamos ferir o adversário, insistindo num lançamento exterior que hoje não estava a funcionar.
Cometemos 19 perdas de bola que originaram pontos diretos para a Geórgia, além de termos gerido muito mal as faltas efetuadas. Fizemos faltas desnecessárias, concedendo cestos com lance livre adicional. Ao intervalo, quase metade dos pontos do adversário vinham da linha de lance livre devido a essas desconcentrações.
A causa principal para este rendimento abaixo do esperado foi a ansiedade. A equipa quis tanto vencer, sabendo que estava perto de algo histórico após o triunfo em Espanha, que não conseguiu gerir a pressão. A atitude e a intensidade dos jogadores foram irrepreensíveis, mas a responsabilidade técnica é minha.
O nosso objetivo é ir ao Campeonato do Mundo, mas não alcançar essa meta não constituirá um fracasso. A seleção tem feito um percurso positivo, mas ainda precisa de caminhar para integrar a elite europeia. Vencer em Espanha não nos transforma automaticamente numa das melhores seleções da Europa.
Mantemos os pés bem assentes na terra e continuamos a depender apenas de nós próprios para alcançar a qualificação. A derrota tornou o caminho mais difícil e não capitalizámos a vantagem que tínhamos com a vitória fora. Faltam quatro jogos e no final faremos as contas, com total compromisso para novembro."
Leia aqui a crónica da partida
Neemias Queta (jogador de Portugal):
"Parabéns à Geórgia, que foi a equipa mais consistente ao longo de todo o encontro. Conseguiram pressionar-nos, forçaram muitas perdas de bola e souberam capitalizar esses erros. Faltou-nos paciência no ataque para explorar as nossas forças, mas temos de aprender com os erros e continuar a lutar nas próximas janelas.
Eles demonstraram grande consistência nos dois lados do campo e dominaram o ressalto. Mesmo quando estivemos a liderar no primeiro quarto, mantiveram-se focados e foram à linha de lance livre converter pontos decisivos. Nos minutos finais, ainda tentámos recuperar, mas era uma desvantagem demasiado grande para recuperar.
É um sentimento único e de enorme orgulho jogar em casa e sentir o apoio dos portugueses. Demonstra que as pessoas se interessam pelo basquetebol e reconhecem o trabalho árduo que temos vindo a realizar na seleção nacional. Agradeço a presença de todos e prometo que continuaremos a dar o nosso melhor.
Não posso falar por todos os colegas, mas eu senti-me bem e confiante para este jogo. Quando ganhamos, não somos os melhores do mundo, e quando perdemos, também não somos os piores. Saber gerir a pressão é fundamental para qualquer atleta que ambiciona alcançar grandes objetivos ao mais alto nível.
Fico com um sabor amargo por este resultado, pois quero vencer sempre que represento a seleção. Não é fácil ter de acompanhar a equipa de longe durante a época, mas tenho total confiança no grupo. Temos uma seleção unida, com anos de trabalho conjunto, capaz de ultrapassar os momentos difíceis".
