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Um triplo no início dos dois últimos minutos, dois lances livres a seis segundos do fim para sentenciar definitivamente o jogo 111-115: o homem do corte de cabelo ananás esteve letal frente aos Knicks, e terminou com 23 pontos.
Muitas vezes criticado pelas suas decisões, que lhe custaram 20 perdas de bola em dois jogos destes playo-ffs frente ao Oklahoma City Thunder, Stephon Castle já não é o mesmo jogador de há três semanas.
"Talvez seja o mais maduro da equipa, quando é um dos mais jovens", considerou na segunda-feira o francês Victor Wembanyama.
Castle sabe melhor do que ninguém encontrar o gigante francês, de 2,24 metros de altura, muito mais solicitado na segunda-feira perto do cesto do que nos dois primeiros jogos das Finais, seja para um lançamento fácil ou um afundanço (quatro conseguidos na segunda-feira para um total de 32 pontos).
Os dois batizaram o seu duo como Área 51, em referência aos seus dorsais (5 para Castle e 1 para Wembanyama), à alcunha de Wembanyama, Alien, e à base militar no deserto do Nevada onde a lenda diz que o exército norte-americano estudou extraterrestres.
"Vivemos o momento"
Além da associação ofensiva com Wemby, o ex-jogador da Universidade de Connecticut, campeão com os Huskies em 2024, soube esperar pelos espaços para abrir caminho sem se perder. Castle faz parte desta geração de bases atípicos, como o canadiano Shai Gilgeous-Alexander ou o esloveno Luka Doncic, que não são os organizadores metódicos do basquetebol tradicional.
Se San Antonio não dispõe de um base puro, tem o luxo de contar com pelo menos três jogadores capazes de avançar com a bola: Castle, De'Aaron Fox e Dylan Harper. "Isso tira-nos pressão a cada um", observa Dylan Harper.
E tal como Wembanyama, Castle destaca-se nos dois lados do campo, ao ponto de ter estado perto de ser escolhido entre os 10 melhores defesas da NBA esta época.
"Para mim, é o melhor defensor exterior da Liga. Seja quem for o melhor jogador adversário, desde Steph Curry até Nikola Jokic, cabe-lhe a ele", sublinhou o seu companheiro Carter Bryant na segunda-feira.

A sua estatura (1,98m), mas também a sua potência (97 kg), fazem do melhor rookie da época passada um verdadeiro incómodo, capaz de dificultar a vida aos atacantes desde a linha média.
"É um dos três ou quatro jogadores suficientemente físicos na Liga para que (Jalen) Brunson não tenha vantagem sobre eles", comentou Kenny Smith, ex-base campeão da NBA, na ESPN. Graças a isso, "faz-lhe baixar a percentagem de lançamento".
Habitualmente bastante certeiro, a estrela dos Knicks lança apenas com 37% nestas Finais e perde em média mais de quatro bolas por jogo.
"Não vamos parar agora"
Castle encarna estes surpreendentes Spurs, na sua maioria estreantes nos play-offs, mas que demonstram um sangue-frio que quase nunca lhes falha. A perder por 0-2 e à beira do abismo nas Finais, conseguiram dar a volta aos Knicks num Madison Square Garden em ebulição, conseguindo mesmo conter uma última reação final dos anfitriões.
No desporto coletivo, fala-se muitas vezes em ir jogo a jogo, mas no caso destes Spurs, a despreocupação impõe-se claramente acima de tudo. "Não nos preocupamos com o futuro. Vivemos o momento", diz Carter Bryant.
Não é do tipo que se exalta, Castle "está sempre tranquilo", observa De'Aaron Fox.
"Está a fazer um grande trabalho a controlar o nosso ataque... Mantém-nos atentos", acrescenta Bryant.
Considerados, no início da época, como modestos candidatos aos play-offs, os Spurs contrariaram os prognósticos apesar da sua inexperiência. Agora vão por tudo. "Chegámos até aqui e não vamos parar agora", avisa Stephon Castle.
Na quarta-feira, no quarto duelo das Finais, novamente no mítico Madison Square Garden, têm a oportunidade de o confirmar.
