Benfica prevê lucro de 8,4 milhões de euros no orçamento do clube para 2026/27

Benfica tem duas Assembleias Gerais a 27 de junho
Benfica tem duas Assembleias Gerais a 27 de junhoSL Benfica

O Benfica prevê um lucro de 8,4 milhões de euros (ME) no orçamento do clube para 2026/27, com o presidente Rui Costa a garantir que o documento alia a "ambição desportiva" à "sustentabilidade financeira" para vencer títulos.

O Benfica entra na nova época mais forte, mais participado e mais preparado para o futuro. O crescimento da massa associativa, a aprovação de projetos estratégicos, a valorização dos seus ativos e os resultados positivos que se esperam alcançar demonstram que estamos a construir bases sólidas para um ciclo de desenvolvimento sustentado”, lê-se na nota introdutória da proposta de orçamento do clube encarnado para a época 2026/27.

No documento a que a Lusa teve hoje acesso e que será apreciada pelos sócios em Assembleia Geral (AG) no dia 27 de junho, o líder encarnado sustenta que o orçamento permite ao clube “continuar a cumprir os seus compromissos, reforçar a competitividade dos plantéis e continuar a investir na ambição desportiva que define o Sport Lisboa e Benfica”.

O orçamento aponta para rendimentos de 70 ME e gastos de 61,6 ME, valores que permitem projetar um resultado positivo de 8,4 ME.

A previsão representa uma melhoria face aos 3,91 ME inscritos na previsão de execução da época 2025/26 e supera igualmente os 7,65 ME registados no exercício de 2024/25.

Do lado da receita, a principal rubrica continua o merchandising, com 25,1 ME (36%), seguida das quotizações com 23,5 ME (34%) e os royalties da marca Benfica com 10,7 ME (15%).

Já a despesa deverá atingir 61,6 ME, tendo como principais componentes os serviços externos, com 20,6 ME (33%), e os gastos com pessoal, de 20,4 ME (33%).

Na mensagem introdutória, Rui Costa considera que o documento reflete “rigor e ambição”, sustentado no crescimento das receitas próprias, na expansão da massa associativa e na concretização de projetos estruturantes capazes de gerar valor de forma recorrente.

O presidente dos encarnados defende ainda que a política de gestão deve continuar subordinada à valorização da componente desportiva na estrutura de custos, conciliando o investimento nas equipas com uma gestão criteriosa dos recursos disponíveis e “promovendo a máxima eficiência nas despesas não diretamente afetas aos plantéis”.

A proposta de orçamento, acompanhada pelo plano de investimentos e pelo parecer do Conselho Fiscal, será votada pelos sócios na AG em 27 de junho, às 14:00, após a reunião magna que vai apreciar o Relatório e Contas da época 2025/26, marcada para as 08:30.

Aprovados em março de 2025, os novos estatutos do Benfica introduziram um mecanismo que prevê a demissão automática da Direção caso o relatório de gestão e contas seja rejeitado duas vezes pela AG.

Contudo, os estatutos estabelecem igualmente que esse mecanismo apenas produz efeitos "a partir do segundo ano do exercício" de cada Direção, pelo que não poderá ser aplicado à equipa liderada por Rui Costa nas primeiras contas apresentadas após a eleição de outubro de 2025.

Estas reuniões magnas acontecem, depois de, em junho de 2025, os associados terem chumbado o orçamento para 2025/26 com uma maioria expressiva de 73,80% de votos contra, num ato em que votaram 1.056 sócios e que antecedeu as eleições de outubro desse ano, nas quais Rui Costa acabou por ser reeleito.

O documento então apresentado pela Direção liderada por Rui Costa previa um resultado positivo de 5,5 ME.

A reprovação representou um agravamento da contestação interna à gestão do presidente encarnado, num ano marcado pela realização de eleições no clube.

Também em 2024, Rui Costa, que lidera o clube desde 2021, não obteve a maioria absoluta exigida pelo artigo 57.º dos estatutos à data em vigor, para que o orçamento fosse aprovado.