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Ciclismo: Campeão europeu Evenepoel conquistou único grande título por seleções que lhe faltava

Atualizado
Evenepoel impõe-se na linha de meta a Ciccone
Evenepoel impõe-se na linha de meta a CicconeProfimedia

Remco Evenepoel conquistou este domingo o último grande título de seleções que lhe faltava, com o ciclista belga a emendar um erro na derradeira curva para bater Giulio Ciccone ao sprint na luta pelo título europeu de fundo.

Apesar de ter caído e de ter errado a trajetória na última curva, o vice-campeão do Tour 2026 não desistiu e impôs-se merecidamente no final dos 196,3 quilómetros entre Ljubljana e Sencur, batendo, no desempate no photo finish, o italiano, que completou a prova com as mesmas 4:16.37 horas.

Aos 26 anos, Evenepoel fechou o seu palmarés nas principais provas por seleções, juntando o título europeu de fundo aos conquistados no crono continental em 2019 e 2025, aos dois ouros olímpicos de Paris2024, aos quatro títulos mundiais consecutivos no contrarrelógio (2023-2026) e ao arco-íris que alcançou na prova de fundo dos Campeonatos do Mundo em 2022.

“Agora, ganhei todos os campeonatos no ciclismo profissional e é hora de celebrar”, lançou o estelar belga, confessando ter vivido “uma semana difícil”, mais do que quis admitir, “depois da deceção dos Mundiais”, onde foi apenas 12.º na prova de fundo.

Nem sempre o ciclismo é justo, mas hoje foi, apesar dos percalços vividos pelo vencedor da Vuelta 2022, que lançou o ataque decisivo a 37 quilómetros da meta, caiu logo de seguida, regressou à companhia de Ciccone, que trabalhou muito menos, mas pareceu lançado para o título quando Evenepoel cometeu um erro na curva final e ficou atrasado.

"(Quando cortei a meta) pensei que iria ganhar, mas nunca se sabe. Senti um grande alívio (com a vitória)", reconheceu o sucessor do esloveno Tadej Pogacar na galeria dos campeões de uma prova em que o também italiano Christian Scaroni ficou com o bronze, a 59 segundos.

Entre os portugueses, o incansável veterano Nelson Oliveira foi obviamente o melhor, na 27.ª posição, a 03.07 minutos do vencedor, com Tiago Antunes a ser o outro resistente, na 47.ª posição.

“O Nelson voltou a demonstrar a sua qualidade e resiliência num percurso pouco favorável às suas características. Ao Tiago também não podíamos pedir mais, depois de mais de 100 quilómetros em fuga e de ter cumprido plenamente a função que lhe estava destinada”, avaliou o selecionador Valter Sousa, citado em comunicado da Federação Portuguesa de Ciclismo.

Depois de Oliveira ter tentado, foi mesmo Antunes a conseguir integrar a fuga, juntamente com o local Luka Mezgec, que hoje se despediu do pelotão, o sueco Jakob Söderqvist, o checo Josef Cerny, o neerlandês Jochem Kerckhaert e o suíço Fabian Weiss, com o sexteto a ganhar pouco menos de dois minutos.

Ainda antes da entrada no circuito final, Afonso Silva descolou, quase ao mesmo tempo em que o duplamente medalhado nos Jogos do Mediterrâneo Taranto 2026 acelerava na frente da fuga, selecionando o grupo na subida a Mozjanca.

Já após Pedro Silva, o terceiro classificado da Volta 2026, ter ficado para trás, demonstrando que, salvo raras exceções, os ciclistas do pelotão português não têm andamento para estes cenários, também o campeão mediterrânico de contrarrelógio foi alcançado, com a fuga a acabar a 82 quilómetros da meta.

“O Afonso esteve envolvido numa queda após outros atletas caírem à sua frente e ficou bastante maltratado, sendo obrigado a abandonar. Já o Pedro sofreu uma avaria na bicicleta na subida do circuito, que o impossibilitou de continuar”, lamentou o selecionador, destacando a "atitude e compromisso" dos corredores nacionais.

O suíço Jan Christen ainda tentou isolar-se, mas foi preciso esperar pelos derradeiros 37 quilómetros para a corrida voltar a mexer, quando Evenepoel atacou, na companhia de Giulio Ciccone.

O belga caiu uns metros mais à frente, mas rapidamente regressou à bicicleta e voltou a juntar-se ao italiano.

Enquanto o duo tentava manter os perseguidores à distância, Pogacar aparecia pendurado num carro da organização a saudar os adeptos do seu país, despedindo-se presencialmente da camisola das estrelas que pouco vestiu – por ter a de campeão mundial – e que não pôde defender devido à queda grave que sofreu na Volta a Espanha.

Foram vários os ciclistas que tentaram fazer a ponte para a frente, mas Evenepoel e Ciccone só aumentaram progressivamente a vantagem para o segundo grupo, de onde saltou Scaroni.

Foi o duplo campeão olímpico a assumir sempre as despesas do trabalho, com o italiano a passar apenas esporadicamente pela frente, já na aproximação à meta, e a beneficiar de um erro do belga, que voltou a demonstrar toda a sua resiliência para cortar a meta em primeiro.

Na outra corrida hoje disputada nos Europeus da Eslovénia, que decorrem até quarta-feira, as portuguesas Marta Esteves e Bárbara Santos terminaram fora do tempo limite os 66,3 quilómetros da prova de fundo feminina de juniores, em que se impôs a italiana Azzurra Ballan, filha de Alessandro, o campeão mundial de fundo em 2008.

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