Carlos Alcaraz: "Não quero ser escravo do ténis, gostava de ter também uma vida normal"

Carlos Alcaraz não vai participar este ano em Roland Garros
Carlos Alcaraz não vai participar este ano em Roland GarrosPSNEWZ / Sipa Press / Profimedia

Carlos Alcaraz (23 anos) não está atualmente a participar em torneios, mas continua a captar a atenção do público. O tenista espanhol concedeu uma longa entrevista à revista "Vanity Fair", na qual falou abertamente sobre a sua carreira, o lado mental do desporto e a rivalidade com Jannik Sinner.

"Sei que estou a viver o sonho, a vida com que sempre sonhei, mas por vezes gostava de ter mais momentos para mim, fazer coisas que qualquer jovem faria. Tenho consciência de que ainda tenho pela frente mais 12 ou 15 anos de carreira, mas não quero pensar demasiado nisso, porque acaba por me sobrecarregar. Não quero ser escravo do ténis, gostava de ter também uma vida normal", afirmou Carlos Alcaraz.

O tenista espanhol abordou ainda a pressão que a vida de desportista profissional acarreta fora do court. Segundo ele, hoje em dia é preciso pensar muito mais em cada aparição pública.

"Acho que atualmente temos de ser muito mais cuidadosos com o que dizemos e fazemos, mas no fundo somos apenas pessoas. É stressante, porque temos de estar sempre a pensar no que fazemos, quando fazemos e onde estamos", disse Alcaraz. Admitiu também que nem sempre é fácil lidar com a pressão diária e as obrigações inerentes a uma carreira profissional.

Uma parte importante da entrevista foi dedicada à sua rivalidade com Sinner. Ambos são frequentemente apontados como os principais rostos da nova geração do ténis masculino.

"Mostramos ao mundo que é possível sermos rivais dentro do court e tentarmos vencer o outro a todo o custo. Mas fora do court, somos apenas dois rapazes que se dão muito bem", referiu Alcaraz.

Para o espanhol, não é necessário existir animosidade entre grandes rivais. "Ao tentarmos ser melhores do que o outro, estamos sempre a evoluir, a puxar um pelo outro para atingirmos a nossa melhor versão, lutamos pelo mesmo objetivo, mas não é preciso odiarmo-nos por querermos o mesmo", explicou.

Reconheceu ainda que criar uma amizade próxima ao mais alto nível não é fácil. "Quando se joga a este nível, ter uma amizade próxima é complicado. É possível, mas exige muito tempo e esforço", afirmou.

Cuidados com a saúde mental

Carlos Alcaraz focou-se também na importância do bem-estar psicológico. Admitiu que, no passado, por vezes desvalorizou a necessidade de descansar, o que teve consequências negativas no seu rendimento e na sua saúde. "Houve momentos em que não parei para descansar, e isso levou a que não jogasse bem, me lesionasse ou... digamos que as coisas não correram bem", disse. "Acredito que cuidar da saúde mental é tão importante, ou até mais, do que cuidar do corpo", acrescentou.

Por fim, Carlos Alcaraz falou também das suas ambições e dos recordes que gostaria de superar ao longo da carreira. Sublinhou, contudo, que o mais importante para si é manter a sua identidade dentro do court. "Existem recordes que quero alcançar e pelos quais quero lutar, mas acima de tudo quero olhar para trás, no final da minha carreira, e ver o que consegui e como me comparo com os outros", afirmou Alcaraz.

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