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“Só posso falar do que é público e esta não é uma situação normal. Trabalhei com Ronaldo desde a primeira vez que ele chegou à seleção principal e tenho pena que a sua saída aconteça desta forma estranha”, disse em declarações à agência Lusa.
Cristiano Ronaldo abandonou na quarta-feira o estágio da seleção portuguesa, na véspera do jogo com a Dinamarca para a Liga das Nações, após conversar com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.
“Após a conferência de imprensa do selecionador nacional, e no seguimento de uma conversa com o presidente da FPF, tomei a decisão de deixar o estágio da seleção nacional”, escreveu o avançado do Al Nassr, nas suas páginas oficiais nas redes sociais.
Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o capitão da equipa das quinas, que capitaneou nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.
Carlos Godinho iniciou funções na FPF em 1974 e 10 anos depois, em 1984, começou a trabalhar diretamente com as demais seleções nacionais, antes de integrar os quadros da formação principal em 1991, num percurso de 50 anos no organismo, que terminou em 2024.

O antigo responsável da FPF manifestou a “máxima simpatia” por tudo o que o selecionador Jorge Jesus fez no futebol, numa carreira digna e construída a pulso, lamentando que o caso não se tenha resolvido de forma interna.
“É estranho que não se tenham resolvido as coisas de forma interna. Existem coisas que acontecem, também aconteceram comigo quando estava com a seleção, e ficaram resolvidas de forma interna, evitando trazer para a praça pública”, referiu.
Carlos Godinho lembrou a imagem de Cristiano Ronaldo a beber um café no relvado antes do treino como um símbolo que algo não estava bem.
“Ele é sempre o primeiro a preparar-se para o treino e quando o vi no relvado ainda de fato de treino a beber um café achei estranho. Tenho pena que não se tenha conseguido estancar estas situações, num caso que realmente existiu”, salientou.
O ex-dirigente frisou que Ronaldo não deve ter ficado contente com o facto de ter estado a aquecer sem entrar, num caso que não considerou nada de extraordinário e que, na sua opinião, podia ter sido resolvido logo com uma palavra no momento certo.
Carlos Godinho espera que o trajeto de 23 anos de Ronaldo na seleção principal não termine desta maneira, numa altura em que Ronaldo não esclareceu se este é um adeus definitivo à seleção.
“Espero que não tenha acabado o percurso na seleção. Sabemos que tem 41 anos, não tem as mesmas condições de há seis ou sete anos, mas cuida-se bem. Esperava outro tipo de saída e espero que venha a acontecer”, concluiu.
Tudo sobre o caso Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo abandonou a 30 de setembro o estágio da seleção portuguesa, na véspera do jogo com a Dinamarca, para a Liga das Nações. "A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses", prometeu o avançado de 41 anos, depois da bomba que caiu sobre o futebol português.
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Portugal lidera o Grupo A4 com seis pontos, contra três da Noruega e também da Dinamarca, que no domingo recebeu e bateu o País de Gales, por 2-0.
O jogo entre Dinamarca e Portugal está marcado para esta quinta-feira, às 20:45 locais (19:45 de Lisboa), no Estádio Parken, e vai ser arbitrado pelo ucraniano Mykola Balakin.

