“A centralização é regularmente associada à melhoria de preços e a uma comercialização mais eficiente. Ainda assim, os casos pela Europa sugerem que uma reforma estrutural por si não é suficiente para assegurar a criação de valor, em particular para clubes pequenos e com procura internacional limitada”, referem os analistas da Morningstar DBRS.
Um dos exemplos citados é o francês, em que o principal escalão tem enfrentado instabilidade contratual e uma redução da receita doméstica.
“Hoje, a liga francesa gera menos receitas de direitos audiovisuais que há 10 anos, sublinhando que o posicionamento no mercado, atratividade de produto e a concorrência entre os compradores são, pelo menos, tão importantes quanto a estrutura”, refere.
A análise regista que a primeira divisão portuguesa “combina o desenvolvimento de talento de nível mundial com um dos regulamentos de direitos de transmissão menos eficientes entre as competições europeias”.
A Morningstar DBRS aponta que as academias de Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal “são constantemente colocadas entre as melhores a nível global”, mas a estrutura descentralizada dos direitos televisivos “resulta numa grande desigualdade nas receitas entre os clubes portugueses”, nomeadamente entre os três grandes.
Segundo a análise, o modelo atual restringe a monetização geral da liga e enfraquece o equilíbrio competitivo, acabando por limitar a visibilidade de clubes mais pequenos e diminuir o apelo da competição.
Nesse sentido, aponta que o sucesso da reforma “vai depender de diversos fatores inter-relacionados, como o desenho e segmentação dos pacotes de direitos, a competitividade do processo de venda dos direitos e a habilidade da liga em fortalecer o seu apelo nacional e internacional.
“Para Portugal, em que as receitas internacionais com o audiovisual continuam relativamente subdesenvolvidas, aumentar a atratividade e a comercialização do produto da liga serão essenciais para alcançar os benefícios pretendidos com esta reforma”, sublinharam os analistas.
Numa comparação com as cinco principais ligas europeias, as três principais equipas da liga portuguesa somam 68% do valor de comercialização dos direitos audiovisuais, contra 31% em Espanha, 29% em França e Itália, 24% na Alemanha e 19% em Inglaterra.
O rácio de distribuição entre o clube com mais receita e o valor mediano da liga é de 13,4 vezes em Portugal, contra 3,1 vezes em Espanha, 2,7 vezes em França e Itália, 1,7 vezes na Alemanha e 1,3 vezes em Inglaterra.
Ainda assim, os analistas da Morningstar DBRS apontam que os benefícios de uma centralização dos direitos variam de forma significativa no tamanho do mercado e no apelo internacional.
Para Portugal, a estimativa é de 195 milhões de euros, segundo a UEFA, e coloca-a junto de Turquia (168 milhões de euros), Países Baixos (164 milhões de euros) e Bélgica (83 milhões de euros).
“Ainda assim, a transição para um modelo de centralização deve garantir benefícios estruturais. Ao substituir contratos de transmissão negociados individualmente com mecanismos de venda coletiva, a distribuição de receita torna-se menos dependente da capacidade de negociação e desempenho de cada clube”, ao mesmo tempo que pode melhorar o potencial de investimento da liga.
Na semana passada, as sociedades desportivas dos campeonatos profissionais aprovaram a proposta apresentada pela Liga Centralização para distribuição das futuras receitas provenientes da comercialização dos direitos audiovisuais do futebol português.
A proposta assenta num modelo que combina diferentes critérios de repartição, valorizando o mérito desportivo, o desempenho nas competições nacionais, o ranking europeu da UEFA e o histórico recente dos clubes na Liga.
