O padel, uma mistura de ténis e squash disputada em campos rodeados por paredes de vidro, é praticado por cerca de 38 milhões de pessoas, tendo Espanha e Argentina como grandes potências.
Esta modalidade nasceu na América Latina e viveu um verdadeiro boom de popularidade na última década, sobretudo na Europa.
Os responsáveis por este desporto afirmam que é praticado em 170 países e territórios e que existem 85.000 campos espalhados por todo o mundo.
A modalidade conta com um circuito profissional, e um torneio realizado este mês no estádio de ténis de Roland Garros, em Paris, reuniu mais de 80.000 pessoas.
O facto de ser praticado habitualmente por ícones de outros desportos também ajudou a popularizar esta modalidade.
O padel já esteve presente nos Jogos Europeus, e a responsável pela Federação Internacional de Padel (IPF), Donatella Del Gaudio, afirmou que o próximo objetivo são os Jogos Olímpicos.
"É preciso ter paciência"
"Estamos a trabalhar arduamente para que isso aconteça em breve", afirmou. "Só temos de ser pacientes, diligentes e respeitar o calendário olímpico", acrescentou a responsável.
O padel continua a ser relativamente desconhecido em vários países, por exemplo no Japão, anfitrião dos Jogos Asiáticos, pelo que o torneio despertou alguma curiosidade entre o público reunido no modesto Higashi Sports Centre.
Depois de vencer o primeiro encontro ao lado da sua parceira de pares Danna Abad, a jogadora filipina Joshea Malazarte declarou à AFP que "o padel é muito popular na Europa e aqui está apenas a começar, por isso estamos contentes por terem incluído o padel".
As entradas para esta competição são gratuitas, e uma espectadora explicou à AFP que foi assistir com uma amiga para espreitar antes de ir almoçar.
Outra adepta, Yuko Hiraiwa, de 60 anos, disse que apreciou o espectáculo. "Jogo padel, mas foi a primeira vez que o vi ao vivo. Foi realmente dinâmico e emocionante."
Um fenómeno mundial
O ambiente tranquilo de Nagoya está muito longe da popularidade do padel noutras partes do mundo. O padel é normalmente disputado na variante de pares e utiliza raquetes maciças em vez de raquetes com cordas.
Os campos são muito mais pequenos do que os de ténis e estão fechados por paredes de vidro, contra as quais é possível bater a bola, de forma semelhante ao squash.
A jogadora filipina Malazarte afirmou que o padel é "mais parecido com uma partida de xadrez" do que com o ténis.
"É preciso abrir o ângulo para conseguir ganhar, não nos precipitamos nos pontos, enquanto no ténis, se tiveres uma direita muito boa ou um revés muito bom, podes ganhar um ponto", acrescentou.
Mais um passo rumo aos Jogos
Os dirigentes do padel garantem que é um desporto apreciado por pessoas de todas as idades e que metade dos praticantes em todo o mundo são mulheres. Mas nem todas as modalidades com números elevados de praticantes se transformam em espectáculos de sucesso.
Apesar de ser praticado por milhões de pessoas em todo o planeta, o squash falhou quatro tentativas de se tornar uma modalidade olímpica, até ser finalmente incluído no programa dos Jogos de Los Angeles 2028.
Uma vantagem do padel é que jogá-lo é tão espectacular e divertido como assistir. "Quando vejo os torneios ao vivo, desde as primeiras rondas, as pistas estão cada vez mais cheias a cada ano", afirmou a jogadora kuwaitiana Mariam Al-Sarraj.
A modalidade conquistou sem dúvida novos adeptos em Nagoya, com o público a soltar exclamações de admiração perante alguns golpes e trocas de bola.
Del Gaudio afirmou que a estreia do padel nos Jogos Asiáticos é "um motivo de orgulho" para todos os que fazem parte desta modalidade.
"É a confirmação do crescimento do padel em todo o mundo", afirmou. "Representa mais um passo rumo aos Jogos Olímpicos".
