A contratação do técnico português, de 46 anos, para tentar devolver o Wolves ao primeiro escalão após a descida esta época ao Championship, representa mais um capítulo de uma parceria que transformou o Wolverhampton numa plataforma de projeção de talento luso no contexto europeu.
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Desde a chegada dos investidores chineses da Fosun International ao clube, em 2016, o Wolverhampton consolidou uma forte ligação ao mercado português, impulsionada pela proximidade ao empresário Jorge Mendes, fundador da Gestifute e uma das figuras mais influentes do futebol mundial.
Com essa ligação, o Wolverhampton passou a ter acesso a alguns dos principais talentos lusos da última década, tornando-se uma espécie de “porta de entrada” privilegiada para o futebol inglês.
No banco, a história começou com Nuno Espírito Santo, que assumiu a equipa em 2017 e protagonizou o período mais bem-sucedido da era moderna do clube.
O antigo guarda-redes conduziu o Wolverhampton ao título do Championship em 2017/18, com 99 pontos, garantindo o regresso à Premier League, na qual alcançou dois sétimos lugares consecutivos e uma histórica presença nos quartos de final da Liga Europa, em 2019/20.
Seguiu-se Bruno Lage, que orientou os ingleses entre 2021 e 2022, mantendo a equipa entre os lugares intermédios da principal liga inglesa, antes de ser substituído após uma quebra de resultados.
Vítor Pereira tornou-se o terceiro treinador português a assumir o comando técnico do Wolves, numa passagem mais curta, antecedendo agora a chegada de César Peixoto para iniciar um novo ciclo.
A influência portuguesa fez-se sentir ainda mais dentro das quatro linhas. Mais de 30 futebolistas lusos representaram o Wolverhampton ao longo dos últimos anos, um número sem paralelo para qualquer outra nacionalidade estrangeira na história do clube.
Entre os casos mais emblemáticos está Rúben Neves, que chegou em 2017 proveniente do FC Porto, numa transferência surpreendente para o segundo escalão inglês. O médio acabaria por se tornar capitão da equipa, símbolo da subida à Premier League e um dos maiores ídolos da história recente do clube, somando 249 jogos.
João Moutinho, campeão europeu por Portugal em 2016, também deixou marca no estádio Molineux, com mais de 200 partidas realizadas e um papel determinante na consolidação da equipa entre a elite do futebol inglês.
Já Diogo Jota transformou-se numa das maiores histórias de valorização do projeto. Contratado ainda jovem, marcou 41 golos pelo Wolves antes de ser transferido para o Liverpool por um valor milionário.
Além destes três casos, também os internacionais portugueses Rui Patrício, Pedro Neto, Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Matheus Nunes, Vitinha, José Sá, Daniel Podence e Fábio Silva passaram pelo Wolves.
O Wolverhampton detém o recorde inédito de alinhar com sete futebolistas portugueses no onze inicial num jogo da Premier League, feito alcançado pela primeira vez em 22 de janeiro de 2022, diante do Brentford, tornando-se o clube com mais titulares da mesma nacionalidade estrangeira num jogo em toda a história do futebol inglês.
Atualmente, o plantel continua a contar com presença portuguesa, destacando-se nomes como José Sá, Toti Gomes e Rodrigo Gomes.
A chegada de César Peixoto reforça assim uma ligação que ultrapassa a simples tendência de mercado e que se tornou uma das relações mais duradouras entre um clube inglês e o futebol português.
