"Não há volta a dar. Qualquer episódio que aconteça na vida pública causa fraturas. Em qualquer acontecimento instala-se a urgência coletiva de comentar e de escolher um lado, de preferência atacando quem escolheu o oposto. É a lei da trincheira e o episódio de ontem, com Cristiano Ronaldo, é apenas mais um exemplo disso", começou por escrever Duarte Gomes.
"Ainda se sabe pouco sobre o que aconteceu, sobre o contexto, as razões, as circunstâncias específicas, mas na praça pública já há culpados e inocentes. Já há egos excessivos e feridos, gestos justificados e injustificados, comportamentos corretos e errados. Tudo em cima do acontecimento. Ao minuto. Ao segundo, até. A necessidade de se analisar e comentar está cada vez mais pressionada pela velocidade a que circulam informação e desinformação. Quem não entra no jogo, perde o comboio e isso é uma chatice. Obviamente que não é grave termos opinião ou termos que fazer e dar notícias. O grave é transformarmos impressões em certezas antes de haver informação suficiente para analisar as coisas com a serenidade que elas devem ser analisadas. Há uma diferença enorme entre aquilo que sabemos, aquilo que nos dizem e aquilo que se vem a concluir mais tarde. Na maioria das vezes, só o tempo permite esclarecer essa diferença", apontou Duarte Gomes.
"Acho que estamos a perder a capacidade de pensar antes de agir. Falta-nos calma para respirar. Falta-nos equilíbrio e moderação. Acima de tudo, falta-nos responsabilidade. Nas histórias, nem sempre há heróis e vilões. Às vezes todos são um bocadinho de cada ou ninguém é nenhum dos dois. Tempos tramados, estes", concluiu.
