A dupla feminina foi aquela que esteve mais perto do bronze, tendo chegado a liderar o terceiro set, mas as italianas Giorgia Marchetti e Carolina Orsi acabaram por impor-se por 7-5, 2-6 e 6-4.
“Infelizmente, o desporto tem destas coisas, não corre como mais gostávamos. Ainda assim, queria reforçar que acho que não desistimos até ao fim, era uma dupla complicada. Dar os parabéns não só a elas, mas também à minha parceira, que realmente é um fenómeno”, elogiou Sofia Araújo.
Visivelmente desiludida, Ana Catarina Nogueira assumiu que “realmente” o bronze era o objetivo, reconhecendo que foi “triste e frustrante” perderem a medalha.
“Demos tudo, todas as nossas forças, numas condições muito difíceis de calor e humidade. Tivemos muito próximo, perdemos no terceiro set, íamos ‘break’ acima. Faltou-nos um bocadinho de consistência nessa altura”, concedeu a atleta mais velha da Missão portuguesa, de 47 anos.
Um calor insuportável marcou os jogos dos portugueses, com o termómetro a assinalar 41 graus e o pouco público presente a procurar refúgio nas escassas sombras das bancadas.
“Além do calor, é a humidade. O tempo está muito abafado, é difícil respirar. O jogo podia ter sido a outra hora, sobretudo quando ontem acabámos de jogar tão tarde”, lamentou ‘Nogui’, já depois de a sua parceira ter defendido que “não se devia jogar assim”.
Esse mesmo fator acabou por ser decisivo no jogo de atribuição de bronze nos pares masculinos, que Miguel e Nuno Deus perderam por 6-3, 5-7 e 6-1 frente aos também italianos Marco Cassetta e Simone Iacovino.
“Ainda estou a digerir um bocadinho a derrota de ontem (nas meias-finais). Pesou e acabou tardíssimo, e hoje ter que estar aqui, de manhã cedo, com pouco descanso e preparado já, a cabeça limpa, para outro jogo, ia ser difícil. Ainda mais jogar com este calor... acho que nunca joguei em condições tão quentes na minha vida”, assegurou Nuno Deus, relevando ter passado “um bocado mal” no primeiro set.
O mais novo dos irmãos Deus elogiou o seu parceiro, dizendo que foi Miguel quem aguentou “imenso o barco” nos primeiros parciais, enquanto ia sentindo dificuldades em lidar com o calor.
“Depois arranjámos ali uma estratégia, juntamente com o treinador, para baixar um bocadinho a temperatura corporal e voltar a estar melhor fisicamente. Acho que depois reagimos no segundo set. Lutámos bastante”, analisou.
Nuno Deus reconheceu que a dupla cometeu muitos erros no último parcial, lamentando emocionado a perda da medalha de bronze. “Custa um bocado. Acho que demos tudo o que podíamos”, concluiu.
“Acho que foi o jogo da minha vida em que eu senti mais calor. E já jogo padel há oito anos, joguei ténis 15 anos, portanto já estou no desporto há muito tempo. Hoje, foi realmente muito difícil”, reiterou Miguel Deus.
Para o mais velho dos irmãos, a pausa de 10 minutos que se seguiu ao segundo set, em cumprimento com o protocolo de calor extremo em vigor nos torneios internacionais, mexeu “bastante” com a dupla.
“Sobretudo comigo. Acho que entrei bastante mal no terceiro set e entreguei praticamente assim os primeiros jogos e depois foi difícil ir atrás do resultado. Bem, parabéns à Itália, acho que foram mais competentes e adaptaram-se melhor a estas condições de extremo calor”, completou.
Depois de ver escapar dois bronzes, o padel português vai hoje celebrar uma medalha ao final da tarde na cidade italiana, já que Sofia Araújo vai aliar-se ao irmão Pedro na final de pares mistos, na qual os portugueses vão defrontar os italianos Marco Cassetta e Giulia dal Pozzo.
“É pouco tempo (de recuperação). Infelizmente, sei que não vou estar nas melhores condições. Vou dar o meu máximo, o meu irmão sei que vai estar a 100% para me ajudar, mas uma coisa não vai faltar: coragem, ambição, porque a medalha de ouro é nossa”, garantiu Sofia Araújo após o jogo de pares femininos.
