“Estou feliz. É um mix de feelings, porque queria ganhar, mas não desta maneira. Queria que fosse o Rui, porque sei o que ele faz, o que merece. Já fez cinco ou seis vezes segundo, nas outras corridas trabalha para toda a gente e gostava de dar-lhe esta vitória”, disse António Morgado à agência Lusa no final da corrida.
O ciclista das Caldas da Rainha integrou, com Afonso Silva (Tavira-Crédito Agrícola) e o colega de equipa Rui Oliveira, o trio que esteve em fuga durante grande parte da prova de 181 quilómetros e chegou à Guarda por esta ordem.
“O título estava nas previsões da equipa, como é óbvio”, acrescentou António Morgado que, na sexta-feira, já se tinha sagrado campeão nacional de contrarrelógio.
O corredor da UAE Emirates adiantou que “o objetivo era chegar os três juntos", porque "todos mereciam fazer o pódio".
“Era quase garantido que, se chegássemos os três, o Rui – talvez o atleta mais rápido que temos em Portugal – ganhasse”, admitiu.
Mas o ataque de Afonso Silva, um trepador, na última passagem na subida antes da meta estragou os planos da dupla da UAE Emirates
“Ficámos os dois sozinhos e percebi que ele (Afonso Silva) não ia parar e que, talvez, fosse melhor chegar sozinho, porque num sprint destes, muito técnico, curva à direita, curva à esquerda, nunca se sabe e perdes a corrida depois num trabalho enorme”, declarou.
António Morgado acrescentou que, numa corrida como a dos Campeonatos Nacionais, “a primeira fuga tem grandes chances de ir longe. Todos os anos é assim”.
“Nos últimos 10 anos calhou-me a mim ficar atrás e não conseguir engatar na fuga, mas hoje tive sorte e engatei na fuga com o Rui e o Afonso, que estavam superfortes, e conseguimos trabalhar os três até à meta”, sublinhou.
Ainda a “assimilar” o segundo lugar, Afonso Silva disse que “fazer melhor era muito difícil, tendo em conta que eram dois para um e ainda por cima não eram dois ciclistas quaisquer”.
“Estou muito feliz com a corrida que fiz. As sensações são boas, ainda estou a assimilar um pouco o resultado, ainda está tudo muito fresco, mas acho que daqui por algumas horas vou estar ainda mais feliz”, afirmou.
O corredor da Tavira-Crédito Agrícola revelou que o objetivo da equipa era integrar todos os grupos de fuga que tivessem um ciclista dos Emirates e algum da Efapel.
“Consegui isolar-me com estes dois fenómenos e dei sempre o meu melhor, trabalhámos os três com muita vontade de chegar ao fim. Na subida final tentei dar o que tinha para tentar fazer alguma diferença, porque tenho alguma vantagem, e consegui deixar o Rui para trás, mas não o António e depois fui lutar para o segundo lugar”, revelou.
Rui Oliveira, que fechou o pódio na Guarda, era o rosto da desilusão por ainda não ser desta que é campeão nacional de estrada.
“Esta é das corridas de que mais gosto na época e trabalho muito para chegar aqui e estar na discussão da vitória. Felizmente, todos os anos estou na disputa pela vitória, mas o mais importante é que o vencedor foi alguém da equipa”, realçou.
O corredor da UAE Emirates lamentou não ter conseguido o título, mas garantiu que vai tentar, no próximo ano, “lutar outra vez pela camisola”.
“Luto todos os anos para ganhar e estou muitas vezes perto, portanto, se não foi este ano, há-de ser outro. Há que acreditar”, manifestou.
Na sua opinião, “o mais importante é a equipa sair daqui com a vitória”.
