Recorde as incidências da partida
“É uma honra enorme poder arbitrar o jogo da principal competição europeia feminina de clubes. Isto é o culminar de muito trabalho, é um reconhecimento, é confiança. E é extraordinário, do ponto de vista desportivo, poder viver por dentro um evento destes, estar dentro de campo e ajudar a que seja um espetáculo de alto nível”, confessou à agência Lusa Sónia Teixeira.
A árbitra portuguesa comentava o facto de ter sido a juíza principal da final que opôs fortes rivais turcas, na qual o Fenerbahçe venceu o Galatasaray, por 68-55, e conquistou assim o seu terceiro título.
Sónia Teixeira assumiu que este foi o “ponto mais alto” da sua carreira e admitiu ter sentido mais orgulho do que pressão pela responsabilidade, afinal já tinha dirigido, várias vezes, as finalistas, pelo que havia um “conhecimento mútuo”: este era “apenas mais um jogo”, com a particularidade de contar com cerca de 11.000 espetadores nas bancadas, em Saragoça, Espanha, onde se disputou a final four.
“Em termos de visibilidade, foi único, porque é o topo da competição de clubes. Mas, ao longo da minha carreira, tive vários momentos altos, várias finais, quer em Portugal, quer fora”, elucidou.
Atingir este patamar, depois de 14 anos como árbitra internacional, só foi possível com “grande sacrifício, numa carreira dual”, uma vez que, licenciada em economia – tem ainda pós-graduação e mestrado -, trabalha no setor bancário.
Assim, toda a vida teve de fazer uma “ginástica” única para dirigir partidas internacionais, com o sacrifício logístico de voar após intensos dias de trabalho e o de voltar no primeiro voo para a sua profissão, muitas vezes com grande desgaste físico e após noites praticamente em claro.
“É como com um iceberg: as pessoas veem a parte de fora, o sucesso, mas todo este esforço fica debaixo de água”, ilustrou, assumindo-se realizada por consegui conciliar as duas paixões e “evoluir muito positivamente em ambas”.
Sónia Teixeira iniciou a arbitragem aos 19 anos, quando jogava na segunda divisão, no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, num percurso no qual chegou a acumular, na mesma época, também a de treinadora, no minibasket do Olival Basto, além dos estudos.
“Houve um ano em que fiz as três coisas: jogava, arbitrava e treinava. Foi uma loucura, mas deu-me outra visão do jogo e empatia com todos os participantes”, sublinhou.
Percebeu que era impraticável essa trilogia, contudo destaca a importância, para o conhecimento do jogo, de ter sido jogadora, bem como treinadora, factos que a ajudaram a atingir patamares de excelência na sua missão.
Sónia já não alimenta o sonho olímpico, deixando-o para “outra portuguesa”, pois decidiu colocar um “fim prematuro” à carreira, marcado para este verão, mas, ainda assim, reconhece que o seu exemplo pode “inspirar” outras mulheres a apostar na mesma profissão no desporto.
“Não deixem de sonhar, trabalhem muito e não desistam à primeira contrariedade. Se tivesse desistido com as primeiras contrariedades, não estaria aqui hoje. Tenham resiliência, acreditem, vão atrás dos sonhos e rodeiem-se de pessoas que vos possam ajudar. Eu estarei cá para tentar ajudar”, prometeu, assumindo que há ainda “muita margem para progressão” das mulheres na arbitragem.
Por isso, num Portugal no qual “muitas vezes se critica mais do que elogia”, a árbitra lisboeta envia uma “mensagem motivacional” a todas as mulheres com aspirações no desporto.
